A Eficácia da Circuncisão

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“Nisso, porém, consentiremos a vós: se fordes como nós; que se circuncide todo o homem entre vós; Então dar-vos-emos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos convosco, e seremos um povo;” (Gênesis 34:15,16)

A associação entre batismo e circuncisão, suposta em Cl. 2:11,12, é um dos fundamentos teológicos da defesa do batismo infantil. Essa relação pressupõe que a circuncisão seja um ritual eficaz, que realiza algo. Certamente a circuncisão não é mágica; cortar um pedaço de pele não tem qualquer poder especial inerente. Mas a circuncisão é mais do que simplesmente cortar um pedaço de pele. É o “selo da justiça da fé” (Rm. 4:11). De fato, aqueles que não fossem circuncidados estariam excluídos da aliança divina:

Gn. 17:9-14: Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança.

É muito comum que se pense que a circuncisão por si mesma não tem valor espiritual. Essa opinião parece ter alguma ressonância em Romanos:

Rm. 2:25-29: Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a ti, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei. Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.

Mas o argumento de Paulo é parte de uma dialética bem mais extensa, e perder o restante do argumento é cair em uma incompreensão. O texto não para aí, e ele começa o (que hoje é o) próximo capítulo perguntando justamente que valor tem a circuncisão, e apresenta uma resposta parcial. Por que Paulo iria se perguntar pela utilidade da circuncisão, se achava que a circuncisão é inútil? Simples: ele não achava que ela era inútil.

Rm. 3:1-4: Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisãoMuita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado.

Entenda-se: Paulo diz que, ainda que todos os circuncisos (todo homem) sejam mentirosos, Deus é verdadeiro para com sua aliança. A incredulidade de alguns para com aliança não anula a fidelidade de Deus. Os circuncisos são os guardiões dos oráculos de Deus, e em Rm. 9:4,5 o apóstolo acrescenta algo mais.

Mas o aparecimento da Nova Aliança em Cristo modifica bastante as coisas. Paulo não pode negar, por um lado, a salvação dos gentios em Cristo e, por outro lado, a aliança da circuncisão. Os cristãos são a verdadeira circuncisão, mas o sinal da aliança continua tendo um peso espiritual, só que agora negativo:

Gl. 5:2,3: Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei.

Nesse sentido, entende-se que a circuncisão é responsável por selar o compromisso pactual para o circuncidado, mesmo criança, obrigando-o a “guardar toda a lei” e tornando-o portador dos “oráculos de Deus”, independentemente de sua incredulidade pessoal. Somente isso dá sentido a Gl. 5:2: aquele que pela circuncisão for vinculado à Antiga Aliança não pode, por isso mesmo, ser parte da Nova. Salvação é outra história.

G. M. Brasilino

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