Dez ensinamentos da Bíblia negligenciados no mundo evangélico


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A fidelidade dos evangélicos à Sagrada Escritura às vezes é frustrada por certa reticência em confessar aquilo que ela mesma ensina de modo claro e distinto sobre diferentes assuntos. Essas palavras não atingem a totalidade dos evangélicos, mas atingem em cheio certo tipo de evangelicalismo inculto de origem americana. Penso que a maioria dos evangélicos brasileiros, especialmente os de igrejas mais recentes, é atingida em ao menos um destes dez ensinamentos bíblicos.

1. Os pecados não são todos iguais. Alguns são mais graves que outros.

“Jerusalém pecou gravemente;” (Lamentações 1:8a)

“…quem me entregou a ti maior pecado tem.” (João 19:11)

Esses são apenas dois exemplos de como a Escritura fala de iniquidades maiores, pecadores maiores, culpa maior. Não apenas os pecados têm conseqüências diferentes (1Jo. 5:16-17), mas eles têm pesos diferentes — por isso mesmo eles têm consequências diferentes. Existe, por isso, razão na nossa intuição moral: roubar para gozar é pior que roubar para comer, matar é pior que ferir.

É difícil entender como surgiu essa noção estranha de que todos os pecados sejam iguais. É verdade que todo pecado ofende a Deus e é um pecado contra toda a sua lei (Tg. 2:10), mas disso não se segue que todo pecado tenha, em si mesmo, intensidade e gravidade iguais. Talvez a origem seja mesmo um zelo moralista pela vida alheia.

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2. Nossas orações são impedidas pelos nossos pecados.

“Então, chamarão ao SENHOR, mas não os ouvirá; antes, esconderá deles a sua face, naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras.” (Miquéias 3:4)

“Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Isaías 1:15)

Todo pecado é uma injúria, maior ou menor, contra nossa comunhão com Deus, o que “impede” que Ele nos ouça (Is. 59:2-3). Ao contrário dos relacionamentos humanos, Deus tem uma paciência infinitamente misericordiosa e compassiva, Ele derrama sua bondade sobre toda a criação, faz chover sobre bons e maus, mas Ele jamais premiará nossa própria impiedade, e, por isso, Ele leva os nossos pecados a sério. Nas Escrituras, Deus se coloca constantemente ao lado dos mais fracos, dos órfãos, das viúvas, dos pobres, e contra nós quando os ferimos. A atenção de Deus para com nossas orações se vincula à nossa própria obediência a Deus (1Jo. 3:22). Por isso, o apóstolo Pedro ensina estarem impedidas as orações dos maridos que maltratam suas esposas (1Pe. 3:7). Nada mais justo.

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3. Existem lugares sagrados, e objetos podem ser abençoados.

“e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.” (Mateus 27:53)

“E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo;” (II Pedro 1:18)

Embora Jesus tenha redirecionado a distinção entre puro e impuro — fazendo sua preocupação recair sobre a pureza de coração, não mais sobre a disciplina do toque e do contato com pessoas e objetos impuros —, ele jamais aboliu a distinção paralela entre sagrado e profano. Pelo contrário, o Novo Testamento continua reconhecendo Jerusalém como “a cidade santa” mesmo depois da ressurreição de Cristo — na realidade, muitos anos depois disso, quando o Evangelho de Mateus foi escrito. Do mesmo modo, Pedro reconhece o monte da transfiguração (Tabor?) como “monte santo”. Não havendo nenhuma palavra de Cristo contra a existência de lugares santos, os apóstolos continuam, sob a inspiração do Espírito, a trata-los como santos. Esses lugares são reconhecidos como santos porque Deus se manifestou neles de maneira poderosa e especial. “Pois quando o Senhor vem, sendo ele a fonte de toda a santidade, ele torna santas todas as coisas pelo perfume da sua presença.” (João Calvino)

Não apenas lugares, mas também objetos podem ser alvos da bênção divina. A comida é santificada pela oração/berakah pronunciada sobre ela (1Tm. 4:5), e o exemplo máximo disso é bênção pronunciada sobre os elementos da Eucaristia, “o cálice da bênção que abençoamos” (1Co. 10:16).

