A Igreja é Templo do Espírito. O que isso significa?

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O Novo Testamento nos ensina explicitamente que a Igreja é o Santuário de Deus (2Co 6:16), o Santuário do Espírito Santo (1Co 3:16), a Casa de Deus (Ef 2:21-22; 1Tm 3:15). Embora isso possa ter um aspecto pessoal, na qual os corpos dos cristãos são tratados como esse santuário de Deus (1Co 6:19; cf. Jo 14:23) — assim como o corpo também pode ser casa de demônios (cf. Mt 12:43-45 par.) —, os textos bíblicos, em sua maioria, trazem uma dimensão corporativa à imagem do Templo: a comunidade (“vós”) é um santuário. Quando começou a adorar em “templos” ou “santuários” seus, a Igreja manifestou sua própria natureza interior: a Igreja é um prédio edificado para Deus. O edificador desse prédio é Jesus (Mt 16:18). O prédio “físico” é um símbolo da construção espiritual, aliás, um santuário ainda em construção (1Co 3:9-17; Ef 2:19-22; 1Pe 2:5), ainda não completo.

O que significa dizer que a Igreja é Templo do Espírito Santo? Que implicações isso tem para o modo como vemos e vivenciamos a Igreja? Numa abordagem mais superficial, poderíamos tomar simplesmente o sentido que nos parece ser mais óbvio hoje: a Igreja é o Templo do Espírito Santo, então o Espírito Santo mora na Igreja — o que seria plenamente verdade. Mas, quando o Novo Testamento usa essa imagem, ela sempre traz consequências para o propósito e a vida da Igreja, consequências que estão em plena continuidade com a imagem conceitual que Jesus e seus seguidores, assim como o povo judeu, tinham sobre o Templo. Portanto a única maneira de entender plenamente o sentido dessa linguagem é vislumbrar o propósito e a importância do Templo no Antigo Testamento e na época de Jesus. O que era o Templo para os antigos hebreus?

Em primeiro lugar, é importante notar que, além de katoikētērion (“habitação”), naos (“templo”) e oikos (“casa, família”), o Novo Testamento usa a palavra hagion (“santuário”) para descrever a Igreja. Essa é uma palavra especial, que ajuda a dar sentido a todas as demais. Santuário é o lugar da habitação da santidade divina, o lugar do seu culto. Em certa narrativa bíblica, mesmo quando não havia um templo, o povo israelita tinha como santuário de Deus o Tabernáculo. O Tabernáculo e o Templo são lugares distintos, o temporário e transitório dando lugar ao mais permanente e sólido, mas ambos são santuários dedicados a Deus. O santuário é a casa de Deus, o lugar de sua habitação. Também os santuários politeístas eram casas dos seus deuses (cf. Jz 9:4,27; 1Rs 16:32 etc.). Sobre o santuário de Israel, o Antigo Testamento conta:

Êxodo 25:8-9
“E me farão um santuário [miqdāš], para que eu possa habitar [šāḵan] no meio deles. Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.”

Êxodo 29:43-46
“Ali, virei aos filhos de Israel, para que, por minha glória, sejam santificados, e consagrarei a tenda da congregação e o altar; também santificarei Arão e seus filhos, para que me oficiem como sacerdotes. E habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu Deus. E saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da terra do Egito, para habitar [šāḵan] no meio deles; eu sou o Senhor, seu Deus.”

Deus havia prometido que, num dado momento, habitaria no meio do seu povo novamente (Lv 26:11-12; Zc 2:10-11), o que se realiza em Cristo (cf. Jo 1:14; 2:21) e, através dele, em toda a igreja. A correspondência entre Cristo e o Templo é tão grande que, quando ele está morrendo, o Templo morre com ele — logo antes ou logo depois, a depender do evangelho. Essa continuidade do santuário e transformação dos indivíduos em santuário (naomorfose), no Evangelho de João, se dá através da Eucaristia (6:56) e da obediência do amor (14:23). São práticas que formam a Igreja como santuário.

O Templo era só a sombra da realidade presente. Então a Igreja é mais do que o antigo Templo. Mas certamente não é menos. Diante disso, devemos responder à pergunta: o que significava o Templo para o povo de Israel?

