A Igreja é Templo do Espírito. O que isso significa?

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O Novo Testamento nos ensina explicitamente que a Igreja é o Santuário de Deus (2Co 6:16), o Santuário do Espírito Santo (1Co 3:16), a Casa de Deus (Ef 2:21-22; 1Tm 3:15). Embora isso possa ter um aspecto pessoal, na qual os corpos dos cristãos são tratados como esse santuário de Deus (1Co 6:19; cf. Jo 14:23) — assim como o corpo também pode ser casa de demônios (cf. Mt 12:43-45 par.) —, os textos bíblicos, em sua maioria, trazem uma dimensão corporativa à imagem do Templo: a comunidade (“vós”) é um santuário. Quando começou a adorar em “templos” ou “santuários” seus, a Igreja manifestou sua própria natureza interior: a Igreja é um prédio edificado para Deus. O edificador desse prédio é Jesus (Mt 16:18). O prédio “físico” é um símbolo da construção espiritual, aliás, um santuário ainda em construção (1Co 3:9-17; Ef 2:19-22; 1Pe 2:5), ainda não completo.

O que significa dizer que a Igreja é Templo do Espírito Santo? Que implicações isso tem para o modo como vemos e vivenciamos a Igreja? Numa abordagem mais superficial, poderíamos tomar simplesmente o sentido que nos parece ser mais óbvio hoje: a Igreja é o Templo do Espírito Santo, então o Espírito Santo mora na Igreja — o que seria plenamente verdade. Mas, quando o Novo Testamento usa essa imagem, ela sempre traz consequências para o propósito e a vida da Igreja, consequências que estão em plena continuidade com a imagem conceitual que Jesus e seus seguidores, assim como o povo judeu, tinham sobre o Templo. Portanto a única maneira de entender plenamente o sentido dessa linguagem é vislumbrar o propósito e a importância do Templo no Antigo Testamento e na época de Jesus. O que era o Templo para os antigos hebreus?

Em primeiro lugar, é importante notar que, além de katoikētērion (“habitação”), naos (“templo”) e oikos (“casa, família”), o Novo Testamento usa a palavra hagion (“santuário”) para descrever a Igreja. Essa é uma palavra especial, que ajuda a dar sentido a todas as demais. Santuário é o lugar da habitação da santidade divina, o lugar do seu culto. Em certa narrativa bíblica, mesmo quando não havia um templo, o povo israelita tinha como santuário de Deus o Tabernáculo. O Tabernáculo e o Templo são lugares distintos, o temporário e transitório dando lugar ao mais permanente e sólido, mas ambos são santuários dedicados a Deus. O santuário é a casa de Deus, o lugar de sua habitação. Também os santuários politeístas eram casas dos seus deuses (cf. Jz 9:4,27; 1Rs 16:32 etc.). Sobre o santuário de Israel, o Antigo Testamento conta:

Êxodo 25:8-9
“E me farão um santuário [miqdāš], para que eu possa habitar [šāḵan] no meio deles. Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.”

Êxodo 29:43-46
“Ali, virei aos filhos de Israel, para que, por minha glória, sejam santificados, e consagrarei a tenda da congregação e o altar; também santificarei Arão e seus filhos, para que me oficiem como sacerdotes. E habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu Deus. E saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da terra do Egito, para habitar [šāḵan] no meio deles; eu sou o Senhor, seu Deus.”

Deus havia prometido que, num dado momento, habitaria no meio do seu povo novamente (Lv 26:11-12; Zc 2:10-11), o que se realiza em Cristo (cf. Jo 1:14; 2:21) e, através dele, em toda a igreja. A correspondência entre Cristo e o Templo é tão grande que, quando ele está morrendo, o Templo morre com ele — logo antes ou logo depois, a depender do evangelho. Essa continuidade do santuário e transformação dos indivíduos em santuário (naomorfose), no Evangelho de João, se dá através da Eucaristia (6:56) e da obediência do amor (14:23). São práticas que formam a Igreja como santuário.

O Templo era só a sombra da realidade presente. Então a Igreja é mais do que o antigo Templo. Mas certamente não é menos. Diante disso, devemos responder à pergunta: o que significava o Templo para o povo de Israel?

1. O Templo é um lugar de sacrifícios. 1ª Pedro 2:5 ressalta essa dimensão sacrificial, quando aplica a imagem do santuário aos cristãos; é uma casa espiritual para sacrifícios espirituais. No código deuteronômico, os sacrifício mais regulares só podiam ser feitos no Templo, e em nenhum outro lugar da terra (Dt 12). Isso incluía os dízimos, que eram uma modalidade de sacrifício, além de outras ofertas. Por ser um lugar único, provocava as saudades de que lemos nos Salmos 42 e 43. Paulo alude a essa dimensão sacrificial quando escreve:

Romanos 15:15-17
“Entretanto, eu lhes escrevi, em parte mais ousadamente, como para fazer com que vocês se lembrem disso outra vez, por causa da graça que me foi dada por Deus, para que eu seja ministro [leitourgon] de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar [hierourgounta] o evangelho de Deus, de modo que a oferta [he prosphora] deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo. Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus.”

