Dois mitos sobre os livros deuterocanônicos

sabedoria-de-salomao

“Deste modo, raciocinam os maus, mas eles estão enganados; estão cegos por causa da sua maldade” (Sabedoria 2:21)

As pessoas raramente sabem do que estão falando quando opinam sobre algo que escapa a a experiência (imediata). Também acontece de estarem erradas sobre aquilo que é de sua experiência; ainda assim, surpreende o abismo que há entre o desejo de opinar e o interesse de buscar os fatos na sua raiz. Continue lendo “Dois mitos sobre os livros deuterocanônicos”

Anúncios

Três eclesiologias: Westminster, Savoy, Londres

igreja-invisivel

“Assim também, enquanto ela é uma estranha no mundo, a cidade de Deus tem em sua comunhão, e vinculados a ela pelos sacramentos, alguns que não habitarão eternamente no destino dos santos.” (Agostinho, Cidade de Deus)

Eu não considero a distinção entre Igreja visível e Igreja invisível útil. Afinal, é uma distinção que a própria Escritura não faz, uma distinção que foi desnecessária por séculos e, parece-me, gera mais confusão do que compreensão sobre o papel e a importância da Igreja, especialmente em um contexto de cristandade dividida. Mas há maneiras diferentes de encarar essa distinção, e parece-me que as confissões reformadas deixam transparecer essas diferenças teológicas. Continue lendo “Três eclesiologias: Westminster, Savoy, Londres”

Até Deus faz votos de casamento

votos-de-casamento

“Eu, N., recebo-te, N., por minha esposa, de hoje em diante: para o melhor e o pior, na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar-te e honrar-te, até que a morte nos separe, segundo a santa lei de Deus. Este é o meu voto solene.” (LOCb, Rito de Matrimônio II)

Eu considero os votos a parte mais bonita de uma celebração de casamento. Ainda que haja símbolos muito bonitos nas diversas tradições de ritos matrimoniais, como a troca de alianças, as coroas, as bênçãos e orações, os votos de casamento são a razão por trás de toda a celebração, de certa maneira. Eles expressam o compromisso perene que um casal assume de viver o casamento como Deus o quis, em amor e fidelidade. Continue lendo “Até Deus faz votos de casamento”

Batismo infantil, família e conversão

agua-na-mao

“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:26-28)

Há uns poucos anos atrás, o professor Michael Bird escreveu (leia aqui) em defesa do chamado “batismo dual” — a prática de algumas comunidades cristãs de se permitir pragmaticamente tanto o credobatismo quanto o pedobatismo. A prática do batismo dual ocorre, por exemplo, quando comunidades confessionalmente pedobatistas não exigem disciplinarmente de seus membros que levem seus filhos à fonte. Continue lendo “Batismo infantil, família e conversão”

Juízo Final, segundo as obras, nas Confissões Reformadas

confissao-de-fe-de-westminster

“Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:10-12)

Embora as Sagradas Escrituras, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, repetidas vezes mencione o juízo escatológico, no qual os vivos e os mortos comparecerão ante o tribunal de Deus para serem julgados segundo as suas obras (cf. Mt. 16:24-27; Rm. 2:4-10; Ap. 20:12-15), recebendo por elas o seu destino eterno, esse tema perdeu vigor na linguagem teológica protestante no século XX, recuperando-se apenas através dos esforços renovados de biblistas. Continue lendo “Juízo Final, segundo as obras, nas Confissões Reformadas”