1. O Templo é um lugar de sacrifícios. 1ª Pedro 2:5 ressalta essa dimensão sacrificial, quando aplica a imagem do santuário aos cristãos; é uma casa espiritual para sacrifícios espirituais. No código deuteronômico, os sacrifício mais regulares só podiam ser feitos no Templo, e em nenhum outro lugar da terra (Dt 12). Isso incluía os dízimos, que eram uma modalidade de sacrifício, além de outras ofertas. Por ser um lugar único, provocava as saudades de que lemos nos Salmos 42 e 43. Paulo alude a essa dimensão sacrificial quando escreve:

Romanos 15:15-17
“Entretanto, eu lhes escrevi, em parte mais ousadamente, como para fazer com que vocês se lembrem disso outra vez, por causa da graça que me foi dada por Deus, para que eu seja ministro [leitourgon] de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar [hierourgounta] o evangelho de Deus, de modo que a oferta [he prosphora] deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo. Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus.”

Paulo usa aí uma linguagem sacerdotal, hierática, litúrgica. Seu ministério era sacerdotal: ele era um ministro sacerdotal ou litúrgico, com um trabalho de ministrar sacerdotalmente o evangelho para que, com isso, consagre a Deus as ofertas dos gentios. Ele via esse ministério como um motivo para se gloriar, quanto às coisas divinas. Ele via a oferta que as nações davam para o seu ministério (particularmente para a coleta para os cristãos pobres em Jerusalém) como uma oferta a Deus (cf. Fp 4:18), e ele era o meio pelo qual essa ofertas eram santificadas. Templo é um lugar de sacerdotes. Em outras palavras: os sacrifícios que antes eram entregues aos sacerdotes da Lei agora são entregues ministros sacerdotais cristãos; não diretamente a Deus, mas através de ministros que detêm essa glória ou jactância (kauchēsis). Assim, é natural que vejamos no Novo Testamento as ofertas serem depositadas aos pés dos apóstolos. A Igreja é o Novo Templo, então é lá que entregamos nossas ofertas.

Mais do que isso: o Templo não é só o lugar de sacrifício, e o único lugar legítimo, mas o lugar cujo culto principal consiste em sacrifício. Não custa lembrar: não falamos aqui da Igreja como sinagoga de Deus (lugar de ensino e pregação), mas com o templo de Deus (lugar de sacrifício e adoração). Embora essa distinção não deva ser exagerada no Novo Testamento, uma vez que as celebrações cristãs herdaram tradições estruturais da sinagoga, ela nos diz muito sobre qual deve ser o centro da ação da Igreja.

2. O Templo é um lugar de perdão e purificação. Os antigos israelitas se dirigiam Templo para receberem a expiação por seus pecados e outras impurezas, através dos ritos que ali se realizavam. O Templo absorvia as muitas impurezas do povo (Lv 16). Nesse sentido, os ministros da igreja continuam com a missão de trazer o perdão divino (Jo 20:23; Tg 5:14-15), que ocorre primeiramente através do Batismo (At 2:38), assim como impetrar a misericórdia do alto sobre o povo de Deus. A Igreja é um lugar onde a condição humana de pecado, doença, debilidade, culpa, vergonha e imperfeição é reconhecida e reconciliada com Deus, sendo esse o “ministério da reconciliação” mencionado por Paulo (2Co 5). É e deve ser um lugar de compaixão.

3. O Templo é um lugar sagrado. Por isso, é preciso saber “como convém andar na casa de Deus” (1Tm 3:15). Quem destrói esse lugar sagrado é destruído por Deus (1Co 3:17). Também por isso, a Igreja é um lugar de rituais, como orações, sacramentos e outros sinais. O Templo é sagrado no sentido de que ele pertence a Deus, se remete a Deus; desonrar o que acontece no Templo é desonrar a Deus, como protesta o profeta Malaquias ao reclamar do pão imundo, do descuido com a mesa do Senhor (altar), do animais impróprios, do ensino distorcido. Nesse sentido, a Igreja é sagrada, pertence a Jesus, e tudo que está nela pertence a Jesus de um modo especial, o que exige a devido cuidado na reverência, na ordem, no temor, no zelo. Ao mesmo tempo que é um lugar que reconhece e trata nossas impurezas, é ambiente que exige pureza de coração.

4. O Templo é um lugar de bênção. Deus prometeu abençoar o povo no lugar onde seu nome habitasse (cf. Êx 20:24). Os sacerdotes tinham, portanto, a responsabilidade de transmitir essa bênção ao povo (Lv 9:23; Nm 6:23-27; 2Cr 30:27). Como lemos nos salmos várias vezes, a bênção de Deus flui desde Sião (Jerusalém, a cidade do Santuário) para todo o povo:

14:7; 53:6 “Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel…”

20:2 “Do seu santuário envie socorro e desde Sião te sustenta.”

128:5 “O Senhor te abençoe desde Sião…”

134:3 “De Sião te abençoe o Senhor…”.

