Se os mártires morreram alegres, por que Cristo se entristeceu com a morte?

Alguém me fez essa pergunta. É comum que as pessoas que acreditam que Cristo teve “separação espiritual” com o Pai usem a tristeza de Cristo como indício disso. É um argumento antigo, usamos também pelos arianos na Antiguidade.

No entanto, tudo o que os textos bíblicos dizem a esse respeito é quanto à morte: “profundamente até à morte” (Mc 14:34), “com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte” (Hb 5:7). A leitura mais óbvia dos textos é que se trata do temor da morte (timor mortis).

Na morte de Cristo, existe uma dualidade. Enquanto vários textos bíblicos sinalizam que ele se entregou voluntariamente, e ninguém tomou a sua vida, ao contrário ele mesmo se deu a Deus — portanto que o sacrifício por nós era seu desejo —, por outro lado outros textos mostram que ele não queria morrer. É da natureza humana não desejar a morte, não há pecado ou tentação nisso a priori, e, no caso de Cristo, a tristeza é agravada pela compaixão dele pelos pecadores.

Um exemplo de texto em que se pode ver a angústia causada pela compaixão, isto é, pela tristeza que os pecados dos seus “inimigos” lhe trouxeram: “Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá.” João 13:21

Essa dualidade existe nos santos também. Por um lado, eles desejam alegremente se unir a Cristo através da participação nos seus sofrimentos — isso é crucial, pois eles desejam passar pelo menos que Cristo passou, o que seria absurdo se Cristo estivesse passando por um sofrimento exclusivo. Mas, por outro, eles não desejam a morte em si mesma (Santo Atanásio fugiu de morrer), e lamentam por seus perseguidores.

Alguns pais da Igreja sinalizam o fato de que esse temor, em Cristo, não se origina nele, mas em nós. Ele entra na natureza humana para curá-la, então ele participa dos nossos sentimentos de tristeza e temor da morte. Com isso, ele nos mostrou o seu caminho para lidar com temores e ansiedades: a oração.

Um fato intrigante é o modo como o desleixo dos apóstolos é visto em termos escatológicos.

“É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie. Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo. O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!” Marcos 13:34–37

“Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes… Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Marcos 14:30,37–38

A tentação de Pedro (o porteiro) e dos apóstolos era um sinal da história da igreja, de como viria o sono, a tentação escatológica, e de como isso trazia angústia ao coração de Jesus. Essa leitura paradigmática e arquetípica dessa narrativa fortalece a ideia de que Cristo não está angustiado ali apenas por si, mas por nós, particularmente pelos seus mártires.

Rev. Gyordano M. Brasilino

A Epifania do Senhor e os Reis-Magos

Hoje, 6 de janeiro, é o dia da Epifania do Senhor, o momento em que “uns magos” foram honrar o menino Jesus, o Rei dos judeus, que havia nascido. O significado desse dia se torna mais forte quando entendemos por que, ao menos no Ocidente, eles foram identificados como reis e como três.

Na antiga profecia hebreia, reis gentios viriam trazendo presentes e tributos, inclusive ouro, incenso e adoração (Sl 68:28–29; 72:10—11; Is 49:7; 60:3,6). Eles vieram a Jerusalém “para adorá-lo” (Mt 2:2), isto é, para se curvarem diante dele como seus tributários. A chegada dos reis-magos sinaliza, por isso, a luz do mundo atraindo os gentios à salvação. Ela representa uma tardia hospitalidade ao Rei de Israel, enquanto, em sua própria nação, os sinais dos tempos não eram percebidos.

O Evangelho nos diz que eram “uns magos”, então eram, no mínimo, dois ou três, e, provavelmente, não muitos, já que os presentes foram apenas três — a menos que houvesse repetição nos presentes, seria desonroso que muitos levassem apenas alguns presentes. Mas esse número de três se liga tipologicamente a outras histórias do Antigo Testamento, como os três valentes de Davi que foram até Belém, quando ela estava sob o domínio estrangeiro, para buscar a água preciosa para o rei — água que depois é rejeitada pelo rei e derramada em sacrifício.

Tradicionalmente, os três magos aparecem como sendo de três nações diferentes, um um negro, um branco e um asiático, recordando os três filhos de Noé que, na narrativa do Gênesis, teriam dado origem a todos os povos do mundo. Nesse símbolismo está, ao mesmo tempo, a igualdade entre eles, sua grandeza comum, e também o reconhecimento comum do Rei dos reis.