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4. No Juízo Final, nosso destino tem a ver com nossas obras.

“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.” (João 5:28-29)

“Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.” (Romanos 2:5-8)

Talvez tenha a ver com uma compreensão equivocada e unilateral da justificação pela fé, assim como com uma desatenção para com credos e confissões históricos, mas me parece que o grande responsável pelo desaparecimento do Juízo Final em grande parte da pregação evangélica seja o aparecimento do dispensacionalismo no século XIX, com o seu “arrebatamento secreto” e a estranha doutrina dos “galardões”. Afinal, o “arrebatamento secreto” torna o Juízo Final inteiramente dispensável e inútil para o cristão mesmo porque os textos usados para falar desse arrebatamento tratam, na realidade, sobre o Juízo Final. Já a doutrina dos galardões muda a recompensa das boas obras dos cristãos: ela deixa de ser a vida eterna (como é na Escritura) e passa a ser qualquer outra coisa.

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5. Deus prefere os pobres (e você pode ser pobre também).

“Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação.” (Lucas 6:20,24)

“Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?” (Tiago 2:5)

Por toda a Sagrada Escritura aprendemos como Deus protege os pobres e os mais necessitados, como ele é “pai dos órfãos” (Sl. 68:5), como ele “escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1Co. 1:27), e “ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes” (Dt. 10:18). A compaixão de Deus guarda aqueles de quem o mundo descuida, e nós devemos ser parte dessa ação generosa — isso deve ser um dos objetivos do nosso trabalho (2Co. 9:8-10; Ef. 4:28). Mas essa compaixão envolve também uma dimensão mais profunda, quanto à fé e à salvação: Deus escolheu os pobres do mundo para serem ricos na fé, e, por isso, deles é o reino de Deus. A versão do Evangelho de Mateus do dito de Lc. 6:20 nos lembra, porém, que todos nós devemos ser pobres de espírito (Mt. 5:3).

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6. O fim da salvação não é sair da terra e ir para o céu.

“Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça.” (2 Pedro 3:13)

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.” (Apocalipse 21:1-3)

O fim da salvação não é sair da terra e morar no céu, mas viver eternamente com Deus em novos céus e nova terra. Por isso, o Senhor nos ensinou a orar dizendo: “Venha o teu Reino”. É verdade que aqueles que morrem em Cristo estarão com ele no paraíso após a morte (Fp. 1:20-24); entretanto, o destino final de Deus para nós não é uma vida “desencarnada” e puramente espiritual. Deus nos criou como criaturas cuja identidade inclui uma corporeidade humano, e, por isso, o destino final de nossas almas é a vida plena com Deus quando formos ressuscitados, e então viveremos com ele definitivamente em novos céus e nova terra, quando a cidade de Deus descer até este mundo. A ressurreição da carne sempre foi e será um artigo de fé, crido e pregado pelos cristãos de todo o mundo, mas a ênfase nem sempre esteve nessa ressurreição.

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7. Quando você peca, quem fala é sua consciência, não o Espírito Santo.

“Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens.” (Atos 24:16)

“Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,” (Romanos 2:15)

Quando estamos prestes a pecar, ou mesmo depois de pecarmos, não é o Espírito Santo que nos “adverte”. É nossa própria consciência, uma sensibilidade moral que compartilhamos e que deve ser treinada para discernir o bem e o mal (Hb. 5:14). Por isso também, é verdade que nem sempre somos “advertidos” após pecar; pois nem sempre sabemos ou percebemos que certa atitude é pecado: “em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor.” (1Co. 4:4). Por outro lado, violar a consciência é sempre pecado (Rm. 14:14,22-23), mesmo que o Espírito Santo não condene tal atitude em si mesma, como no caso dos primeiros cristãos que se julgavam culpados por comerem alimentos sacrificados a ídolos. Sempre devemos obedecer à nossa consciência moral, pois ela é simplesmente a sensibilidade que nós temos da justiça, do bem e da verdade.

