Inclusivismo é possível?

Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, o único caminho para o Pai, o consumador da nossa fé, a fonte abundante de toda verdade, bondade e beleza, aquele diante de quem um dia todo joelho se dobrará. Quem não está com ele, está contra ele, e fora dele não há salvação.

A missão da Igreja é ser a continuidade desta obra de Deus, levando todos os homens em todos os lugares a desfrutar do Cristo todo. Essa missão é sobretudo uma missão de Deus no mundo, cujo epicentro é o envio de Cristo e do Espírito, no Natal e no Pentecostes, que a Igreja primeiramente recebe para então compartilhar, como comunidade redimida daqueles cuja esperança está na Cruz e cuja vida emerge da Ressurreição. A Igreja o faz por acreditar que a vida eterna é conhecer ao Deus único e ao Seu Cristo (Jo. 17:3).

A missão de Deus é cumprida na Igreja é cumprida através de uma pregação que parece loucura aos olhos do mundo (1Co. 1:21; 2:14), e é através dessa pregação que Deus salva os homens. Ao fazê-lo, a Igreja não oferece simplesmente uma alternativa, mas o caminho único e verdadeiro, que exige o arrependimento de todas as pessoa em todos os lugares (At. 17:30-31) e a submissão ao único nome pelo qual podemos ser salvos (At. 4:12). Por isso, a Igreja não apenas prega a palavra em todo o mundo, mas também intercede pela conversão de todo o mundo.

Outras religiões são incapazes de levar a Cristo, a Deus e à salvação. Há, de fato, pessoas como o escriba sábio, que não estão longe do reino de Deus (Mc. 12:34). Mas os deuses das nações são demônios e ídolos vazios (Sl. 96:5; 1Co. 10:20). Segui-los é ser conduzido às trevas, e não à luz. Quem não entra pela porta é ladrão e salteador (Jo. 10:1,7).

Isso não significa que a salvação esteja absolutamente restrita aos que ouvem o Evangelho. Do contrário, crianças e pessoas com vários tipos de deficiência mental estrariam excluídas da Cruz de Cristo. É possível, portanto, haver salvação sem o reconhecimento explícito de Cristo, ao menos em algumas hipóteses, quando esse reconhecimento não parece possível. Afinal, o Senhor exige de nós na medida do que ele mesmo nos concedeu (Lc. 12:48). A salvação dos tais é uma grande demonstração da grandeza da graça divina, que sempre antecede e supera a resposta humana que ela mesma provoca.

Mas não é fácil dizer até onde se estende o aprisco divino, e se ele incluiria certos povos que não ouviram o Evangelho e até desapareceram sem ter contato com nenhum cristão. Recurso a idéias como eleição e predileção não solucionam o problema, pois as Sagradas Escrituras atestam que a salvação inclui pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações, não apenas na extensão da intenção salvífica divina (Ap. 5:9-10), mas também no resultado (7:9). A palavra de João poderia, porém, ser um exagero, uma hipérbole, pois o próprio João seria incapaz de vislumbrar todos os povos, tribos, línguas e nações de uma só vez; ainda assim, é o cântico celeste e a revelação divina para nós. Se essas palavras forem tomadas ao pé da letra, isso significa que sim, a Cruz de Cristo alcança pessoas que, durante esta vida, não foram alcançadas pela Igreja.

Há aí um grande mistério, pois de fato a salvação é para a Igreja: extra ecclesiam nulla salus. Diante da grandeza do mistério, cabe a nós o silêncio reverente. Com certeza nós não controlamos nenhuma decisão de Deus, e não cabe a nós tomar qualquer posição acerca daquilo que ele fará ou não fará, além daquilo que ele já prometeu fazer, e muitas vezes o fato de termos o Texto Sagrado em nossas mãos, em mãos irreverentes, pode nos levar à ilusão de controlarmos a verdade. Qualquer que seja ela, porém, será sem dúvida mais justa do que qualquer um de nós poderia imaginar, mas com uma justiça que sem dúvida escapa à nossa compreensão.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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