Os reis da terra, no Salmo 2, se unem contra Cristo, como vemos acontecer no Apocalipse (19:9), mas ali eles são exortados a “beijarem o Filho”. No Apocalipse, o cenário muda e vemos que “os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra” (Ap 21:24). A chegada dos reis magos é só um pequeno sinal dessa esperança final da paz universal sob o Ungido de Deus. Por isso, a Epifania é a festa da esperança da salvação para todos os povos. Ele é o Rei dos reis, “o Esperado das Nações” (Gn 49:10 LXX), “em seu nome os gentios confiarão” (Is 42:4).

Por isso, o mistério profundo da Epifania é, ao mesmo tempo, o cuidado de Deus para com todos os povos da terra, e o modo como todos os povos, sem saber, desejam e esperam o Cristo de Israel. Ele é a satisfação de todo o desejo.

“As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu. A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e de Efa; todos virão de Sabá; trarão ouro e incenso e publicarão os louvores do Senhor.”
Isaías 60:3,6

Rev. Gyordano M. Brasilino

Um Messias divino no Antigo Testamento?

Sim, porém… mais ou menos.

Há várias coisas no AT que se unem para formar a imagem do que nós HOJE somos capazes de identificar como um Messias-Deus. Não existe um texto que diga explicitamente que o Messias é Deus — na verdade, a própria figura do Messias aparece em pouquíssimos lugares no AT. Mas há coisas que sutilmente, lidas de certa forma, apontam nessa direção.

1. Binitarianismo. Os especialistas identificam no AT um dualismo divino que geralmente é chamado de “binitarianismo” — mas num sentido diferente do trinitarianismo — ou, como os rabinos da Antiguidade chamavam (e rejeitavam), os “Dois Poderes no Céu”. A ideia basicamente é de que havia um culto duplo a Javé e ao Anjo de Javé, que carrega o seu nome (“o meu nome está nele”, Êx 23:21). Como teofanias, os cristãos identificaram o Anjo de Javé como sendo o Verbo de Deus. A versão oficial do judaísmo rabínico suprimiu essa doutrina como sendo uma “heresia” (minim). Isso é importante para mostrar o quão amplas podiam ser as concepções de Deus no Antigo Testamento, muito diferentes de um “monoteísmo estrito”.

2. A visitação de Javé. Há vários textos no AT, particularmente nos profetas (há um caso importante em Levítico 26), em que se fala de uma visitação que Javé faria ao seu povo, trazendo sua presença e habitando entre eles. Essa vinda de Javé é tratada messianicamente (em sentido amplo) no AT, embora o próprio Messias não seja mencionado. Por exemplo: “Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor.” (Zacarias 2:10). Essa noção é bastante explorada pelo Evangelho de Lucas: como eu gosto de dizer, Lucas não tem uma doutrina da Encarnação; ele tem uma doutrina da Visitação.

3. A figura do Filho do homem apocalíptico. O caso mais importante é Daniel 7, mas a imagem é bastante desenvolvida na literatura apócrifa (como 1 Enoque). O Filho do homem é uma figura que reina (como o Messias) e, ao mesmo tempo, tem características divinas — por exemplo, a expressão “eis que vinha com as nuvens do céu” (Dn 7:13) sempre indica Deus no AT.

4. O culto ao rei. Assim como um Faraó, o rei de Israel era cultuado pelo povo como um filho de Deus: “…inclinaram-se e prostraram-se perante o Senhor e perante o rei.” (1Cr 29:20). Isso se conecta com as teofanias porque o rei era, assim como o anjo, um representante sacerdotal de Deus. Alguns textos, como o Salmo 110 e o bloco final de Ezequiel (sobre o Templo), falam mais detidamente do papel sacerdotal do rei. Isso é importante porque o Messias é o sucessor e continuador da linhagem dos reis de Judá.

Rev. Gyordano M. Brasilino

O que é a Expiação?

No Gólgota, havia dois ladrões, cada um de um lado de Jesus, recebendo o mesmo suplício que ele. Assim como eles, milhares de pessoas foram crucificadas no Império Romano. A morte de nenhuma dessas pessoas tem o poder redentor, mesmo sendo o mesmo tipo de morte. O que torna a morte de Cristo diferente? O que faz com que ela seja redentora? O que havia de diferente naqueles sofrimentos?

Com certeza aquele não foi o primeiro ato de injustiça cometido numa crucificação. Inocentes foram mortos antes e outros o foram depois. No entanto, um dos documentos cristãos mais antigos que temos, o hino crístico de Filipenses 2:5-11, aponta uma das primeiras interpretações teológicas da morte de Cristo: ele foi obediente até à morte de cruz (a mais abjeta) e, por isso, Deus o exaltou dando-lhes um nome acima de qualquer outro, para que todos o confessem como Senhor.

