A Nova Perspectiva sobre Paulo

Um dos desenvolvimentos mais interessantes e importantes da teologia protestante na segunda metade do século XX é a Nova Perspectiva sobre Paulo, uma proposta de correção de certas leituras da teologia do apóstolo acerca da justificação e temas conexos. De acordo com essa releitura, a doutrina paulina da justificação pela fé não procura responder à pergunta “Como encontramos salvação?”, mas sim “Como sabemos quem é parte da comunidade ou não?”. O debate entre Paulo e seus críticos seria diferente daquele entre Santo Agostinho e seus críticos, ou entre Lutero e seus críticos. Continue lendo “A Nova Perspectiva sobre Paulo”

Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.

“Não apagueis o Espírito.” I Ts. 5:19

O século XX mudou o panorama da cristandade de maneira dramática graças ao surgimento do movimento carismático. O movimento não perdeu seu vigor, embora tenha constantemente se adaptado e mudado de ênfase. Qualquer argumento ou crítica que se faça ao carismatismo não pode ignorar que ele foi uma força poderosa na revitalização de um número incontável de comunidades e a uma vivência mais profunda, viva e fervorosa da fé cristã, assim como a possibilidade de novos modelos de missão. Do ponto de vista teológico e doutrinal, o movimento provoca, mesmo em seus adversários, uma preocupação maior e mais saudável com a reflexão acerca da pessoa e ação do Espírito. Continue lendo “Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.”

Israel e a Igreja

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Um dos problemas centrais no Novo Testamento é a relação entre a Igreja e Israel, entre o povo de Deus no Antigo Testamento e o povo de Deus no Novo. Não é só uma curiosidade escatológica ou eclesiológica; é uma questão eminentemente prática, uma das preocupações fundamentais de textos dos Atos dos Apóstolos e das Cartas Paulinas. A solução desse problema conferiu aos gentios, através da revelação divina, um assento no povo de Deus igual ao dos primeiros convertidos judeus.

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O Pecado do Rebatismo

Melanchthon batizando

Falar sobre rebatismo é falar sobre a minha vida. Eu preparo candidatos ao Santo Batismo, assim como padrinhos e pais, e esse papel me coloca em contato constante com os dilemas e esperanças de muitas pessoas — desejos de vida nova, de rompimento com o pecado e com o passado, de receber a graça divina sobre si. Mesmo quando falta a linguagem adequada para descrever a experiência almejada, e até quando a linguagem está errada, no fundo as pessoas sabem o que é o Batismo. O sinal visível é mais forte que qualquer erro teológico. Continue lendo “O Pecado do Rebatismo”

A União Mística em Cristo

Cristo

Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. I Coríntios 6:17

O Cristianismo é uma religião mística. Enquanto outras religiões têm maior ou menor preocupação com a presença divina aqui e agora, relegada à elite espiritual, à casta dos perfeitos, a mística, a comunhão na vida divina, é o centro do Cristianismo. Mesmo que nem sempre isso não envolva o que possa ser facilmente reconhecido como experiência mística — êxtases, raptos, visões, revelações —, o trilho é aberto a todos os cristãos e exigido de todos eles.  Quem não come a carne e não bebe o sangue não tem a vida. Quem não tem o Espírito de Cristo não lhe pertence. Continue lendo “A União Mística em Cristo”

1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo”

Pentecostes El Greco

“Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;” (Efésios 4:5)

“Pois por aquele Espírito, que nós recebemos no batismo, somos todos unidos em um só corpo.” (John Wesley, Notas Explicativas)

A primeira carta de São Paulo aos Coríntios é um dos escritos mais explosivos das Sagradas Escrituras. Para uma Igreja local adoecida pelo pecado obstinado e maculada pela divisão, o Apóstolo apresenta uma poderosa visão de unidade e santidade. Ela é, ao mesmo tempo, a carta mais carismática, a mais sacramental e a mais eclesiológica do Novo Testamento. Ainda que certamente não tenha sido a primeira carta de Paulo dirigida àquela Igreja (1Co. 5:9), ela mereceu a sobrevivência, e por si mesma justifica as quatro marcas da Igreja conforme o Credo Niceno: Una, Santa, Católica e Apostólica. Continue lendo “1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo””

Sola Ecclesia: Fora da Igreja não há salvação

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“Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador.” (João 10:1)

Cristo é o único caminho de salvação, e ele constituiu a Igreja como seu corpo para levar essa salvação à humanidade. Quando afirmo que fora da Igreja não há salvação, não quero dizer simplesmente que todo salvo é parte da Igreja e, por isso, como que oferecendo a esperança de que aqueles que hoje ainda não são parte da Igreja possam ser após a morte. Mais do que isso, quero dizer que a Igreja é o meio empregado por Cristo para que sua salvação seja conhecida e recebida, e de que ele não nos garantiu nenhum outro meio. Continue lendo “Sola Ecclesia: Fora da Igreja não há salvação”

Sacerdócio universal — o que ele não significa

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“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Romanos 15:4)

A doutrina do sacerdócio universal é ao mesmo tempo uma doutrina cheia de gozo e alegria espirituais, e cheia de riscos, se mal entendida — como qualquer outra doutrina. Bem entendida, ela nos diz que todos nós somos servos uns dos outros, que devemos ser a presença de Cristo para outras pessoas, intercedendo por elas, assim apresentando sacrifícios a Deus, uma extensão da missão apostólica para toda a Igreja. Mal entendida, ela é a rejeição da autoridade instituída por Deus, um tipo de igualitarismo espiritual pueril, como a rebelião de Corá, pois “toda a congregação é santa, cada um deles é santo” (Nm. 16:3). Continue lendo “Sacerdócio universal — o que ele não significa”

Jesus aboliu a distinção entre santo e profano?

Dez Leprosos

“A meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano
e o farão discernir entre o imundo e o limpo.”
(Ezequiel 44:23)

“Não deis aos cães as coisas santas,
nem deiteis aos porcos as vossas pérolas,
não aconteça que as pisem com os pés
e, voltando-se, vos despedacem.”
(Mateus 7:6)

A doutrina da separação entre o sagrado e o profano, entre o puro e o impuro, entre o limpo e o imundo, é um dos elementos mais importantes da disciplina da Torá. Ela regulava todo o relacionamento do homem com Deus, o único santo em si mesmo, fonte de toda santidade. Várias vezes, nos livros dos profetas, o povo israelita é repreendido por não ser fiel na observância dessas leis. Continue lendo “Jesus aboliu a distinção entre santo e profano?”

O governo congregacional é bíblico?

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Hoje o costume entre evangélicos é dizer que não existe um “governo bíblico”; a Escritura teria princípios que poderiam ser usados para formular formas diferentes de governo eclesiástico. Do ponto de vista protestante isso é bastante esquisito, porque parece negar a suficiência da Escritura para a vida cristã. Só não estranharia essa opinião quem considerasse o governo eclesiástico como de menor importância para a vida cristã, uma posição que nada tem, ela mesma, de bíblica. Continue lendo “O governo congregacional é bíblico?”