Paulo usa aí uma linguagem sacerdotal, hierática, litúrgica. Seu ministério era sacerdotal: ele era um ministro sacerdotal ou litúrgico, com um trabalho de ministrar sacerdotalmente o evangelho para que, com isso, consagre a Deus as ofertas dos gentios. Ele via esse ministério como um motivo para se gloriar, quanto às coisas divinas. Ele via a oferta que as nações davam para o seu ministério (particularmente para a coleta para os cristãos pobres em Jerusalém) como uma oferta a Deus (cf. Fp 4:18), e ele era o meio pelo qual essa ofertas eram santificadas. Templo é um lugar de sacerdotes. Em outras palavras: os sacrifícios que antes eram entregues aos sacerdotes da Lei agora são entregues ministros sacerdotais cristãos; não diretamente a Deus, mas através de ministros que detêm essa glória ou jactância (kauchēsis). Assim, é natural que vejamos no Novo Testamento as ofertas serem depositadas aos pés dos apóstolos. A Igreja é o Novo Templo, então é lá que entregamos nossas ofertas.

Mais do que isso: o Templo não é só o lugar de sacrifício, e o único lugar legítimo, mas o lugar cujo culto principal consiste em sacrifício. Não custa lembrar: não falamos aqui da Igreja como sinagoga de Deus (lugar de ensino e pregação), mas com o templo de Deus (lugar de sacrifício e adoração). Embora essa distinção não deva ser exagerada no Novo Testamento, uma vez que as celebrações cristãs herdaram tradições estruturais da sinagoga, ela nos diz muito sobre qual deve ser o centro da ação da Igreja.

2. O Templo é um lugar de perdão e purificação. Os antigos israelitas se dirigiam Templo para receberem a expiação por seus pecados e outras impurezas, através dos ritos que ali se realizavam. O Templo absorvia as muitas impurezas do povo (Lv 16). Nesse sentido, os ministros da igreja continuam com a missão de trazer o perdão divino (Jo 20:23; Tg 5:14-15), que ocorre primeiramente através do Batismo (At 2:38), assim como impetrar a misericórdia do alto sobre o povo de Deus. A Igreja é um lugar onde a condição humana de pecado, doença, debilidade, culpa, vergonha e imperfeição é reconhecida e reconciliada com Deus, sendo esse o “ministério da reconciliação” mencionado por Paulo (2Co 5). É e deve ser um lugar de compaixão.

3. O Templo é um lugar sagrado. Por isso, é preciso saber “como convém andar na casa de Deus” (1Tm 3:15). Quem destrói esse lugar sagrado é destruído por Deus (1Co 3:17). Também por isso, a Igreja é um lugar de rituais, como orações, sacramentos e outros sinais. O Templo é sagrado no sentido de que ele pertence a Deus, se remete a Deus; desonrar o que acontece no Templo é desonrar a Deus, como protesta o profeta Malaquias ao reclamar do pão imundo, do descuido com a mesa do Senhor (altar), do animais impróprios, do ensino distorcido. Nesse sentido, a Igreja é sagrada, pertence a Jesus, e tudo que está nela pertence a Jesus de um modo especial, o que exige a devido cuidado na reverência, na ordem, no temor, no zelo. Ao mesmo tempo que é um lugar que reconhece e trata nossas impurezas, é ambiente que exige pureza de coração.

4. O Templo é um lugar de bênção. Deus prometeu abençoar o povo no lugar onde seu nome habitasse (cf. Êx 20:24). Os sacerdotes tinham, portanto, a responsabilidade de transmitir essa bênção ao povo (Lv 9:23; Nm 6:23-27; 2Cr 30:27). Como lemos nos salmos várias vezes, a bênção de Deus flui desde Sião (Jerusalém, a cidade do Santuário) para todo o povo:

14:7; 53:6 “Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel…”

20:2 “Do seu santuário envie socorro e desde Sião te sustenta.”

128:5 “O Senhor te abençoe desde Sião…”

134:3 “De Sião te abençoe o Senhor…”.