A obediência Cristo é recompensada com um prêmio. O humilhado é exaltado. Como em Daniel 7, isso significa que o tirano é deposto no Concílio Divino. Isso está na essência do querigma: Cristo entraria na glória através do sofrimento (Lc 24:26; Hb 12:2; 1Pe 1:11), da mesma maneira que ele nos ensina a fazer. Ele venceu e, com isso, pode abrir o Livro da Vida (Ap 5:9-10).

Ao tomar sobre si essas dores, particularmente a cruz romana, Cristo estava sofrendo nas mãos do Quarto Império, em conformidade com a profecia, tudo em razão do castigo de Israel pronunciado por Jeremias. O sofrimento de Cristo é uma continuação e o ápice do Cativeiro Babilônico. Como o representante do Servo de Javé (Israel) de Isaías 53, Cristo sofre nas mãos dos gentios. Nele, todo o castigo de Israel é consumado.

Mas se Cristo sofre o castigo de Israel nas mãos de Israel, isso significa o fim da Antigo Aliança. O Deus de Israel é morto por Israel nas mãos dos gentios. O fim da aliança significa o fim do domínio do escrito de dívida que é a Torá (Cl 2:14-15), e, com isso, a salvação é aberta para o mundo todo, para aqueles que estão fora da Torá. Cristo se faz maldição (não maldito!) para que, com isso, a benção de Deus possa passar aos gentios (Gl 3:13-14). Ele é rejeitado pelos homens para que eles sejam abraçados por Deus. Em Gálatas 3 (todo o capítulo), essa bênção prometida é a justificação pela fé — ou seja, o recebimento do Espírito Santo, a Nova Vida escatológica (cf. At 2:32-33). Em suma, com sua morte, Cristo derrama o Espírito sobre o mundo, rompendo as barreiras nacionais colocadas (temporariamente) pela Torá. Somente Cristo poderia fazer isso, pois nenhum outro israelita é o Deus de Israel.

Se o domínio da Torá termina, perdem seu poder os Arcontes Elementais do Mundo (ta stoicheia tou kosmou), que a usavam para dividir e dominar. Cristo instaura a nova era, que não é a dos anjos (Hb 2:5), mas a do Filho do homem. Sua morte é, portanto, uma vitória libertadora, um grande exorcismo do mundo, um livramento dos cativos: Christus Victor. Tudo isso já havia iniciado quando Cristo curou os oprimidos do diabo e exorcisou os homens — sua missão é batalha espiritual, o poder do Espírito é sinal da chegada do Reino escatológico, sua morte é “a hora e o poder das trevas” pela traição de um discípulo endemoniado.

Mas o juízo que Cristo sofre do Sinédrio e de Pilatos é irônico. Ele aparece como o juízo do mundo, pois cabe ao Filho, e não ao Pai, exercer todo o juízo (Jo 5:22,27): Christus Judex. Na cruz, ele expulsa o príncipe deste mundo (Jo 12:31-33), ele anula o poder do diabo (Hb 2:14-15), pois foi para isso que ele se manifestou (1Jo 3:8). Essa é a dimensão apocalíptica de sua obra: a redenção (alforria) é justificação, e a justificação é Deus colocando ordem no mundo.

Na raiz de todo o problema está o pecado: a desordem maligna que invade a bela criação de Deus. Pois o pecado não é só uma violação ou ofensa, mas corrupção, destruição. O Messias é o médico que vem aos pecadores para curá-los pelo arrependimento escatológico: Christus Medicus. Sua obra redentora aplica a justiça restaurativa e medicinal (não meramente punitiva) de Deus.

Em tudo isso, Cristo cumpre não só a vocação de Israel, mas recapitula a vocação de Adão. Ele é o segundo Adão que recupera e supera (com sua obediência) tudo o que foi perdido no primeiro (com sua desobediência); onde abundou o pecado, superabundou a graça. Adão provocou morte; Cristo, vida. No primeiro todos morrem; no segundo todos serão vivificados. Esse é, mais uma vez, o prêmio de sua obediência.

