Você acredita na predestinação sem saber

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Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29

Se você é cristão, provavelmente acredita em alguma forma de predestinação, mesmo que não goste da palavra ou não se dê conta. Com isso, quero dizer que certa forma de predestinação está implícita na crença, compartilhada por todos os cristãos, de que Deus criou (e sustenta) o Universo, e que ele sabe de todas as coisas, inclusive o futuro de sua própria Criação. Continue lendo “Você acredita na predestinação sem saber”

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A Beleza está nos olhos de Deus

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Observava nas belezas o Belíssimo e, pelos vestígios impressos nas coisas, perseguia por toda parte o Amado, fazendo de tudo uma escada para si, para subir à apreensão daquele que é todo desejável. — São Boaventura, Legenda Maior Sancti Francisci, IX, 1, 7

A beleza do mundo consiste inteiramente de doces consonâncias mútuas, quer dentro dele mesmo, quer com o ser supremo. Quanto ao mundo corpóreo, embora haja muitas outras formas de consonâncias, ainda assim a sua beleza mais doce e mais encantadora é sua semelhança com as belezas espirituais. A razão é que as belezas espirituais são infinitamente as maiores, e, não sendo os corpos senão sombras de seres, eles são tão mais encantadores quanto mais espelham as belezas espirituais. Essa beleza é peculiar às coisas naturais, ultrapassando a arte dos homens. Jonathan Edwards, A Beleza do Mundo

A modernidade torna o homem a medida de todas as coisas, o centro mesmo do universo. Colocado em um trono que não deveria ocupar e para o qual jamais estaria preparado, de fato um trono ilusório, o homem é incapaz de dar sentido a si mesmo e ao que o cerca, de colocar todas as coisas em uma ordem consistente; a nossa modernidade não é líquida, mas flácida. Privado de Deus e de todos os valores mais altos, o homem se vê também privado de sua própria alma, se vê reduzido a uma máquina, pronta para encarnar quaisquer diferentes finalidades de quem a controla. Continue lendo “A Beleza está nos olhos de Deus”

A Simplicidade Divina Absoluta

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“Pois assim como Deus é o Ser infinitamente maior, assim também concordamos que ele é infinitamente o mais belo e excelente: toda a beleza por toda a parte da criação é somente o reflexo dos feixes difusos daquele Ser infinitamente brilhante e glorioso.” Jonathan Edwards, The Nature of True Virtue

“Nuvens e escuridão o rodeiam…” Salmo 97:2

Nada há de concreto neste mundo que sejamos realmente capazes de compreender. Os detalhes e minúcias dos menores fragmentos do mundo escapam da nossa sutileza, a grandeza do Universo excede nossa visão. De fato, não entendemos plenamente nem a nós mesmos, e quase nada dos nossos semelhantes. Continue lendo “A Simplicidade Divina Absoluta”

A Fé Cristã e as Religiões do Mundo

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Em sua morte em 1825, Saint-Simon deixou incompleto um diálogo sobre O Novo Cristianismo, no qual reconstrói a fé cristã segundo as aspirações do Iluminismo, numa proposta não tão diferente da de Kant: a religião se constituiria essencialmente num moralismo da razão pura — uma ética demitizada, burguesa e humanista —, capaz de unir os homens numa nova solidariedade. Diferente de Kant, a proposta do francês não carrega o menosprezo pietista pelo ritual, que acaba aliciado. Continue lendo “A Fé Cristã e as Religiões do Mundo”

O platonismo do Novo Testamento

Platão

Desde Harnack, uma tese tem sido bastante comum entre teólogos protestantes, conscientemente ou não. Trata-se da noção de que a teologia cristã se desenvolveu por helenização do pensamento hebreu de Jesus e dos apóstolos, e de que isso seria um crime contra as origens. Essa concepção de Harnack expressa um tipo de narrativa puritana preocupada com a “origem imaculada” e a posterior “degeneração” da fé cristã, uma visão trágica do desenvolvimento histórico do Cristianismo inteiramente diferente daquela que Jesus pensou na Parábola do Grão de Mostarda. A helenização às vezes recebe o nome de (neo)platonismo, o grande vilão. Continue lendo “O platonismo do Novo Testamento”

C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron

C S Lewis

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.  Filipenses 4:8

A vontade de Deus é central para o modo como os cristãos encaram o sentido último de todas as coisas. Na Oração, o Filho de Deus ensinou os homens a pedir ao Pai Celeste dizendo que “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, não muito diferente do que pediria no seu sofrimento: “não seja como eu quero, mas como tu queres”. Com isso não convencemos Deus a fazer Sua vontade, como se de outro modo Ele não a fizesse — Ele a fará —, mas apenas nos colocamos diante do mistério que ela encerra e a aceitamos com resignação e com fé, seja qual for. Pois, seja qual for, a vontade de Deus será sempre boa, ainda que vivenciá-la como boa exija a renovação da nossa própria mente.  A oração cristã, por si mesma, exige fé na bondade absoluta da vontade de Deus. Continue lendo “C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron”

O Mistério de Deus

Paradiso

La gloria di colui che tutto move
Per l’universo penetra, e risplende
in una parte più e meno altrove.
(Paradiso, Canto Primo)

Deus é o mistério maior. Não há qualquer mistério que não encontre em Deus sua resposta — assim como sua pergunta —, mas que resposta misteriosa! A Escritura nos diz que [o]s céus declaram a glória de Deus” (Sl. 19:1), mas nós os compreendemos? Continue lendo “O Mistério de Deus”