Profetas como Ezequiel e Zacarias contemplam a realização disso através das correntes do Espírito Santo transbordando do Templo para todo o mundo. A imagem do templo como manancial de águas procede do simbolismo do Templo como um novo Éden, ou do Éden como um santuário, noção bem arraigada na religião de Israel (cf. Sl 36:7-9; Jr 2:13). Por isso, sentir saudade da presença divina no santuário é o mesmo que sentir sede (Sl 42:1-4; 63:1-2; 84:1-6).

Mesmo com a promessa de Ez 11:16, de que Deus seria, por um tempo, um santuário para os exilados de Israel vivendo na Babilônia e bonitos lugares, os exilados oravam em direção a Jerusalém, como fazia o profeta Daniel (Dn 6:10) e como a oração de dedicação do Templo abençoava (1Rs 8). A benção celestial viria desde Sião, ou seja, através de Sião, como uma porta pela qual a realidade divina invade o mundo.

Se a Terra Santa era o lugar mais sagrado do mundo, Jerusalém era o lugar mais sagrado de Israel — a cidade mais amada por Deus (Sl 87:1) —, e o Templo era o lugar mais sagrado de Jerusalém. Esses ambientes eram os únicos em que Deus podia ser adorado — pois como poderíamos “entoar o canto do Senhor em terra estranha?” (Sl 137:4). Ser desterrado significava praticamente ser entregue a um culto idólatra (Dt 4:27-28; 28:64; 1Sm 26:19; Jr 26:14). Por isso, com a autorização de Eliseu, Naamã transportou terra de Israel para a Síria, para lá prestar o culto ao Senhor (2Rs 5:17). Tudo isso funciona muito bem à luz da geografia sagrada de Dt 32:8-9, texto que, originalmente, ensina que as nações da terra foram entregues ao governo de diversos espíritos poderosos (filhos de Deus) enquanto Israel seria a porção do Senhor.

Diante disso, é perfeitamente compreensível que aquele que é excomungado na Igreja seja, por isso, entregue a Satanás (1Co 5:5; 1Tm 1:20). Ele se coloca fora do culto divino, fora do alcance da benção divina. O Templo é o centro da esfera de domínio régio de Javé — é o seu trono na terra (Jr 3:17; 14:21; 17:12; Ez 43:7). Perder a comunhão com o santuário é ser lançado entre os deuses. É a partir do Templo que Deus reina. Nesse sentido, a Igreja é o reino de Deus. O domínio do Rei e o domínio do Sumo-sacerdote são um só (Sl 110): o domínio de Cristo.

5. O Templo é um lugar de oração. Esse propósito do Templo está em íntima continuidade com todos os anteriores. A oração de dedicação feita por Salomão (1Rs 8), já mencionada acima, encara o Templo como o lugar em que as orações são ouvidas, mesmo para as pessoas que, orando distantes dali, se encurvassem naquela direção. Os salmos exemplificam esse sentimento direcional:

28:2 “Ouve-me… quando erguer as mãos para o teu santuário.”

134:2 “erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor.”

O profeta Isaías fala do Templo como “casa de oração para todos os povos” (56:7), palavras depois repetidas por Cristo (Mc 11:18). Isso significa, consequentemente, que a Igreja, enquanto Templo, é uma comunidade orante; seu propósito de existência tem a ver com a oração, com a ligação dos homens com Deus. Desde o princípio, a vida de oração era partilhada pela Igreja (cf. At 1:13-14; 2:27). De fato, essa celebração da Igreja inclui numa mesma celebração, a terra e os céus (Hb 12:22-24).

6. O Templo é lugar de anjos. O Templo tem uma íntima ligação com as realidades celestiais, em razão de que a Escritura continuamente diz que Deus habita nos céus e que ele habita no Templo; o Templo segue o modelo celestial, como sombra dele (Hb 8:5). O Templo é o lugar onde a glória divina aparece, onde os anjos sobem e descem (cf. Gn 28:12-17; Ec 5:1-6). Em razão disso, todo o Templo era decorado com querubins (1Rs 6). O Templo funciona como lugar de confluência entre a realidade terrestre e a celeste (Is 6), o que é natural, já que, como vimos, o santuário é trono de Deus.

Assim, a Igreja é também lugar de anjos, e, também, detentora das chaves do reino, de modo que pode ligar ou desligar as coisas na terra em comunhão com o céu (Mt 16:19; 18:18-19); a Igreja, enquanto ambiente celestial, está em comunhão com as coisas superiores (Gl 4:26; Hb 12:22-24). É por isso que o Novo Testamento presume várias vezes que estamos certados de anjos: o véu é usado “por causa dos anjos” (1Co 11:10), João abençoava através de anjos (Ap 1:4-5), Paulo conjura diante dos anjos (1Tm 5:21).

