Teologia do Amor em Agostinho

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“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14:21)

A teologia do amor de Agostinho é como que o crescimento das preciosas sementes das Sagradas Escrituras, que nos ensinam que do amor dependem todos os mandamentos, que todas as coisas devem ser feitas com amor, sem o qual nada tem valor, que quem ama cumpriu a lei, que não pode dizer que ama a Deus quem não ama ao irmão, que Deus permanece naqueles que permanecem em seu amor, que o amor procede de Deus e é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo e, sobretudo, que Deus é amor. Por um lado, o amor é a máxima exigência e, por outro, o maior dom.

O amor é tudo o que recebemos de Deus e a única resposta possível para Deus. As reflexões de Agostinho sobre o amor parecem a aplicação dessa ‘concentração agápica’ do Novo Testamento. Nestas citações bastante inspiradoras Agostinho mostra o quão central é o amor em sua teologia.

“Eu chamo “amor” ao movimento da alma para fruir a Deus por ele mesmo, e a si mesmo e ao próximo por causa de Deus; e cupidez  é o movimento da alma para fruir a si e ao próximo e a qualquer outro corpo, sem Deus como motivo.”  De Doctrina Christiana III, 10, 16

“Quem, então, pensa que entende as Divinas Escrituras ou qualquer parte dela mas colocas nelas uma tal interpretação que não tende a edificar esse amor gêmeo, a Deus e ao próximo, ainda não as entende.” De Doctrina Christiana I, 36, 40

“Assim não há amor sem esperança, nem esperança sem amor, nem nenhum dos dois sem fé.”— Enchiridion, 2, 8

“Pois quando se pergunta se um homem é bom, não se pergunta no que crê ou o que espera, mas o que ama. Pois quem ama retamente sem dúvida crê e espera retamente; quem verdadeiramente não ama crê inutilmente, ainda que seja verdadeiro aquilo em que crê; inutilmente espera, ainda que pertença à verdadeira felicidade aquilo que espera.” — Enchiridion, 31, 117

“Todos, pois, que não amam a Deus, são estranhos, são anticristos. E ainda que entrem nas igrejas, não podem ser contados entre os filhos de Deus; não lhes pertence aquela fonte de vida.” In Epistolam Ioannis, Tract. 7, 6

“Veja-se o que ensinamos, que não se discernem os feitos dos homens senão pela raíz do amor. Pois muitas coisas podem ser feitas com boa aparência e sem proceder da raiz do amor. Pois os espinhos também tem flores: algumas ações realmente se vêem ásperas, se vêem truculentas; mas são feitas por disciplina conforme dita o amor. De uma só vez, portanto, te é dado um breve preceito: Ama, e faz o que quiseres; se te calas, cala-te em amor; se clamas, clama em amor; se corriges, corrige em amor; se suportas, suporta em amor; estando no interior a raiz do amor, desta raiz não pode proceder nada além do que é bom.” — In Epistolam Ioannis, Tract. 7, 8

“Que face tem o amor? Que forma tem? Que estatura tem? Que pés tem? Que mãos tem? Ninguém pode dizer. Não obstante, tem pés, pois esses levam à Igreja. Tem mãos, pois essas alcançam os pobres. Têm olhos, pelos quais se nota aquele que passa necessidade; “Bendito é o homem”, foi dito, “que considera o necessidade o pobre”. Tem ouvidos, dos quais diz o Senhor: “Quem tem ovidos para ouvir, ouça”. In Epistolam Ioannis, Tract. 7, 10

“Não ama o erro no homem, mas o próprio homem.” — In Epistolam Ioannis, Tract. 7, 11