Profetas como Ezequiel e Zacarias contemplam a realização disso através das correntes do Espírito Santo transbordando do Templo para todo o mundo. A imagem do templo como manancial de águas procede do simbolismo do Templo como um novo Éden, ou do Éden como um santuário, noção bem arraigada na religião de Israel (cf. Sl 36:7-9; Jr 2:13). Por isso, sentir saudade da presença divina no santuário é o mesmo que sentir sede (Sl 42:1-4; 63:1-2; 84:1-6).

Mesmo com a promessa de Ez 11:16, de que Deus seria, por um tempo, um santuário para os exilados de Israel vivendo na Babilônia e bonitos lugares, os exilados oravam em direção a Jerusalém, como fazia o profeta Daniel (Dn 6:10) e como a oração de dedicação do Templo abençoava (1Rs 8). A benção celestial viria desde Sião, ou seja, através de Sião, como uma porta pela qual a realidade divina invade o mundo.

Se a Terra Santa era o lugar mais sagrado do mundo, Jerusalém era o lugar mais sagrado de Israel — a cidade mais amada por Deus (Sl 87:1) —, e o Templo era o lugar mais sagrado de Jerusalém. Esses ambientes eram os únicos em que Deus podia ser adorado — pois como poderíamos “entoar o canto do Senhor em terra estranha?” (Sl 137:4). Ser desterrado significava praticamente ser entregue a um culto idólatra (Dt 4:27-28; 28:64; 1Sm 26:19; Jr 26:14). Por isso, com a autorização de Eliseu, Naamã transportou terra de Israel para a Síria, para lá prestar o culto ao Senhor (2Rs 5:17). Tudo isso funciona muito bem à luz da geografia sagrada de Dt 32:8-9, texto que, originalmente, ensina que as nações da terra foram entregues ao governo de diversos espíritos poderosos (filhos de Deus) enquanto Israel seria a porção do Senhor.

Diante disso, é perfeitamente compreensível que aquele que é excomungado na Igreja seja, por isso, entregue a Satanás (1Co 5:5; 1Tm 1:20). Ele se coloca fora do culto divino, fora do alcance da benção divina. O Templo é o centro da esfera de domínio régio de Javé — é o seu trono na terra (Jr 3:17; 14:21; 17:12; Ez 43:7). Perder a comunhão com o santuário é ser lançado entre os deuses. É a partir do Templo que Deus reina. Nesse sentido, a Igreja é o reino de Deus. O domínio do Rei e o domínio do Sumo-sacerdote são um só (Sl 110): o domínio de Cristo.

5. O Templo é um lugar de oração. Esse propósito do Templo está em íntima continuidade com todos os anteriores. A oração de dedicação feita por Salomão (1Rs 8), já mencionada acima, encara o Templo como o lugar em que as orações são ouvidas, mesmo para as pessoas que, orando distantes dali, se encurvassem naquela direção. Os salmos exemplificam esse sentimento direcional:

28:2 “Ouve-me… quando erguer as mãos para o teu santuário.”

134:2 “erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor.”

O profeta Isaías fala do Templo como “casa de oração para todos os povos” (56:7), palavras depois repetidas por Cristo (Mc 11:18). Isso significa, consequentemente, que a Igreja, enquanto Templo, é uma comunidade orante; seu propósito de existência tem a ver com a oração, com a ligação dos homens com Deus. Desde o princípio, a vida de oração era partilhada pela Igreja (cf. At 1:13-14; 2:27). De fato, essa celebração da Igreja inclui numa mesma celebração, a terra e os céus (Hb 12:22-24).

6. O Templo é lugar de anjos. O Templo tem uma íntima ligação com as realidades celestiais, em razão de que a Escritura continuamente diz que Deus habita nos céus e que ele habita no Templo; o Templo segue o modelo celestial, como sombra dele (Hb 8:5). O Templo é o lugar onde a glória divina aparece, onde os anjos sobem e descem (cf. Gn 28:12-17; Ec 5:1-6). Em razão disso, todo o Templo era decorado com querubins (1Rs 6). O Templo funciona como lugar de confluência entre a realidade terrestre e a celeste (Is 6), o que é natural, já que, como vimos, o santuário é trono de Deus.

Assim, a Igreja é também lugar de anjos, e, também, detentora das chaves do reino, de modo que pode ligar ou desligar as coisas na terra em comunhão com o céu (Mt 16:19; 18:18-19); a Igreja, enquanto ambiente celestial, está em comunhão com as coisas superiores (Gl 4:26; Hb 12:22-24). É por isso que o Novo Testamento presume várias vezes que estamos certados de anjos: o véu é usado “por causa dos anjos” (1Co 11:10), João abençoava através de anjos (Ap 1:4-5), Paulo conjura diante dos anjos (1Tm 5:21).