7. Lugar de contemplação da face de Deus. Os salmos, e o Antigo Testamento em geral, falam diversas vezes de como o Templo é o lugar onde se podia contemplar a face, a beleza, a majestade, a glória de Javé. Essa dimensão contemplativa incluía o esclarecimento da vontade divina (Sl 73:16-17). Por exemplo:

26:8 “Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa e o lugar onde tua glória assiste.”

27:4 “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.”

63:2 “Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória.

65:4 “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa — o teu santo templo.”

Essa glória era, em parte, ocultada pelo véu que escondia o trono divino, como um “carro” entre os querubins (cf. 1Cr 28:18; Jó 26:9; Sl 80:1; Is 37:16-17). Semelhantemente, Moisés, depois de contemplar a glória divina e reter algo dela, provocando temor nas pessoas, ocultava seu rosto com um véu (Êx 34:29-34). Usando essa história, Paulo fala de como os ministros do evangelho resplandecem, sem temor, uma glória diferente, sendo transformados na imagem do Senhor (2Co 3:18), e de como as mulheres usavam um véu para ocultarem sua própria glória (1Co 11:15). Isso significa também que a Igreja, enquanto Templo, não é apenas um lugar em que se ensina sobre a glória, mas um lugar no qual a glória está presente, um lugar da presença divina. Isso afeta diretamente o modo como vemos, por exemplo, a Mesa do Senhor, a Eucaristia. Se o culto do antigo Templo tinha em si a glória divina, quanto mais o do novo!

8. O Templo é um lugar para todas as nações. O Templo não é só casa de oração, mas casa de oração para todos os povos. Sempre houve o interesse de Deus de que as nações prestassem culto no seu Templo, de que dali procedesse a luz de Deus para todos. Na oração de dedicação, Salomão ora intencionalmente por isso:

1 Reis 8:41-43
Também ao estrangeiro, que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome.

Nesse sentido, a comunidade Igreja-Templo jamais pode estar limitada a um povo, tribo, língua ou nação, nem mesmo a uma congregação. Jamais pode estar presa a privilégios de nação ou província. Ela tem sempre uma dimensão e uma missão universais.

Rev. Gyordano M. Brasilino

O Sacerdócio Ministerial no Novo Testamento

A profecia bíblica do Antigo Testamento nos ensina que haveria um tempo em que Deus faria novos sacerdotes dentro do povo de Deus, como lemos em Isaías 66:21: “Também deles tomarei a alguns para sacerdotes e para levitas, diz o Senhor.” Essa profecia foi escrita num tempo em que havia um sacerdócio organizado, desempenhando certos papeis religiosos, litúrgicos, espirituais, educacionais, sociais. Era o sacerdócio hereditário, o sacerdócio levítico. Era um sacerdócio, naquele período, fechado a qualquer outra pessoa de fora dos nascidos na linhagem sacerdotal.

Mas a profecia indica um tempo em que alguns dentre os israelitas que retornassem dentre as nações seriam selecionados como sacerdotes e levitas. Trata-se aqui de um novo sacerdócio. Não um sacerdócio de toda a nação, pois só alguns seriam escolhidos. Não há como dizer que essa profecia se refere ao chamado “sacerdócio de todos os cristãos” sem fazer violência às palavras do texto. Mas não se trata mais de um sacerdócio hereditário, pois seriam contados por Deus como “levitas” aquele que não eram da tribo de Levi. O que é esse novo sacerdócio? Como se cumpre essa profecia?

A maneira como a tradição cristã viu esse cumprimento é bastante óbvia: trata-se do ministério sacerdotal, desempenhado pelos ministros ordenados da Nova Aliança, de fundamento apostólico. Todas as grandes tradições cristãs anteriores à Reforma Protestante (assírios, católicos romanos, ortodoxos, não-calcedonianos) tratam seus ministros ordenados como sacerdotes; essa noção não foi “inventada” por nenhum desses grupos, pois é compartilhada por todos eles, e vemos essa noção nos Pais da Igreja que servem de inspiração para essas vertentes. Ou seja: o testemunho histórico em favor do sacerdócio é unânime. Algumas comunidades afetadas pela Reforma Protestante, como a Igreja Anglicana, continuaram a chamar os seu ministros de sacerdotes (priests) e referir ao seu papel como sacerdócio (priesthood). Mas isso é só uma questão de tradição, ou podemos observar esse sacerdócio no Novo Testamento?