“Pergunto de que modo amas o inimigo. O que desejas para ele? Que ele seja saudável nesta vida? E se ele não conseguir? Que ele seja rico? E se ele for cegado pelas próprias riquezas? Que ele se case? E se nisso ele sofrer uma vida amarga? Que tenha filhos? E se forem maus? São, assim, incertas essas coisas que pareces desejar ao teu inimigo, em que o amas; são incertas. Deseja que ele tenha contigo a vida eterna; deseja que ele seja teu irmão. Se assim desejas, amando o inimigo para que seja teu irmão, amando-o, amas um irmão.” — In Epistolam Ioannis, Tract. 8, 10

“Como sabemos que Ele nos deu Seu Espírito? Isso mesmo, que o Seu Espírito te tenha sido dado, como sabes? Interroga tuas vísceras: se estão cheias de amor, tens o Espírito de Deus.” In Epistolam Ioannis, Tract. 8, 12

“Quanto mais em ti cresce o amor, mais cresce a beleza; pois o próprio amor é a beleza da alma.”In Epistolam Ioannis, Tract. 9, 9

“O que é crer nele? Crendo amar, crendo estimar, crendo nele ir e ao seus membros se incorporar. É essa mesma, portanto, a fé que Deus exige de nós: e não encontra o que exige, a menos que conceda o que procura. Que fé senão aquela que o Apóstolo define plenamente em outro lugar, dizendo: “Nem a circuncisão vale, nem a incircuncisão, mas a fé que opera por amor”? Não qualquer fé, mas a “fé que opera por amor”: esteja essa fé em ti, e entenderás da doutrina.” — In Evangelium Ioannis, Tract. 29, 6

“Portanto dois amores fizeram duas cidade, a saber, a terrena pelo amor a si até em detrimento de Deus, a celeste pelo verdadeiro amor a Deus até em detrimento de si.”A Cidade de Deus, XIV, 28

“Quando sobe a Ele, nosso coração é seu altar; Seu Unigênito é o sacerdote no qual O aplacamos; oferecemos a Ele sacrifícios cruentos quando lutamos por Sua verdade até o sangue; oferecemos a Ele um suavíssimo incenso quando queimamos com amor pio e santo diante Ele; seus dons em nós, e a nós mesmos, devotamos e rendemos a Ele; dedicamos e consagramos a Ele a memória de seus benefícios em festas solenes e dias separados, para, passado o tempo, o esquecimento ingrato não o surrupie; a Ele consagramos o sacrifício da humildade e do louvor no altar do coração, incendiado pelo fogo do amor.” A Cidade de Deus, X, 3

“Ama-te pouco aquele que ama, conTigo, qualquer coisa não amada por amor a Ti. Ó Amor, que sempre ardes e nunca te extingües, Amor, meu Deus, inflama-me! Ordenas a continência: dá-me o que ordenas e ordena o que quiseres.” Confissões, X, 29

“Quanto à virtude que nos leva à vida feliz, afirmo que a virtude não é absolutamente nada além do sumo amor a Deus. Pois aquela virtude que se diz quádrupla, como entendo, são modos variados do próprio amor. Pois daquelas quatro virtudes — quiçá sua força estivesse na mente assim como os nomes estão na boca de todos! —, eu não teria dúvida em afirmar que a temperança é o amor que se dá inteiro ao amado; fortaleza é o amor que facilmente suporta tudo por aquele que é amado; a justiça é o amor que serve apenas ao amado, e assim governa retamente; prudência é o amor separando sagazmente aquilo que o ajuda daquilo que o impede. Mas esse amor não é senão a Deus, que é o sumo bem, a suma sabedoria e a suma concórdia.”  De Moribus Ecclesiae Catholicae, XV

(Agostinho usa expressões latinas diferentes para expressar amor, especialmente caritas e dilectio. Elas estão todas traduzida como “amor” aqui.)

COLETA PELA PUREZA
Onipotente Deus, que vês todos os corações, conheces todos os desejos, e para quem segredo algum está oculto; purifica os nossos corações e pensamentos com a inspiração do teu Santo Espírito, para que te amemos com perfeição, e dignamente engrandeçamos teu santo nome; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

G. M. Brasilino

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