Incondicional ou condicional? O perdão transformador de Deus.

Eu sinto afinidade tanto com as pessoas que dizem que a misericórdia de Deus é incondicional como com aquelas que dizem que ela é condicional.

Com certeza, a misericórdia de Deus é incongruente e desproporcional a qualquer coisa que haja em nós, e nos encontra em todas as formas da nossa miséria humana — em nossa debilidade, vulnerabilidade, pobreza, fraqueza, ignorância, prisão, pecado. Essa misericórdia é a essência divina eterna agindo em nosso favor e benefício, suas “entranhas de misericórdia”. A bondade de Deus alcança mesmo os ingratos, ou seja, aqueles que não correspondem a ela.

Por isso, erram aqueles que dizem a misericórdia de Deus foi de algum modo comprada pela morte de Cristo. Não, essa misericórdia é eterna, nós fomos criados por misericórdia — só um Deus infinitamente misericordioso estaria disposto a nos criar.

Por outro lado, a Escritura diz muito sobre como Deus perdoa os que perdoam, e não perdoa os que não perdoam, de como ele é misericordioso com os misericordiosos e bom para com os bons, de como ele dá graça aos humildes e justiça aos puros de coração, de como ele nos purifica dos nossos pecados quando os confessamos e deixamos.

Essas condições também são esquecidas por aqueles que acham que nosso perdão foi de algum modo “comprado” por Jesus. “Já foi pago” é o mantra de quem acha que não deve fazer nada.

Essas condições existem porque elas estão na essência do que o perdão é. O perdão divino não é mera “impunidade”. Ele é reconciliação, a restauração da criatura à comunhão divina, e, nesse sentido, só pode existir se a comunhão for realmente comunhão. Elas existem como condições da perspectiva da criatura que coopera com Deus, mas, da perspectiva do Deus que se doa em infinita misericórdia, não são condições.

Não é algo como: “Eu só posso lhe perdoar se você fizer isto e aquilo”. Mas sim com: “Eu vou lhe perdoar, e isso significa que isto e aquilo devem acontecer com você”.

Isso significa que, quando abrimos mão do orgulho ferido para perdoar nossos ofensores, quando ignoramos nosso senso de posse diante dos nossos devedores, quando deixamos de lado a vergonha causada pelos nossos humilhadores, quando deixamos de lado a ira como reação de autoproteção, quando tratamos com compaixão aquele que precisa de compaixão, quando doamos aquilo que queremos para nós mesmos — em suma, quando abrimos mão de todas as paixões que nos impedem de perdoar e amar —, nosso coração se abre para a cura da graça.

Essa cura é o perdão de Deus, colocando em ordem o nosso coração. O perdão de Deus é transformação.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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