É claro que não se deve exagerar essa separação, pois, se temos o Espírito Santo e ele age em nós, restaurando nossas faculdades maculadas pelo pecado e nos dirigindo à vida de santificação, é claro que ele age também através de nossa consciência. Mas nem tudo o que nossa consciência nos diz é realmente a voz do Espírito, e não devemos pensar que o silêncio da consciência é uma confirmação do Espírito.

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8. Persuasão é parte da conversão.

“E todos os sábados discorria na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos.” (Atos 18:4)

“E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus; e espero que também a vossa consciência nos reconheça.” (2 Coríntios 5:11)

Esta aqui também tem a ver com o Espírito Santo. A alegação comum é de que, como a conversão envolve uma ação do Espírito Santo sobre os corações ou uma interação entre o Espírito Santo e os corações, tanto faz , não é nosso papel “converter” ninguém, e, por isso, não precisamos tentar “persuadir” as pessoas.

A alegação parece piedosa, mas é falsa, e não é nada mais que uma desculpa para nossa própria inaptidão ou desleixo. É verdade que o Espírito Santo age no coração das pessoas fazendo-as atentar para a palavra e conduzindo-as à conversão. Mas também é verdade que nós somos instrumentos de Deus para levar outras pessoas à conversão e à salvação; aliás, devemos converter outras pessoas do caminho do erro das trevas (Tg. 5:19-20; cf. At. 26:28). E isso envolve a persuasão, como tantas vezes vemos na prática apostólica do livro dos Atos. Isso não significa, é claro, que a persuasão seja suficiente, mas talvez possamos dizer que em toda conversão, alguma medida de persuasão estará sempre presente.

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9. As esmolas são praticamente tão importantes quanto a oração (sem substituí-la), e aumentam nossa conta nos céus.

“Antes, dai esmola do que tiverdes, e tudo vos será limpo.” (Lc. 11:41)

“E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.” (Lc. 14:14)

Cristo coloca a esmola ao lado das orações e do jejum no seu ensinamento sobre nossas práticas espirituais (Mt. 6), e a coleta pelos pobres constituiu grande parte do projeto missionário do apóstolo Paulo. Quando trata de nossas esmolas, da beneficência e generosidade demonstrada para com os necessitados, o Novo Testamento usa uma linguagem que pode nos parecer pender para a barganha: aqueles que dão esmola em segredo serão recompensados (Mt. 6:2-4), isso nos traz um tesouro nos céus (Lc. 12:33-34; 18:22), isso aumenta nossa conta (Fp. 4:17). Mas tudo isso expressa a suprema justiça da compaixão divina: “O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.” (Pv. 21:13). É verdade, também, que a prática bíblica das esmolas não se limita a dar alguns trocados e sobras.

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10. Maria é mãe do Senhor, Theotókos.

“Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1:41-43)

Quando Isabel, movida pelo Espírito Santo e sem qualquer revelação prévia conhecida, reconhece que o bebê no ventre da virgem Maria é o seu Senhor — e seu único Senhor só poderia ser, até aquele momento, o Deus de Israel —, suas palavras inspiradas só podem significa uma coisa: Maria é mãe de Deus. Isso não implica qualquer autoridade de Maria sobre Deus — isso seria blasfêmia —, mas indica de maneira plena que não há dois cristos (o “Cristo humano” e o “Cristo Deus” dos evangélicos nestorianos), mas um só e mesmo Cristo em unidade pessoal indissolúvel e de plena “posse” de duas naturezas, sendo Cristo ao mesmo tempo Deus e homem, no sentido mais pleno dessas palavras.

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Rev. Gyordano M. Brasilino

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