Um primeiro esclarecimento importante é sobre o que se chama de sacerdócio de todos os cristãos ou sacerdócio batismal (porque recebido quando somos batizados). O Novo Testamento menciona essa noção em alguns momentos (1Pe 2:5-9; Ap 1:6; 5:9-10) e ela foi muito importante na Reforma Protestante, ainda que com divergências quanto a seus limites. O próprio Novo Testamento não nos diz muito sobre até onde vai esse sacerdócio, mas os textos indicam que, ao menos, oferecer certos sacrifícios espirituais e testemunhar da fé são parte desse sacerdócio. Possivelmente esses sacrifícios espirituais incluiriam a confissão do nome de Deus e prática do bem e do compartilhamento (Hb 13:15-16) e a contrição do coração, já conhecida no Antigo Testamento (Sl 51:16-17). Podemos falar aqui da importância da oração, que é prática de todos os cristãos. Porém o Novo Testamento nunca indica, como parte desse sacerdócio, o exercício de papeis litúrgicos ou sacramentais.

De todo modo, se todos os cristãos são sacerdotes, logicamente os ministro da Nova Aliança são também sacerdotes. A pergunta então deve ser, então: eles exercem o mesmo sacerdócio que todos os demais cristãos, sem qualquer diferença, ou têm um sacerdócio particular, algo mais? Há alguma indicação sobre isso nas Escrituras? Pois a existência de um sacerdócio universal não elimina um sacerdócio particular. De fato, os textos do Novo Testamento que mencionam o sacerdócio universal aludem a Êx 19:5-6, um texto do Antigo Testamento que fala de uma missão sacerdotal para todos os israelitas, num tempo em que havia sacerdotes com ordenação e missão específicas, não compartilhadas por todo o povo, como bem monstra a controvérsia com Corá (que é relembrada na Epístola de Judas). Se o sacerdócio universal não eliminava o sacerdócio ministerial no Antigo Testamento, também não eliminaria no Novo.

Há algo importante nesse ponto. Embora nenhum de nós viva sob a Lei de Moisés, é fato que seus princípios continuam sendo válidos para instruir os cristãos (2Tm 3:15-17). Embora não pratiquemos a circuncisão, o dízimo ou o culto do mesmo modo que se fazia no Antigo Testamento, os princípios a respeito dessas coisas continuam válidos e úteis. Assim também, quanto ao sacerdócio. O Novo Testamento não é uma eliminação do Antigo Testamento, mas sua superação honrosa.

É claro que os ministros da Nova Aliança não são chamados explicitamente de “sacerdotes” no Novo Testamento, isto é, não recebem ali esse nome explicitamente. Mas qualquer pessoa instruída minimamente acerca da teologia sistemática e sua história sabe que esse é um argumento muito frágil e insuficiente, muito fraco. Como cansamos de repetir, não negamos a existência da Trindade simplesmente porque “Trindade” não é uma palavra presente no Novo Testamento. As palavras ajudam, mas estamos em busca do significado por trás delas, da realidade a que elas apontam. Então, se não há um texto que diga que os ministros da Nova Aliança são sacerdotes, também não há um texto que diga que não são. O Novo Testamento jamais nega a existência do sacerdócio. Essa questão não está respondida pela presença ou ausência dessa palavra, pela afirmação ou negação.

De fato, o exemplo da Trindade também nos ajuda aqui em termos de método. Parte da demonstração da divindade do Espírito Santo nas Escrituras está em indicar como ele faz coisas divinas e tem coisas divinas, em suma, que ele desempenha um “papel” divino, um papel que cabe a Deus. Com o sacerdócio, dá-se o mesmo. Se observarmos as características e tarefas dos sacerdotes no Antigo Testamento e as compararmos às dos ministros do Novo Testamento, veremos uma grande continuidade. Não se trata de uma identidade total, pois os sacerdotes do Antigo Testamento e os do Novo não são a mesma coisa.

Muitas dessas tarefas não são exclusivas dos sacerdotes. De fato, podemos ver a grande maioria delas ser desempenhada por figuras não identificadas como sacerdotes, particularmente grandes profetas. No entanto, colocadas em conjunto, elas claramente indicam o papel sacerdotal, coisas que os sacerdotes deveriam fazer regularmente, mesmo que outras pessoas o façam esporadicamente. Assim, a pergunta diante de nós é: quando descobrimos a essência do sacerdócio no Antigo Testamento, podemos vê-la no ministério do Novo Testamento de tal modo que seja justificado chamá-lo de “sacerdócio”?

