A Presença de Cristo na Eucaristia

 

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Quando se discute sobre a Presença de Cristo no Sacramento, é comum que o debate se limite a uma exposição das diferenças entre certas teorias clássicas. Fala-se em favor do memorialismo ou mero simbolismo, da presença espiritual, da presença corporal ou física de Cristo no sacramento, como que justificando certa posição e, indiretamente, legitimando as diferenças entre os cristãos, reforçando as trincheiras. Continue lendo “A Presença de Cristo na Eucaristia”

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O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve

 

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Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Mateus 5:8

A vida cristã é uma contínua reflexão sobre a morte, sobre o destino último do ser humano, na lembrança de que cada um terá de enfrentar o inimigo terrível (memento mori). Vivemos vidas piores quando não nos lembramos da seriedade do nosso destino. As distrações do tempo acabam por consumir e vencer nossos melhores ideais, enquanto a Eternidade nos dá o único parâmetro verdadeiro pelo qual devemos julgar o peso real das coisas. A grandeza e eternidade de Deus provocam a inquietante pergunta sobre o Para Onde. Continue lendo “O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve”

Dez ensinamentos da Bíblia negligenciados no mundo evangélico


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A fidelidade dos evangélicos à Sagrada Escritura às vezes é frustrada por certa reticência em confessar aquilo que ela mesma ensina de modo claro e distinto sobre diferentes assuntos. Essas palavras não atingem a totalidade dos evangélicos, mas atingem em cheio certo tipo de evangelicalismo inculto de origem americana. Penso que a maioria dos evangélicos brasileiros, especialmente os de igrejas mais recentes, é atingida em ao menos um destes dez ensinamentos bíblicos.

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A Nova Perspectiva sobre Paulo

Um dos desenvolvimentos mais interessantes e importantes da teologia protestante na segunda metade do século XX é a Nova Perspectiva sobre Paulo, uma proposta de correção de certas leituras da teologia do apóstolo acerca da justificação e temas conexos. De acordo com essa releitura, a doutrina paulina da justificação pela fé não procura responder à pergunta “Como encontramos salvação?”, mas sim “Como sabemos quem é parte da comunidade ou não?”. O debate entre Paulo e seus críticos seria diferente daquele entre Santo Agostinho e seus críticos, ou entre Lutero e seus críticos. Continue lendo “A Nova Perspectiva sobre Paulo”

A Doutrina Anglicana da Predestinação

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Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Filipenses 4:5a

A teologia anglicana recebeu diversas influências dos pais da Igreja, dos escolásticos e medievais, das reformas luterana e calvinista. O cultivo dessa teologia se deu como via média entre a pressão do radicalismo puritano e o tradicionalismo romano. Como via média, seu papel não foi o de produzir nenhuma nova doutrina — nenhuma doutrina é propriedade anglicana! —, mas reconciliar os extremos através de um culto comum, reconhecendo a intimidade entre nossa fé e nossa adoração. A batalha teológica anglicana sempre foi pela fé orada, não apenas pela fé professada. Continue lendo “A Doutrina Anglicana da Predestinação”

Unidade entre Justificação e Santificação

Rembrandt Batismo do Eunuco

“…mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” — I Coríntios 6:11

“Essa justiça, portanto, é dada aos homens no batismo e sempre que eles verdadeiramente se arrependem.” — Martinho Lutero, Sermão sobre dois tipos de justiça

A doutrina da justificação é central para a compreensão da natureza e propósitos da Reforma Protestante. Tal doutrina não apenas sinaliza diferenças cruciais entre o catolicismo tridentino e o protestantismo, como também diferenças — não inconciliáveis, talvez — dentro do próprio protestantismo, entre Lutero e Calvino, entre as tradições que os seguiram, e sobre as quais penso que cada lado acertou e errou em alguma medida. Pois a doutrina da justificação não é sem ambigüidades e dificuldades, que refletem a unidade com que justificação e santificação aparecem nas Sagradas Escrituras. O uno é descrito com mais dificuldade que o múltiplo. Continue lendo “Unidade entre Justificação e Santificação”

C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron

C S Lewis

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.  Filipenses 4:8

A vontade de Deus é central para o modo como os cristãos encaram o sentido último de todas as coisas. Na Oração, o Filho de Deus ensinou os homens a pedir ao Pai Celeste dizendo que “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, não muito diferente do que pediria no seu sofrimento: “não seja como eu quero, mas como tu queres”. Com isso não convencemos Deus a fazer Sua vontade, como se de outro modo Ele não a fizesse — Ele a fará —, mas apenas nos colocamos diante do mistério que ela encerra e a aceitamos com resignação e com fé, seja qual for. Pois, seja qual for, a vontade de Deus será sempre boa, ainda que vivenciá-la como boa exija a renovação da nossa própria mente.  A oração cristã, por si mesma, exige fé na bondade absoluta da vontade de Deus. Continue lendo “C. S. Lewis e o Dilema de Eutífron”