Com isso, Cristo cumpre a missão para a qual os sacrifícios expiatórios da Torá eram meras sombras. Como se descobriu na Era Axial, a essência dos sacrifícios estava no coração contrito (Sl 51:16-17), para o qual o rito exterior do oferecimento dos animais (e outras coisas) eram símbolos. O sangue era a vida (não a morte) oferecida a Deus, intercessoriamente, pela purificação dos homens. Na Lei, “expiar” é “cobrir” — não encobrir culpas, mas cobrir feridas. É o rito de cura (Barker). Cristo, através de sua obediência (fazendo a vontade do Pai), realiza o que os sacrifícios não podiam (Hb 10:2-10). Ele realiza, através de sua obediência, a intercessão que não se podia fazer. Por isso, sua obra não foi concluída na cruz. Ele continua a interceder (Rm 8:34; Hb 7:25; 9:24). Ele conquistou essa intercessão, inclusive pelo envio do Espírito Santo (Jo 14:16).

É nesse sentido que somos reconciliados com Deus. Cristo intercede pelos nosso perdão e nos purifica de toda a corrupção de nossas almas, através da obra contínua Espírito Santo. Todo o sistema de pureza e sacrifício da Lei repousa no princípio de que o impuro não pode adentrar no espaço sagrado e tocar no que é santo — que não se dê as coisas santas aos cães. Não há comunhão de Deus com as trevas. Purificando nossa alma, Cristo nos permite tornar à comunhão. Eis a essência da reconciliação. É nesse sentido que somos perdoados através da morte de Cristo. Não há perdão sem purificação. É somente no sentido de intercessão e purificação que podemos falar de “satisfação”.

Consistentemente, a Escritura sempre ensina que somos reconciliados com Deus, e jamais que ele é reconciliado conosco, ou propiciado em nosso favor. (Tais coisas só fazem sentido como linguagem figurativa.) Pois Deus é imutável, impassível — o Amor imutável, a Compaixão impassível. Todo o problema está em nós, não em Deus; por isso, na redenção, toda a mudança ocorre em nós, não em Deus. Nós retornamos à comunhão com ele, por iniciativa daquele que se assentou com pecadores para curá-los.

A cura que Cristo realiza consiste em fazer habitar nós o seu Espírito, o Espírito de Cristo, que mana do trono de Deus e do Cordeiro, e que nos cristifica e cruciforma. Nesse sentido, os sofrimentos de Cristo não são substitutos — ele não sofreu em nosso lugar em sentido literal —, mas representativos e participativos: ele sofre conosco, em nós, e nós completamos os seus sofrimentos (Cl 1:24). Nós participamos dos sofrimentos do Messias para, com ele, podermos entrar em sua glória (Rm 8:17; 2Co 1:5; Fp 3:10; 2Tm 2:11-12; 1Pe 4:13-14 ).

Nossa transformação consiste em revivermos toda a história de Cristo: renascemos com ele, padecemos com ele, morremos com ele, somos sepultados com ele, com ele revivemos, com ele ascendemos, com ele herdamos o Reino. Somos conformados à Imagem (eikōn, ícone) do Homem Celestial, sendo diariamente glorificados para refletir a sua imagem. Isso não é mero exemplarismo e imitação; é o poder do Crucificado e Ressuscitado habitando nos homens, pela fé, na vida batismal.

Os sofrimentos de Cristo são partilhados por nós: ele não bebeu nosso cálice em nosso lugar, mas nos chama a beber, com ele, do seu cálice; ele não levou sobre si a nossa cruz em nosso lugar (literalmente), mas nos chama a carregarmos a cruz com ele; ele não foi expulso da cidade terrena em nosso lugar, mas abriu a porta para que saiamos com ele, carregando com ele o seu vitupério. Não há substituição aí. Há participação. Tudo isso nos ajuda a entender o que foram os sofrimentos de Cristo na economia da redenção, pois nós participamos deles e sabemos que o que Deus deseja de nós não é o mero sofrimento (sádico), mas a obediência em meio aos sofrimentos. Assim foi também com Cristo.

Com tudo isso, podemos dizer: a obra da redenção não é apenas a cruz, embora ela esteja no centro. A redenção é sua paixão, morte, descenso, ressurreição, ascensão, intercessão e futura parusia. Particularmente sua ressurreição é responsável por nossa justificação (Rm 4:25), ou seja, por nossa libertação do poder da morte, cujos grilhões ele destruiu ao ressurgir vitoriosamente.

Diante dessas coisas, discussões sobre expiação limitada ou ilimitada perdem muito do sua utilidade. Elas fazem algum sentido se nós nós perguntamos se Cristo morreu no lugar de alguém ou pagou o preço de alguém. Mas se Cristo ataca o inimigo, sua obra tem não apenas um potencial universal, mas um efeito universal do qual nenhum ser humano escapará: todos, justos e ímpios, ressuscitarão, uns para a vida, outros para a condenação.