Dentre as funções dos sacerdotes no Antigo Testamento, podemos listar, dentre outras coisas:

Ensinar. Os sacerdotes levíticos eram os professores naturais do povo de Israel, com a função de ensinar toda a nação a obedecer as leis divinas, como aprendemos em vários textos bíblicos (cf. Lv 10:8-11; Dt 24:8; 33:10; Ez 44:21,23; Ml 2:7). Outras pessoas podiam ensinar também, mas eles deviam ensinar. Esse é um papel óbvio dos ministros da Nova Aliança (cf. 1Tm 3:2; 5:17). Quando enviou seus apóstolos pelo mundo, Cristo lhes disse que eles deveriam ensinar as pessoas a guardarem tudo o que ensinou (Mt 28:20). O ensino da obediência é uma função sacerdotal compartilhada pelos ministros da Nova Aliança. (Os texto de Levítico e Ezequiel têm uma recomendação contra bebida forte no ministério que aparece também nas exigências dos ministros em 1Tm 3:3,8.)

Ungir. É muito comum, na Lei, que os sacerdotes unjam as pessoas com óleo. Um exemplo interessante é a unção com azeite dos leprosos, em Lv 14:15-18, uma unção que trazia expiação. Vemos a mesma unção com azeite de um enfermo no Novo Testamento, em Tg 5:13-15, que trazia também perdão de pecados (além de cura física), nas mãos dos presbíteros. Os apóstolos tinham esse costume (cf. Mc 6:13).

Purificar (com água). Vemos os sacerdotes usando água para purificar na Lei (Nm 8:7; cf. Nm 31:23). Os ministros da Nova Aliança, no Novo Testamento, batizam seguindo uma ordem de Jesus (Mt 28:19), trazendo purificação (cf. 1Co 6:11). Quanto a essa purificação batismal, a palavra empregada no Novo Testamento é de que o nome foi “invocado sobre” as pessoas num dado momento (cf. Tg 2:7), o que mostra a função sacerdotal de invocar o nome sobre outras pessoas.

Receber e consagrar as ofertas a Deus. Cabia aos sacerdotes e levitas na Lei receber dízimos, primícias e ofertas (cf. Nm 18:21; Ne 10:37-38; Hb 7:5); é por esse motivo que Abraão entregou o dízimo ao sacerdote Melquisedeque. Vemos o mesmo ocorrer no Novo Testamento. Na igreja nascente, as ofertas eram colocadas aos pés dos apóstolos (At 4:35). Do mesmo modo Paulo fala em Rm 15:16, em termos sacerdotais (leitourgon, hierogounta), de sua missão de consagrar as ofertas dos gentios, para que fossem aceitáveis. Qualquer comunidade que afirmar a necessidade do dízimo mas negar o sacerdócio se contradiz, porque cabe aos sacerdotes receber o dízimo. De fato, assim como os sacerdotes da antiga aliança deveriam viver do que recebiam, também os ministros da Nova Aliança (1Co 9:14).

Ministrar o perdão dos pecados e a expiação. É de amplo conhecimento que os sacerdotes do Antigo Testamento ministravam perdão e expiação, como já vimos. Os ministros do Novo Testamento fazem o mesmo. Cristo deu aos apóstolos a autoridade para perdoar pecados (Jo 20:23), e os presbíteros cristãos fazem o mesmo ungindo com óleo (Tg 5:13-15).

Interceder. O que acabamos de dizer se enquadra dentro de uma função intercessória maior. O sacerdote intercede, roga, suplica pelo povo. Vemos o apóstolo Paulo fazê-lo continuamente em suas cartas.

Cuidar da casa de Deus. Cuidar da casa do Senhor era uma função levítica (cf. Nm 1:53; 3:32; 31:30; 1Cr 23:32). Essa mesma função ocorre no Novo Testamento para os ministros da Nova Aliança (1Tm 3:5). É claro que esse cuidado sobre a casa de Deus agora não se refere ao “prédio”, mas à Igreja enquanto Templo e casa de Deus. De fato, quando dizemos que a Igreja é Templo do Espírito Santo (cf. 1Co 3:16-17), presumimos a existência de um sacerdócio que cuide desse templo.

Realizar sacrifícios. Os sacerdotes consagram sacrifícios, na Lei de Moisés. Podemos dizer que os ministros da Nova Aliança realizam sacrifícios específicos? De fato, a Eucaristia é tratada como um sacrifício no Novo Testamento: em 1Co 10:16-21, a Eucaristia é colocada lado a lado aos sacrifícios da Lei (“Israel segundo a carne”) e os sacrifícios dos gentios; em Hb 13:10, fala-se de comer de um determinado altar, usando uma palavra que presume sacrifício (thysiastērion = “sacrificiatório”). Se a Eucaristia é um sacrifício — não um novo sacrifício, mas o mesmo sacrifício de Cristo, do qual agora comemos —, aqueles ministros que a oficiam (inicialmente os apóstolos) são sacerdotes. Há, porém, uma importante distinção entre os clérigos do Novo Testamento e os do Antigo, ressaltada pela Epístola aos Hebreus: os sacerdotes do Antigo Testamento faziam sacrifícios pelos pecados repetidos e incapazes, em si mesmos, de santificar, enquanto Cristo realizou um sacrifício único e irrepetível.

