Salvação no Natal ou na Páscoa?

A oscilação litúrgica entre o Natal (manifestação da Encarnação) e a Páscoa (vitória sobre o pecado e a morte) nos dirige a duas dimensões de nossa própria salvação. Uma é a cura de nossa natureza, ferida pelo pecado. A outra é a elevação dessa mesma natureza, já curada, à vida de Deus.

A Encarnação do Verbo, como a assunção da natureza humana perfeita, é salvífica. Pois ela é, desde o começo, sem o abandono da plenitude da divindade, uma sujeição às condições da criatura finita, uma paixão antes da Paixão. Cristo curou cada dimensão da humanidade que ele assumiu e recapitulou. É por essa união entre as naturezas do Senhor que nossa própria humanidade, em união com ele, é habitada pela vida de Deus, da qual estávamos afastados pelos pecados. A humanidade de Cristo é, por isso, auto-humilhação e auto-entrega desde o começo — não poderia ser diferente aquele que é Amor. Tudo está na Encarnação e no Natal, de certo modo.

Nada obstante, essa Encarnação é orientada à Paixão — na qual nossos pecados e dominadores são vencidos — , já que é da natureza do Amor Encarnado se entregar e é da natureza do mundo rejeitá-lo. Dois textos que mostram essa orientação de modo belo são:

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto… Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.” (João 12:24,31–33)

Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles… Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.” (Hebreus 2:10,14–15)

Rev. Gyordano M. Brasilino

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