O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve

 

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Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Mateus 5:8

A vida cristã é uma contínua reflexão sobre a morte, sobre o destino último do ser humano, na lembrança de que cada um terá de enfrentar o inimigo terrível (memento mori). Vivemos vidas piores quando não nos lembramos da seriedade do nosso destino. As distrações do tempo acabam por consumir e vencer nossos melhores ideais, enquanto a Eternidade nos dá o único parâmetro verdadeiro pelo qual devemos julgar o peso real das coisas. A grandeza e eternidade de Deus provocam a inquietante pergunta sobre o Para Onde. Continue lendo “O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve”

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Existe cooperação entre Deus e o homem na salvação?


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A Igreja Anglicana ensina a cooperação entre Deus e o homem na salvação?

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Cristologia Supralapsária: A Primazia Absoluta de Cristo

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Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Apocalipse 22:13

Quando contemplamos o mundo que nos cerca, em toda a sua beleza, grandeza, ordem e poder, com olhos que enxergam e ouvidos que ouvem, não podemos deixar de notar o sentido transcendente que se nos anuncia e que nos chama a algum lugar. Essa voz ecoa mesmo diante das perplexidades que, no mesmo mundo, se colocam diante de nós — a aflição e o desamparo, a morte e o caos. Se essa voz na Criação revela a presença de uma Realidade Última que dá sentido a todas as coisas e que é o sentido de todas as coisa, por outro lado ela também se mostra um grande enigma, uma grande parábola, um grande mistério. Continue lendo “Cristologia Supralapsária: A Primazia Absoluta de Cristo”

Você acredita na predestinação sem saber

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Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29

Se você é cristão, provavelmente acredita em alguma forma de predestinação, mesmo que não goste da palavra ou não se dê conta. Com isso, quero dizer que certa forma de predestinação está implícita na crença, compartilhada por todos os cristãos, de que Deus criou (e sustenta) o Universo, e que ele sabe de todas as coisas, inclusive o futuro de sua própria Criação. Continue lendo “Você acredita na predestinação sem saber”

Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto

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Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. João 6:47

Em um sentido, Cristo sozinho realiza a condição para nossa justificação e salvação. Em outro sentido, a fé é condição de nossa justificação, e, em outro sentido, outras qualificações e atos também são condições da salvação e justificação. Jonathan Edwards, Justification by Faith Alone

Os ensinos das Sagradas Escrituras resistem a simplificações. O próprio Deus é infinitamente imanente e infinitamente transcendente às criaturas, sendo igualmente aquele em quem “vivemos, e nos movemos, e existimos” e aquele que “habita na luz inacessível”. Para nós, essas realidades são paradoxais, misteriosas e desconcertantes. O Deus revelado não é desconhecido apenas, mas desconhecido de maneiras que sequer podemos imaginar. Por outro lado, como a criatura reflete o Ato Criador, por toda parte a névoa do Altíssimo se faz notar. Nada há do real que possamos compreender inteiramente. Continue lendo “Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto”

A Doutrina Anglicana dos Sacramentos

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“Em nenhuma religião, seja verdadeira, seja falsa, se pode juntar os homens sem algum consórcio de sinais ou sacramentos visíveis.” Santo Agostinho, Contra Faustum 19.11

Gosto de dizer, fazendo graça e com um fundo de verdade, que eu me tornei anglicano por causa do batismo de crianças, rejeitado por tantos evangélicos. Poucas práticas da Igreja mostram tanta beleza na simplicidade e tanta verdade evangélica quanto o amor de Cristo que ali se lança sobre os pequeninos. Todo o Evangelho está ali, implícito ou explícito: o amor de Deus pela criação, a queda da natureza humana, a universalidade do pecado, a necessidade da graça regeneradora, a iniciativa divina na salvação, a Cruz e a Ressurreição, a presença da Igreja, a Santíssima Trindade. Se alguém tem dúvida sobre o princípio Sola Gratia, olhe para o batismo das crianças, que nada contribuem para a própria salvação, antes tudo recebem. Afinal, elas são um grande símbolo do Reino. Continue lendo “A Doutrina Anglicana dos Sacramentos”

Sobre Regeneração

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“Portanto, interpreto o arrependimento com uma palavra: regeneração, cujo objetivo não é outro senão que em nós seja restaurada a imagem de Deus, a qual fora empanada e quase apagada pela transgressão de Adão. (…) Portanto, mediante esta regeneração, somos pela mercê de Cristo restaurados à justiça de Deus, da qual havíamos decaído através de Adão, modo pelo qual ao Senhor agrada restaurar integralmente a todos quantos adota para a herança da vida. E esta restauração, na verdade, não se consuma em um momento, ou em um dia, ou em um ano; antes, através de avanços contínuos, ainda que amiúde de fato lentos, Deus destrói em seus eleitos as corrupções da carne, os limpa de sua imundície e a si os consagra por templos, renovando-lhes todos os sentimentos à verdadeira pureza, para que se exercitem no arrependimento toda sua vida e saibam que não há nenhum fim para esta luta senão na morte.” João Calvino, Institutas III, 3, 19

As metáforas têm um poder incrível de fixar, condensar e até governar nosso pensamento, especialmente quando não atentamos para o que são. Elas criam e povoam todo um mundo imaginário de idéias e símbolos, gerando em nós hábitos de pensamento que, embora pouco adaptados à realidade, interferem em nossa maneira de ler e encarar as Sagradas Escrituras e a fé cristã. O mundo dos profetas, escribas e apóstolos tem suas próprias metáforas e figuras, e elas acabam virando monstros quando inseridas em realidades diferentes sem o devido cuidado. Continue lendo “Sobre Regeneração”