O Evangelho e a Cultura

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Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)
Entre os cristãos, há uma variedade de modos de relacionar sua missão e a cultura na qual ela realiza essa missão. Em termos simples, há cristãos fechados à circunstância cultural — os quais tendem a criar sua própria cultura e rejeitar a intrusão de elementos explicitamente exteriores —, como há outros que abraçam a cultura e buscam dar ao Evangelho a roupagem da cultura. Uns são pessimistas, outros são otimistas. Até que ponto batizar a cultura, e até que ponto exorcizá-la?

Como aprendemos de Niebuhr (Christ and Culture, 1951), essa problemática é mais complexa do que isso; há uma variedade de posições teológicas sobre esse relacionamento, classificadas em cinco tipos ideais: (1.) Cristo contra a Cultura, (2.) Cristo da Cultura, (3.) Cristo acima da Cultura, (4.) Cristo e a Cultura em paradoxo, e (5.) Cristo transforma a Cultura. É possível adotar inteiramente qualquer dessas perspectivas? Existe uma firma correta e cristã de lidar com a Cultura, ou é possível adotar posicionamentos situacionais?

O problema ainda se complica quando tentamos definir o que seja cultura. Afinal, se queremos entender o relacionamento entre o Evangelho e a Cultura, temos de ter ao menos alguma noção dela, mesmo que provisória. Mas existe realmente uma “cultura”, ou com isso não damos um mesmo nome a realidades muito diferentes? As linguagens, as artes, a simbologia, os modos de recontar o passado e representar os espaços, os saberes, a visão de mundo, os tipos de relacionamento humano, a alimentação, o trabalho, os modos de representação do sagrado e do profano, o modo de lidar com a natureza, o poder público — seria correto dar o mesmo nome a todas essas coisas? Uni-las em uma mesma terminologia não seria um modo ocidental de tratar o problema? Devemos adotar uma mesma posição sobre a cultura em geral, ou perspectivas diferentes sobre cada momento cultural?

Esse tipo de discussão inevitavelmente surge onde o Evangelho estiver representado, mas nem sempre de maneira consciente. Nesta série de posts, proponho reflexões sobre a cultura em diversos ângulos, atentando, tanto quanto possível, às particularidades de cada cultura.

G. M. Brasilino

O Evangelho e a Cultura (1): Cristo contra a Cultura

O Evangelho e a Cultura (2): Cristo da Cultura

2 comentários em “O Evangelho e a Cultura

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