Espiritualidade Cristã (4): A pobreza de espírito

Jesus Washing Peter's Feet 1852-6 Ford Madox Brown

“Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre;
e eles confiarão no nome do Senhor.”
 (Sofonias 3:12)

As bem-aventuranças estão entre as palavras mais famosas de Jesus, especialmente na versão de São Mateus, introduzindo o Sermão da Montanha. Nessas palavras de esperança se expressa o destino feliz dos virtuosos. A primeira delas nos diz que são bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt. 5:3).

Pobre de espírito (ptōchos tō pneumati), traduzido literalmente, é “pobre no espírito”. Pobre, especialmente numa sociedade como a de Jesus, é aquele que depende da bondade alheia para sobreviver, alguém eventualmente levado a mendigar. Jesus nos chama a uma vida pobre, a sermos pobres, porém no espírito, como Mateus esclarece. Pobre de espírito é aquele que tem o espírito pobre (assim como “quebrantado de espírito” é o que tem o espírito quebrantado.

Por isso, naturalmente somos levados a interpretar a pobreza de espírito como humildade, entendida como virtude cristã e que não se limita à modéstia (despretensão), mas que inclui uma plena satisfação em não possuir nada diante de Deus. Por isso, na oração ensinada por Jesus, devemos pedir o mantimento diário, não nos preocupando muito com outras coisas.

Bankoboev.Ru_ilya_repin_1844_1930_iov_i_ego_druzya[1]Um exemplo dessa virtude seria o personagem Jó diante da perda de todos os seus bens: “Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Jó não viu ao diálogo entre Deus e Satanás que provocou suas perdas, mas confiou que de alguma maneira a providência divina orquestrasse os acontecimentos.

Isso dito, fica claro que um a pobreza de espírito é um segredo para gratidão. Eu só posso ser plenamente grato a Deus por tudo se eu entendo que nada pertence a mim.

C. S. Lewis nos ensinou que a verdadeira humildade não está em pensar menos de si (inferiorizar-se), mas em pensar menos sobre si. O humilde não perde tempo pensando sobre si; afinal de contas, ele não se considera uma assunto tão importante para pensar. Até mesmo a auto-repreensão e a auto-inferiorização podem ser motivos de orgulho. Assim, o segredo para a humildade é não focar na própria humildade (ou seja, não focar em mim), mas em Deus e no próximo.

G. M. Brasilino

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