A Presença de Cristo na Eucaristia

 

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Quando se discute sobre a Presença de Cristo no Sacramento, é comum que o debate se limite a uma exposição das diferenças entre certas teorias clássicas. Fala-se em favor do memorialismo ou mero simbolismo, da presença espiritual, da presença corporal ou física de Cristo no sacramento, como que justificando certa posição e, indiretamente, legitimando as diferenças entre os cristãos, reforçando as trincheiras. Continue lendo “A Presença de Cristo na Eucaristia”

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A Ceia do Senhor não ajuda a lembrar do sacrifício de Cristo

 

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Sejamos sinceros: A Ceia do Senhor não ajuda a lembrar do sacrifício de Cristo. O pão, o vinho, os gestos, nada disso ajuda a lembrar da morte do Senhor. Uma cruz ou um crucifixo, um auto de Páscoa, uma canção, outras coisas ajudariam a lembrar daquela morte. A celebração eucarística não ajuda em nada. Continue lendo “A Ceia do Senhor não ajuda a lembrar do sacrifício de Cristo”

Teologia da Comida contra os puritanismos

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Henry Louis Mencken (1880–1956) certa vez definiu o puritanismo como “o medo assombrador de que alguém, em algum lugar, possa estar feliz”. Essa é uma definição é, em si, assombradora, especialmente para alguém (não eu) que tenha algum apreço particular pelo puritanismo histórico. Afinal, o medo da felicidade alheia está bem perto da definição da inveja, mas aqui parece haver uma diferença crucial e talvez ainda mais assustadora: não se trata, como na inveja, de um desejo de roubar a felicidade alheia, mas apenas de eliminá-la, persegui-la, puni-la. “O novo puritanismo não é ascético, mas militante. Ele não almeja alçar santos, mas derrubar pecadores.” O puritano seria um inimigo de todos, usando de ferro e fogo para infernizar a vida alheia. Continue lendo “Teologia da Comida contra os puritanismos”

Objetos devem ser abençoados?

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Sucederá, pois, que, por ouvirdes estes preceitos, e os guardardes e cumprirdes, o Senhor teu Deus te guardará o pacto e a misericórdia que com juramento prometeu a teus pais; ele te amará, te abençoará e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, o teu mosto e o teu azeite, a criação das tuas vacas, e as crias dos teus rebanhos, na terra que com juramento prometeu a teus pais te daria. Dt. 7:12-13

A fé cristã proclama que Deus Pai é o Criador do céu e da terra, e que não há Criador além de Deus, que fez todas as coisas com um propósito eterno. Ele não apenas criou tudo, mas as criou com um propósito — pois o que a existência da criatura, senão uma inclinação para o futuro? —, como um presente intra-trinitário. Se todas as coisas foram feitas para Deus, para encontrar nele a própria plenitude e realização, também que nosso próprio corpo é para o Senhor (1Co. 6:13-15). Nossos corpos, não somente nossas almas, são sacrifícios vivos para Deus; nossos corpos, não somente nossas almas, são templo do Espírito Santo (Rm. 12:1; 1Co. 6:18-20). O mesmo mistério une a redenção dos nossos corpos e a libertação de toda a criação, para que todo o universo possa cumprir o desígnio inicial (Rm. 8:19-23). Continue lendo “Objetos devem ser abençoados?”

A Fé Cristã e as Religiões do Mundo

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Em sua morte em 1825, Saint-Simon deixou incompleto um diálogo sobre O Novo Cristianismo, no qual reconstrói a fé cristã segundo as aspirações do Iluminismo, numa proposta não tão diferente da de Kant: a religião se constituiria essencialmente num moralismo da razão pura — uma ética demitizada, burguesa e humanista —, capaz de unir os homens numa nova solidariedade. Diferente de Kant, a proposta do francês não carrega o menosprezo pietista pelo ritual, que acaba aliciado. Continue lendo “A Fé Cristã e as Religiões do Mundo”

C. S. Lewis e os Sacramentos

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“Na verdade, minhas idéias sobre os sacramentos provavelmente seriam consideradas ‘mágicas’ por um bom número de teólogos modernos.” Cartas a Malcolm, Segunda Carta

Amado por muitos dos evangélicos mais jovens e odiado pelos neo-puritanos e neo-fariseus que o conhecem (pouco), C. S. Lewis ocupa um papel ambíguo no mundo evangélico. Afinal, ele não era um evangélico no sentido mais usual da palavra. Era um anglicano, e a Igreja Anglicana não é uma igreja evangélica, mas uma igreja com evangélicos e com diversas outras marcas de cristão. De fato, pode-se dizer que o movimento evangélico principiou na Igreja Anglicana; o evangélico anglicano é o evangélico raiz. Ainda assim, C. S. Lewis não pertencia a esse grupo. Era um cristão anglicano puro e simples, a mere Anglican.

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A Doutrina Anglicana dos Sacramentos

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“Em nenhuma religião, seja verdadeira, seja falsa, se pode juntar os homens sem algum consórcio de sinais ou sacramentos visíveis.” Santo Agostinho, Contra Faustum 19.11

Gosto de dizer, fazendo graça e com um fundo de verdade, que eu me tornei anglicano por causa do batismo de crianças, rejeitado por tantos evangélicos. Poucas práticas da Igreja mostram tanta beleza na simplicidade e tanta verdade evangélica quanto o amor de Cristo que ali se lança sobre os pequeninos. Todo o Evangelho está ali, implícito ou explícito: o amor de Deus pela criação, a queda da natureza humana, a universalidade do pecado, a necessidade da graça regeneradora, a iniciativa divina na salvação, a Cruz e a Ressurreição, a presença da Igreja, a Santíssima Trindade. Se alguém tem dúvida sobre o princípio Sola Gratia, olhe para o batismo das crianças, que nada contribuem para a própria salvação, antes tudo recebem. Afinal, elas são um grande símbolo do Reino. Continue lendo “A Doutrina Anglicana dos Sacramentos”