Horizonte (poema)

O Amor é o fim do desejo.
O desejo acaba no Amor consumado,
por isso busca o Amor,
capaz de satisfazer todo o desejo.
Não os amores, mas o Amor.
Pois o Amor nunca acaba,
então o desejo finda no Amor
que nunca finda,
que nunca pode ser agarrado e dominado,
mas apenas gentilmente abraçado.
Os olhos se voltam para os horizontes,
mas o coração só reconhece um horizonte
— uma ilha distante,
uma montanha secreta que toca os céus,
um baú escondido entreaberto,
uma árvore imensa,
atravessando, num lampejo,
o pensamento desapercebido.
Então o desejo é afirmado e é negado,
sua afirmação é sua negação,
seu não é seu sim,
pois só deve aceitar o que leve ao Amor,
só pode aceitar o Para Onde
que não pode ser encontrado
e que está por toda parte.
Qualquer outro bem que não o Amor
será infinitamente enganador.
O desejo é a finitude infindável do coração.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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