Julgar e excomungar. Como os levitas faziam separação entre o puro e o impuro (Lv 10:10), eles tinham um papel de vigilância, para separarem o que fosse comum ou impuro. Somente o puro poderia entrar na presença do santo, e os sacerdotes agiam aqui, desse modo. O livro de Esdras testemunha, nos capítulos finais, justamente uma aplicação desse princípio. Isso se dá porque cabia aos sacerdotes exercer juízo (cf. Ez 44:24). Assim também, vemos, no Novo Testamento, a aplicação desse juízo pelos apóstolos e por figuras pastorais como Timóteo (cf. 1Co 5:3-5; 1Tm 5:19).

Conduzir a liturgia. Os sacerdotes conduzem a liturgia no Antigo Testamento com tal frequência que isso dispensa comentários. No Novo Testamento, a oração (comunitária), juntamente com o ministério da palavra, é função apostólica (At 6:4), no que eles têm primazia (At 20:11).

Representar Deus. Em suma, o sacerdote era representante de Deus, ou, nas palavras de Ml 2:7, “mensageiro”, “anjo” do Senhor. De fato, a palavra apóstolo, no contexto do Novo Testamento, indica um “representante” (emissário). Os ministros das sete igrejas do Apocalipse são chamados anjos (angeloi), assim como em Malaquias 2:7.

Sacerdotes levíticos abençoam e invocam o nome do Senhor sobre o povo, ensinam a Palavra de Deus, são ministros de cura física e espiritual (especialmente o perdão), ungem, recebem e administram ofertas, presidem sobre a liturgia e sobre o altar, regem o povo em matéria espiritual e disciplinam a pureza e impureza. Todas essas e outas funções estão presentes no Novo Testamento. Vemos, em tudo isso, que o sacerdote é um representante de Deus com a missão oficial de ajudar as demais a se achegarem a Deus como devem. É exatamente a mesma coisa que faz um ministro da Nova Aliança no Novo Testamento, e é exatamente o mesmo sacerdócio primitivo de Adão: servir (lavrar) e guardar o jardim de Deus. Quando dizemos que um ministro da Nova Aliança é sacerdote, queremos dizer que ele age precisamente com tal função: ser um representante de Deus com a missão oficial de ajudar as demais a se achegarem a Deus como devem. Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, esses ministro são consagrados através de um rito de “ordenação”.

Cristo não aboliu a existência de um sacerdócio especial, pois ele mesmo é um sacerdote, na realidade um sumo sacerdote. O sacerdócio de todos os cristãos não é uma abolição do sacerdócio antigo, mas sua expansão ponto de fato mesmo no Antigo Testamento havia esse sacerdócio universal. Aquilo que nós fazemos hoje como parte do sacerdócio universal era feito no antigo testamento pelos israelitas que eram participantes de um sacerdócio a existência de um sacerdócio universal não elimina o sacerdócio particular e ministerial. Portanto se dizemos que todo cristão é um sacerdote, consequentemente os pastores, por serem cristãos, são sacerdotes também (no sentido mais amplo). A questão é: o sacerdócio que eles exercem é idêntico ao dos demais cristãos, ou se refere a algo mais que eles recebem ministerialmente como função, além daquilo que todo cristão pode e deve realizar? Pelo que mostramos acima, a resposta é a segunda. Existe um sacerdócio cristão ordenado.

O leitor talvez tenha percebido que, o tempo todo, chamei os pastores do Novo Testamentos de “ministros da Nova Aliança”, ecoando uma expressão paulina (2Co 3:6). A palavra “ministro” é, ela mesma, uma palavra que tinha conotações sacerdotais (Is 61:6; Jr 33:21; Ez 45:4-5; Jl 1:9,13 etc), e é especial que Paulo a aplique para os obreiros cristãos, em contraposição aos ministros da Lei.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Por que nem todo mundo pode realizar a Eucaristia?

Santo Inácio de Antioquia, um cristão que foi discípulo de João e se tornou mártir da fé cristã, escreveu o seguinte: “Considerai legítima a eucaristia realizada pelo bispo ou alguém que foi encarregado por ele.” (Aos Esmirniotas, Cap 8). Existe fundamento nas Escrituras para isso? Continue lendo “Por que nem todo mundo pode realizar a Eucaristia?”

