Idolatria não é o que você está pensando

Há dois erros comuns quanto ao pecado da idolatria. Os dois envolvem algum tipo de generalização ou desliteralização desse pecado.

O primeiro erro é confundir qualquer amor ou desejo excessivo com idolatria. Uma pessoa valoriza os bens, a comida, a bebida, o sexo ou outras pessoas de maneira excessiva ou doentia, e alguém conclui que isso seja idolatria. Não chamamos os famosos de “ídolos”? Não falamos do “alcoólatra”? É uma identificação comum.

Esses excessos são pecaminosos, mas eles não são idolatria, e identificá-los com a idolatria é perder o que cada um tem de característico, a maneira própria de cada um nos atrair e afetar nossa alma. Alguns deles podem ser equiparados à idolatria, como é o caso da avareza (Ef 5:5; Cl 3:5); mas note-se que, numa lista de pecados, só um é equiparado à idolatria, o que não é irrelevante.

A idolatria é um tipo de adoração, e nem todo amor excessivo é assim. Por exemplo, a adoração envolve um reconhecimento (gratuito ou interessado) da grandeza do objeto adorado; nem todo amor excessivo é assim.

O segundo erro consiste em tratar a idolatria como “colocar qualquer coisa no lugar de Deus”, ou coisa semelhante. Isso é comum e, em situações normais, nas quais não se exija uma definição precisa, é aceitável.

Mas não é uma explicação exata. Na verdade, não é possível colocar outras coisas no lugar de Deus, porque não é possível amar qualquer outro objeto com todo o coração, alma, entendimento e forças — não é possível dar a qualquer outro objeto o mesmo culto de que Deus é digno, na mesma intensidade.

O amor com que nos dirigimos a Deus só é possível pela graça, não pelas forças naturais — só é possível pelo poder infinito de Deus. Por isso também, não é possível amar qualquer outra coisa com esse mesmo amor, porque nada, por mais sedutor que seja, é capaz de atrair nossa atenção com a mesma força.

As criaturas esgotam nossas forças e não são capazes de nos dar a satisfação infinita que Deus dá, por isso jamais são igualmente amáveis. A idolatria, o culto a ídolos, envolve sempre um amor parcial, pois os ídolos têm sempre defeitos e parcialidade, eles não têm completude, e a lida com eles é sempre a lida com objetos finitos, limitados.

A melhor maneira de definir a idolatria é como o oferecimento do culto divino às criaturas.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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