O Descenso de Cristo ao Hades

Na época da Reforma, muitos reformados assumiram uma posição que deveriam mudar, com respeito à Descida de Cristo ao Hades — basicamente negaram essa descida como um evento literal, desmitologizaram o evento.

Os anglicanos e luteranos (com algumas diferenças) preservaram a doutrina mais histórica do Descenso. Corrigir essa posição não causaria nenhum dano à doutrina dos reformados e, por outro lado, traria vários benefícios:

(1) A profundidade da Encarnação. Cristo não se identificou apenas com os vivos, mas com os mortos, não só na condição de estar morto, mas no destino comum das almas no mundo antigo: a morte é o seu pastor.

(2) A alma humana de Cristo. Sendo a morte a separação entre corpo e alma, se Cristo desceu ao Hades, isso significa que ele tinha uma alma humana.

(3) A primazia de Cristo. Se tirarmos dos nossos olhos por um instante as belas imagens que povoam o imaginário cristão, a essência da doutrina da Descida é a de que os antigos não tinham a visão de Deus após a morte, e Cristo (ele mesmo Deus) foi até eles para libertá-los. Portanto, para os antigos, Cristo abriu as portas do Paraíso.

(4) A forma narrativa da Redenção. As Escrituras não ensinam nossa redenção como uma teoria abstrata, mas como uma narrativa dramática. Assim, o modo como a obra de Cristo afeta os antigos não é através de uma “aplicação” abstrata (tratando a obra de Cristo como atemporal), mas concreta: ele vai até eles e realiza neles a redenção.

(5) A vitória de Cristo sobre os poderes das trevas. Como São Paulo nos ensina, foi para isto que Cristo morreu e ressuscitou: para ser Senhor de vivos e mortos. Cristo conquistou o inimigo terrível, ele possui as chaves da Morte e do Hades, que ele usa, não para reter, mas para libertar. Algo precioso da vitória de Cristo se perde se ele não invadiu o império do diabo, daquele que detinha o poder da morte.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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