A Nova Perspectiva sobre Paulo

Um dos desenvolvimentos mais interessantes e importantes da teologia protestante na segunda metade do século XX é a Nova Perspectiva sobre Paulo, uma proposta de correção de certas leituras da teologia do apóstolo acerca da justificação e temas conexos. De acordo com essa releitura, a doutrina paulina da justificação pela fé não procura responder à pergunta “Como encontramos salvação?”, mas sim “Como sabemos quem é parte da comunidade ou não?”. O debate entre Paulo e seus críticos seria diferente daquele entre Santo Agostinho e seus críticos, ou entre Lutero e seus críticos. Continue lendo “A Nova Perspectiva sobre Paulo”

Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.

“Não apagueis o Espírito.” I Ts. 5:19

O século XX mudou o panorama da cristandade de maneira dramática graças ao surgimento do movimento carismático. O movimento não perdeu seu vigor, embora tenha constantemente se adaptado e mudado de ênfase. Qualquer argumento ou crítica que se faça ao carismatismo não pode ignorar que ele foi uma força poderosa na revitalização de um número incontável de comunidades e a uma vivência mais profunda, viva e fervorosa da fé cristã, assim como a possibilidade de novos modelos de missão. Do ponto de vista teológico e doutrinal, o movimento provoca, mesmo em seus adversários, uma preocupação maior e mais saudável com a reflexão acerca da pessoa e ação do Espírito. Continue lendo “Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.”

Israel e a Igreja

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Um dos problemas centrais no Novo Testamento é a relação entre a Igreja e Israel, entre o povo de Deus no Antigo Testamento e o povo de Deus no Novo. Não é só uma curiosidade escatológica ou eclesiológica; é uma questão eminentemente prática, uma das preocupações fundamentais de textos dos Atos dos Apóstolos e das Cartas Paulinas. A solução desse problema conferiu aos gentios, através da revelação divina, um assento no povo de Deus igual ao dos primeiros convertidos judeus.

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O Pecado do Rebatismo

Melanchthon batizando

Falar sobre rebatismo é falar sobre a minha vida. Eu preparo candidatos ao Santo Batismo, assim como padrinhos e pais, e esse papel me coloca em contato constante com os dilemas e esperanças de muitas pessoas — desejos de vida nova, de rompimento com o pecado e com o passado, de receber a graça divina sobre si. Mesmo quando falta a linguagem adequada para descrever a experiência almejada, e até quando a linguagem está errada, no fundo as pessoas sabem o que é o Batismo. O sinal visível é mais forte que qualquer erro teológico. Continue lendo “O Pecado do Rebatismo”

A União Mística em Cristo

Cristo

Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. I Coríntios 6:17

O Cristianismo é uma religião mística. Enquanto outras religiões têm maior ou menor preocupação com a presença divina aqui e agora, relegada à elite espiritual, à casta dos perfeitos, a mística, a comunhão na vida divina, é o centro do Cristianismo. Mesmo que nem sempre isso não envolva o que possa ser facilmente reconhecido como experiência mística — êxtases, raptos, visões, revelações —, o trilho é aberto a todos os cristãos e exigido de todos eles.  Quem não come a carne e não bebe o sangue não tem a vida. Quem não tem o Espírito de Cristo não lhe pertence. Continue lendo “A União Mística em Cristo”

1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo”

Pentecostes El Greco

“Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;” (Efésios 4:5)

“Pois por aquele Espírito, que nós recebemos no batismo, somos todos unidos em um só corpo.” (John Wesley, Notas Explicativas)

A primeira carta de São Paulo aos Coríntios é um dos escritos mais explosivos das Sagradas Escrituras. Para uma Igreja local adoecida pelo pecado obstinado e maculada pela divisão, o Apóstolo apresenta uma poderosa visão de unidade e santidade. Ela é, ao mesmo tempo, a carta mais carismática, a mais sacramental e a mais eclesiológica do Novo Testamento. Ainda que certamente não tenha sido a primeira carta de Paulo dirigida àquela Igreja (1Co. 5:9), ela mereceu a sobrevivência, e por si mesma justifica as quatro marcas da Igreja conforme o Credo Niceno: Una, Santa, Católica e Apostólica. Continue lendo “1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo””

Sola Ecclesia: Fora da Igreja não há salvação

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“Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador.” (João 10:1)

Cristo é o único caminho de salvação, e ele constituiu a Igreja como seu corpo para levar essa salvação à humanidade. Quando afirmo que fora da Igreja não há salvação, não quero dizer simplesmente que todo salvo é parte da Igreja e, por isso, como que oferecendo a esperança de que aqueles que hoje ainda não são parte da Igreja possam ser após a morte. Mais do que isso, quero dizer que a Igreja é o meio empregado por Cristo para que sua salvação seja conhecida e recebida, e de que ele não nos garantiu nenhum outro meio. Continue lendo “Sola Ecclesia: Fora da Igreja não há salvação”