Os Ramos e a Multidão

Domingo de Ramos
Este é o dia que o SENHOR fez;
regozijemo-nos e alegremo-nos nele.
Bendito o que vem em nome do SENHOR.

A vós outros da Casa do SENHOR, nós vos abençoamos.
O SENHOR é Deus, ele é a nossa luz;
adornai a festa com ramos até às pontas do altar.
(Salmos 118:24,26-27)

Ao contrário do mito popular, a multidão que gritava “Hosana!” não é a mesma que pediu a crucificação de Jesus. A multidão que preparou a entrada de Jesus em Jerusalém foi aquela que, na frente e atrás dele, ia para a festa da Páscoa (Mt. 21:9; Jo. 12:12-13), enquanto o povo de Jerusalém não fazia idéia do que estava acontecendo (Mt. 21:10-11). No Evangelho de Lucas, a multidão é chamada de “multidão dos discípulos” que louvava a Deus “por todos os milagres que tinham visto” (Lc. 19:37), o que, no Evangelho de João, era a ressurreição de Lázaro, atraindo a atenção do povo de Jerusalém e o ódio dos fariseus (Jo. 12:17-19).

O conflito real, conforme ensina a Parábola dos Lavradores Maus, não era entre Jesus e os judeus, mas entre Jesus e os líderes dos judeus em Jerusalém, e que eram capazes de manipular a multidão da cidade (Mt. 27:20), que já tinha mostrado alguma curiosidade por Jesus. Isso nos lembra das palavras do Salmo 118:9 “É melhor confiar no Senhor do que confiar nos príncipes.”

Rumo ao Calvário, Jesus vê mulheres de Jerusalém lamentando sua Crucificação (Lc. 23:27-31), o que nos mostra que mesmo em Jerusalém havia pessoas que não concordavam com a injustiça perpetrada contra Jesus. Não obstante, o juízo contra aquela cidade viria, por não receberem o seu Rei.

Por isso o próprio Jesus lamentou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt. 23:37-39). Jerusalém deveria aprender a receber o seu Rei assim como fez a multidão, conforme a profecia de Zacarias 9:9. Por isso também, a cidade de Jerusalém foi, conforme a profecia de Jesus, devastada (Lc. 19:41-44).

Celebramos o Domingo de Ramos porque, diferentes dos hierosolimitas, aprendemos a dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” Aprendemos a acolher o nosso Rei.

G. M. Brasilino

4 comentários em “Os Ramos e a Multidão

  1. Esse versículo de Mateus muitos usam como afirmação de livre arbítrio ou foi já predestinado a recusarem o Messias para cumprir a profecia, mesmo que parte dessas pessoas.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s