Espiritualidade Cristã (6): A Disciplina

PergotOgier-Breton[1]

“Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento;” (1Coríntios 14:15b)

O apóstolo Paulo nos ensina a orar “sem cessar” (1Ts. 5:17). Quando lemos suas cartas, vemos que elas iniciam com declarações de como o apóstolo orava pelas igrejas que fundou. Se suas palavras são verdadeiras, como cremos que são, ele nunca deixava de orar por elas. O exemplo da oração é visto na pessoa do próprio Filho de Deus, que buscava lugares isolados para orar (Mt. 14:23; cf. Mt. 6:6).

Se entendemos a oração em sentido estrito, como um falar com Deus, é claro que em algum momento é necessário parar para fazer qualquer outra coisa. Um dia, Deus será “tudo em todos” (1Co. 15:28), e aí então não dividiremos mais nossa atenção. Mas em nossa presente experiência humana, não é possível orar o tempo todo. Em algum momento, minha atenção sai da oração consciente para pensar em algo urgente — dormir, atender ao telefone, fazer uma cálculo, etc.

Nossa tentativa séria e disciplinada de orar constantemente, de fazer da oração parte essencial do nosso dia, é um testemunho presente e imperfeito da realidade futura e perfeita. Orar sem cessar é o destino eterno dos salvos. Nossa vida de oração deve se adaptar ao nosso dia, ou nosso dia deve se adaptar à nossa vida de oração?

ChristOnMountain[1]A prática da oração é circular: oração exige perseverança, e perseverança exige oração. Deus nos fortalece a orar, e oramos pedindo forças. É Deus quem nos atrai, anima, fortalece, aperfeiçoa, consuma e responde às nossas orações.

Na era patrística, os cristãos costumavam orar em pelo menos três horários do dia: manhã (9:00), meio dia (12:00) e tarde (15:00). O uso primitivo de se orar em três horas específicas do dia inspirou-se na prática do profeta Daniel (“três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus”, Dn. 6:10) e em outros textos bíblicos (“De tarde e de manhã e ao meio dia orarei”, Sl 55:17a). Os judeus até hoje adotam esses três momentos de oração. Os primeiros cristãos seguiram o mesmo costume, e isso é sutilmente indicado no livro dos Atos dos Apóstolos: os cristãos estavam reunidos em oração, no dia de Pentecostes, às 9:00 (hora terceira; At. 2:1,15; cf. At 1:13,14), Pedro orava próximo ao meio dia (hora sexta; At. 10:9), Pedro e João às 15:00 (hora nona; At 3:1); este último texto indica essa hora como “a hora da oração”.

É claro que essa tradição não obriga a todos os cristãos, mas ela tem algo importante a ensinar e com o que todos nós podemos crescer. É maravilhoso quando sentimos o desejo de orar — nosso coração arde, as palavras fluem, nossa mente contempla a beleza da santidade de Deus. Mas nós não devemos tornar nossa vida de oração dependente de um desejo de orar. Pelo contrário, devemos lutar no Espírito Santo para que a oração seja constante e regrada. Todos os cristãos passarão por momentos de mais aridez, de falta de sentimento e até de falta de sentido; amadurecer é ser capaz de passar por esses momentos sem reduzir o passo, sem diminuir a vida de oração.

G. M. Brasilino

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