A Culpa e a Morte

Madalena Penitente (1796), Canova

A culpa afeta toda a humanidade, mas não afeta cada pessoa igualmente. Existem pessoas, de fato, sem culpa, como crianças muito pequenas e deficientes mentais. Aquilo que chamamos de culpa (no sentido de ‘merecimento de punição’) é associado a certo envolvimento pessoal (conhecimento e vontade), e diminui quando há certa ignorância inocente (Jo 9:41; 15:22); assim, o conhecimento torna indesculpável (Rm 1:20), o que só faz sentido se a ignorância torna, em alguma medida, inculpável.

Diante disso, se achamos que o problema principal do homem for a culpa, entramos num dilema: ou dizemos que só algumas pessoas precisam de salvação (pois só alguns são culpados), e portanto minamos a necessidade de Cristo; ou damos algum jeito de dizer que todo ser humano é culpado mesmo (culpa herdada). A salvação, nesses termos, é fundamentalmente jurídica: a culpa jurídica (como ‘merecimento de punição’) provoca uma consequência jurídica (condenação), então Cristo aparece como solução jurídica.

Na verdade, a solução é diferente: a culpa não é o problema principal do homem, precisamente porque nem todos são culpados. A culpa é um sintoma de uma realidade espiritual mais profunda, de um desligamento do homem com Deus, de uma desordem e mortalidade que procuram afetar a todos nós. Só isso pode explicar a necessidade de salvação para todos.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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