Sacramento e Escatologia

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Então se abrirão os olhos dos cegos
e se destaparão os ouvidos dos surdos.
Então os coxos saltarão como o cervo,
e a língua do mudo cantará de alegria.
Águas irromperão no ermo
e riachos no deserto.
(Isaías 35:5,6)

Quando Jesus iniciou seu ministério terreno, atraiu a atenção dos discípulos de João Batista. Os judeus aguardavam a vinda do Messias, o libertador que lhes traria paz, plenitude e salvação. Então João Batista envia seus discípulos a perguntar se Jesus seria esse libertador aguardado. A resposta de Jesus não é um sim ou um não; ele lhes mostra o seu ministério: “os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres;” (Lucas 7:22). Continue lendo “Sacramento e Escatologia”

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Amor Impassível

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“Confiai no Senhor perpetuamente;
porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.”
(Isaías 26:4)

Deus não muda. Por toda eternidade, desde sempre e para sempre, Deus é o mesmo. Nada há que o possa mover em qualquer direção. Não obstante, quando olhamos para o Gólgota, não vemos essa impassibilidade; vemos o Deus Crucificado que, entre o sangue e o vinagre, sofre injustamente nas mãos dos que o laceravam. Seria isso mesmo possível? Continue lendo “Amor Impassível”

Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino

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“Alguns novos teólogos negam o pegado original, que é a única parte da teologia cristã que pode ser realmente provada. Alguns dos seguidores do Reverendo R. J. Campbell, em sua espiritualidade quase exagerada, admitem a impecabilidade divina, que eles não são capazes de ver nem em seus sonhos. Mas eles essencialmente negam o pecado humano, que eles podem ver na rua.” (G. K. Chesterton)

A noção de Pecado Original é uma das doutrinas mais polêmicas na história da Igreja, especialmente quando foi primeiramente formulada por Agostinho de Hipona (354–430), mas também no princípio da Reforma Protestante — com formulações radicais pela maioria dos reformadores e, do lado Romano, o estabelecimento de um dogma “completo” do Pecado Original no Concílio de Trento (mas recuperando o Concílio de Orange de 529) —, assim como na teologia racionalista entre os séculos XIX e XX, que assumia uma opinião bastante otimista sobre a natureza humana. Continue lendo “Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino”

Reverência

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“A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra.” (Is. 66:2b)

Deus é santo. Como Walter Brueggemann diz em sua Teologia do Antigo Testamento, provavelmente a única expressão literal no A.T. para caracterizar a Deus é essa palavra: santo. Todas as outras palavras aplicam-se a outras coisas; se dissermos que Deus é poderoso, ou que é grande, ou que é pai, dizemos a verdade, mas apenas como semelhança. Deus é poderoso, o rei é poderoso, mas ambos não no mesmo sentido. Deus é grande, a montanha é grande, mas não no mesmo sentido. Há aí uma relação de semelhança. Continue lendo “Reverência”

Não discernindo o Corpo do Senhor

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“Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.” (1 Coríntios 11:29)

Uma das mensagens mais presentes no Antigo Testamento é a de que a presença de Deus e a maldade humana não podem conviver. Deus escolheu lugares para neles fazer habitar sua santidade. A terra de Israel é santa. A capital de Israel, Jerusalém, é santa. O Templo em Jerusalém é santo. Por conta disso, Deus não toleraria a prática do pecado nesses lugares. A imoralidade (Lv. 18:24-30), homicídio (Nm. 35:33,34), idolatria (Jr. 16:18) ou pecado em geral (Is. 24:5) profanariam a terra que Deus quis que fosse santa. Continue lendo “Não discernindo o Corpo do Senhor”

Contra o Princípio Regulador do Culto

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Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso “Deus é fogo consumidor!” (Hebreus 12:28,29)

Todos os cristãos concordam que somente Deus deve ser adorado, e que somente deve ser adorado como sua Palavra estabelece. Existe um modo aceitável (euarestōs) de se adorar a Deus — o que quer dizer que há também um modo inaceitável. Todas as tradições cristãs vêem em Hb. 12:28,29 uma clara afirmação da seriedade com que se deve tratar os limites do culto comum. Mas entre os cristãos protestantes, há um debate sobre o que constitui de fato uma liturgia obediente à Palavra. Significa que devemos fazer apenas o que a Escritura não proíbe, ou que devemos fazer apenas aquilo que ela manda? Há graus distintos de liberdade. Continue lendo “Contra o Princípio Regulador do Culto”

A Cruz e o Tabu

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“Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns.”
(1 Coríntios 9:22b)

A parábola da casa edificada sobre a rocha (Mt. 7:24-27) está entre as mais conhecidas. É uma metáfora estendida: a verdadeira obediência à palavra de Jesus assemelha-se à casa edificada sobre a rocha, que resiste ao tempo mau, ao passo que a casa edificada sobre a areia não resiste. A firmeza depende do solo. É uma lição de fé e ao mesmo tempo uma lição de sabedoria. Continue lendo “A Cruz e o Tabu”