Por sua obra, Cristo realiza o sacrifício que sela a aliança ente Deus e os homens, para que ele seja o seu Deus e eles sejam o seu povo. O sacrifico de Cristo é a eclesiogênese pelo Espírito, é a habitação presente dos poderes do mundo vindouro. A nova aliança está no cálice.

Beba.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Quem é esta?: A Interpretação do Cântico dos Cânticos

 

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As obras de arte têm uma riqueza muito especial, uma certa transcendência natural: o significado da obra se lança sempre para além da intenção do autor. Ainda que seja danoso desprezar essa intenção do autor inteiramente, ela nunca expressa a totalidade da obra, é só uma janela para um mundo diferente. Quando, sob pressão, Varonese mudou o título da sua Última Ceia para Banquete na casa de Levi, ele condicionou significativamente leitura que fazemos da pintura, mas mesmo assim ele não a controla totalmente. Continue lendo “Quem é esta?: A Interpretação do Cântico dos Cânticos”

Cristologia Supralapsária: A Primazia Absoluta de Cristo

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Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Apocalipse 22:13

Quando contemplamos o mundo que nos cerca, em toda a sua beleza, grandeza, ordem e poder, com olhos que enxergam e ouvidos que ouvem, não podemos deixar de notar o sentido transcendente que se nos anuncia e que nos chama a algum lugar. Essa voz ecoa mesmo diante das perplexidades que, no mesmo mundo, se colocam diante de nós — a aflição e o desamparo, a morte e o caos. Se essa voz na Criação revela a presença de uma Realidade Última que dá sentido a todas as coisas e que é o sentido de todas as coisa, por outro lado ela também se mostra um grande enigma, uma grande parábola, um grande mistério. Continue lendo “Cristologia Supralapsária: A Primazia Absoluta de Cristo”

A Simplicidade Divina Absoluta

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“Pois assim como Deus é o Ser infinitamente maior, assim também concordamos que ele é infinitamente o mais belo e excelente: toda a beleza por toda a parte da criação é somente o reflexo dos feixes difusos daquele Ser infinitamente brilhante e glorioso.” Jonathan Edwards, The Nature of True Virtue

“Nuvens e escuridão o rodeiam…” Salmo 97:2

Nada há de concreto neste mundo que sejamos realmente capazes de compreender. Os detalhes e minúcias dos menores fragmentos do mundo escapam da nossa sutileza, a grandeza do Universo excede nossa visão. De fato, não entendemos plenamente nem a nós mesmos, e quase nada dos nossos semelhantes. Continue lendo “A Simplicidade Divina Absoluta”

A Fé Cristã e as Religiões do Mundo

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Em sua morte em 1825, Saint-Simon deixou incompleto um diálogo sobre O Novo Cristianismo, no qual reconstrói a fé cristã segundo as aspirações do Iluminismo, numa proposta não tão diferente da de Kant: a religião se constituiria essencialmente num moralismo da razão pura — uma ética demitizada, burguesa e humanista —, capaz de unir os homens numa nova solidariedade. Diferente de Kant, a proposta do francês não carrega o menosprezo pietista pelo ritual, que acaba aliciado. Continue lendo “A Fé Cristã e as Religiões do Mundo”

Por que Maria é chamada “mãe do meu Senhor” em Lucas 1:43?

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O primeiro capítulo do Evangelho de Lucas é uma das partes mais encantadoras e fascinantes de toda a Sagrada Escritura, por muitos motivos: conta-nos da origem do cristianismo em termos tão íntimos e tão familiares, ao mesmo tempo tão imersos na religião e no messianismo hebreu, e tão únicos se comparados ao restante do Novo Testamento — como a narrativa tão mais abreviada em Mateus 1 —, fazendo, por alguns instantes, adentrar até mesmo a vida interior de Maria, a quem Isabel nomeia “mãe do meu Senhor” (Lc. 1:43). Essas palavras são surpreendentes em todos os sentidos. Continue lendo “Por que Maria é chamada “mãe do meu Senhor” em Lucas 1:43?”

Cordeiro morto antes da fundação do mundo?

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Muitos erros de interpretação são desfeitos se os leitores forem simplesmente mais atentos, e o propósito da Hermenêutica é tornar o leitor mais atento, não só para os detalhes do texto, mas também para a totalidade. A importância da atenção não deveria ser nenhum segredo, especialmente quando falamos da leitura das Sagradas Escrituras, texto que exige de nós tão grande reverência. A atenção que dispensamos ao texto é simplesmente o amor que temos para com aquilo que ali se revela, para com Aquele que ali se revela. Continue lendo “Cordeiro morto antes da fundação do mundo?”