33 Teses contra a Substituição Penal

Cristo Crucificado

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Gálatas 6:14

A teoria da Substituição Penal ensina que o propósito da morte de Cristo foi o de ser punido pelos pecados da humanidade ou dos eleitos, uma vez que, supostamente, a justiça de Deus exige que alguém seja punido para que haja perdão. Como fazem crer seus defensores, o Evangelho seria essencialmente a Justificação pela Fé através da Imputação da Justiça de Cristo para o cristão (isto é, aquele que tem fé) e a Imputação da culpa pelos pecados do cristão para Cristo, resultando na Punição Substitutiva de Cristo. A teoria diz respeito a essa transação “forense”. Às vezes, certas versões dessa teoria enfatizam a ira de Deus, que deve “cair” sobre alguém quando há pecado.

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Pecados mais graves

Ecce Homo (Jesus e Pilatos)

Quem desconhece o passado está fadado não apenas a repetir os erros antigos, mas também a ignorar a sabedoria antiga e cometer erros novos. Por algum motivo incrível que me escapa, tornou-se comum entre os evangélicos a crença de que todos os pecados são iguais, de que nenhum é mais grave que outro, como um tipo de mantra óbvio que dispensa qualquer justificativa — e normalmente não é acompanhado por nenhuma. Pois não se encontrará nenhum texto da Sagrada Escritura que nos diga que todos os pecados são iguais em gravidade. Continue lendo “Pecados mais graves”

C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron

C S Lewis

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.  Filipenses 4:8

A vontade de Deus é central para o modo como os cristãos encaram o sentido último de todas as coisas. Na Oração, o Filho de Deus ensinou os homens a pedir ao Pai Celeste dizendo que “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, não muito diferente do que pediria no seu sofrimento: “não seja como eu quero, mas como tu queres”. Com isso não convencemos Deus a fazer Sua vontade, como se de outro modo Ele não a fizesse — Ele a fará —, mas apenas nos colocamos diante do mistério que ela encerra e a aceitamos com resignação e com fé, seja qual for. Pois, seja qual for, a vontade de Deus será sempre boa, ainda que vivenciá-la como boa exija a renovação da nossa própria mente.  A oração cristã, por si mesma, exige fé na bondade absoluta da vontade de Deus. Continue lendo “C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron”

Sobre o Inferno

La Barca di Caronte

Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza. Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno.” (Lucas 10:13-15)

“Assim como o coração do animal está no meio, assim também o inferno considera-se estar no meio da terra.” (Isidoro de Sevilha, Etimologias, XIV, 9, 11)

Em Teologia, grande é a tentação é de querer que as coisas sejam simples demais. Nós ficamos mais tranqüilos quando aquilo em que cremos cede, de algum modo, à nossa compreensão, e não é fácil vencer a inqüietação causada pelo que a excede.  Se isso é mais ou menos verdade sobre cada doutrina cristã, agrava-se quando o tema é a mais terrível delas, a doutrina do Inferno. Quando não podem esquecê-la, as pessoas abraçam mais facilmente as interpretações que de algum modo facilitam as coisas. Continue lendo “Sobre o Inferno”