O governo congregacional é bíblico?

christ-with-the-twelve-apostles-tissot

Hoje o costume entre evangélicos é dizer que não existe um “governo bíblico”; a Escritura teria princípios que poderiam ser usados para formular formas diferentes de governo eclesiástico. Do ponto de vista protestante isso é bastante esquisito, porque parece negar a suficiência da Escritura para a vida cristã. Só não estranharia essa opinião quem considerasse o governo eclesiástico como de menor importância para a vida cristã, uma posição que nada tem, ela mesma, de bíblica. Continue lendo “O governo congregacional é bíblico?”

Anúncios

Sobre “aceitar Jesus”

o-batismo-do-eunuco-rembrandt

“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.” (Colossenses 2:6,7)

Eu confesso que sempre ouço a expressão “aceitar Jesus” com bastante estranhamento. Não que ela seja em si mesmo errada; suspeito que com ela se quer enfatizar a realidade de que Jesus é recebido, não algo que nós adquirimos por nós mesmos. Aceitamos aquilo que é oferecido, a “graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” (1Pe. 1:13). Diante dessa oferta graciosa, ou aceitamos (Jo. 3:33; 1Tm. 1:15) ou rejeitamos (Lc. 10:16; Jo. 12:48; At. 13:46). Essa expressão tem também a vantagem de lembrar que a fé cristã envolve não apenas a adesão a uma mensagem, mas em primeiro lugar o compromisso com uma pessoa: Jesus. Continue lendo “Sobre “aceitar Jesus””

Certeza da salvação (II): João Calvino

calvino

“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.” (1 Pedro 1:13)

Continuando o texto anterior (leia aqui), agora nos voltamos para Calvino, cuja doutrina da certeza da salvação é mais famosa. Diferentemente de Tomás, que localiza a certeza da salvação na virtude da esperança, Calvino a coloca na virtude da fé; ainda assim, a diferença não é gritante se lembrarmos que Tomás coloca já na fé o fundamento da esperança, na medida em que a fé tem por objeto o Deus onipotente e misericordioso. Continue lendo “Certeza da salvação (II): João Calvino”

Tradição e Abdução

piero-della-francesca-batismo-de-cristo

“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gálatas 1:8)

“E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado…” (1Timóteo 6:20)

“…exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.” (Judas 3)

Os usos mais freqüentes da palavra “fé” no Novo Testamento dizem respeito à virtude pessoal da fé — o “espírito de fé” de 2Co. 4:13, algo próximo ao habitus fidei. Embora freqüentemente se realce a fidelidade da fé, que é uma das traduções possíveis para a mesma palavra pistis (cf. Rm. 3:3), essa palavra também designa o cristianismo como um todo e sua pregação em particular (Rm. 10:18; 13:11; Gl. 1:23; Ef. 4:5; etc.). Toda forma válida de pregação cristã posterior ao Novo Testamento é apenas a exposição desse depósito de fé original. Continue lendo “Tradição e Abdução”