7. Lugar de contemplação da face de Deus. Os salmos, e o Antigo Testamento em geral, falam diversas vezes de como o Templo é o lugar onde se podia contemplar a face, a beleza, a majestade, a glória de Javé. Essa dimensão contemplativa incluía o esclarecimento da vontade divina (Sl 73:16-17). Por exemplo:

26:8 “Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa e o lugar onde tua glória assiste.”

27:4 “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.”

63:2 “Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória.

65:4 “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa — o teu santo templo.”

Essa glória era, em parte, ocultada pelo véu que escondia o trono divino, como um “carro” entre os querubins (cf. 1Cr 28:18; Jó 26:9; Sl 80:1; Is 37:16-17). Semelhantemente, Moisés, depois de contemplar a glória divina e reter algo dela, provocando temor nas pessoas, ocultava seu rosto com um véu (Êx 34:29-34). Usando essa história, Paulo fala de como os ministros do evangelho resplandecem, sem temor, uma glória diferente, sendo transformados na imagem do Senhor (2Co 3:18), e de como as mulheres usavam um véu para ocultarem sua própria glória (1Co 11:15). Isso significa também que a Igreja, enquanto Templo, não é apenas um lugar em que se ensina sobre a glória, mas um lugar no qual a glória está presente, um lugar da presença divina. Isso afeta diretamente o modo como vemos, por exemplo, a Mesa do Senhor, a Eucaristia. Se o culto do antigo Templo tinha em si a glória divina, quanto mais o do novo!

8. O Templo é um lugar para todas as nações. O Templo não é só casa de oração, mas casa de oração para todos os povos. Sempre houve o interesse de Deus de que as nações prestassem culto no seu Templo, de que dali procedesse a luz de Deus para todos. Na oração de dedicação, Salomão ora intencionalmente por isso:

1 Reis 8:41-43
Também ao estrangeiro, que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome.

Nesse sentido, a comunidade Igreja-Templo jamais pode estar limitada a um povo, tribo, língua ou nação, nem mesmo a uma congregação. Jamais pode estar presa a privilégios de nação ou província. Ela tem sempre uma dimensão e uma missão universais.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Entrada Triunfal, Adoração Celestial

Meditate on Christ's Triumphal Entry into Jerusalem, with a 15th century  Icon

Os Evangelhos estão cheios de mistérios que nunca descobriremos se nos limitarmos a simplesmente olhar suas páginas, sem comparar e ligar uma parte a outra. Um caso é a Entrada Triunfal de Cristo em Jerusalém, na versão do Evangelho de Lucas.

Os peregrinos que seguem com Cristo para Jerusalém entoavam, em sua honra, a aclamação do Salmo 118, cântico de romagem. (O evento também ecoa outros salmos, como o 122.) Dentre as várias diferenças, os quatro evangelhos registram uma mesma frase: “Bendito o que vem em nome do Senhor” (heb. bārûḵ habbaʾ bšem ʾadonāy), reconhecendo Cristo como aquele que haveria de vir, o esperado (gr. ho erchomenos).

Mas enquanto Mateus seguiu a aclamação registrada por Marcos, só acrescentando uma expressão, Lucas modifica bastante o texto e basicamente produz algo estruturalmente novo. Isso é intencional, e não é a primeira vez que Lucas usa essas palavras. Noutro momento de aclamação, em Lc 2:13-14 (feita pelos anjos), vemos que Lucas usa a mesma linguagem doxológica:

“E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.”
Lucas 2:13-14

“E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!”
Lucas 19:37-38

Nos dois casos, há uma multidão (plēros) que aclama a Cristo, por milagres, fala sobre paz e usa fórmula “glória nas maiores alturas” (doxa en hypsistois). A aclamação da Entrada Triunfal tem uma frase a mais, justamente a do Salmo 118, e a sequência entre “paz” e “glória” está invertida. O motivo disso aparece quando justapomos os dois cânticos. Na verdade, eles são um mesmo cântico, em quiasmo:

[A] Glória [a Deus] nas maiores alturas,
[B] e paz na terra [aos homens de boa vontade].
[C] Bendito é o [Rei] que vem em nome do Senhor!
[B’] Paz no céu
[A’] e glória nas maiores alturas!

Essa canção se insere na tradição bíblica do Cântico Novo: diante de um ato salvador divino, uma canção nova é entoada. É um cântico responsivo, no qual os homens, na terra, respondem aos anjos, no céu. Como no livro do Apocalipse, a adoração terrestre é consequência e “responso” da adoração celeste (cf. Ap 5:8-14; 19:1-8). Ambos convocam os céus a adorarem a Deus, evocando a linguagem de vários salmos em que os anjos são, no templo, chamados pelos homens à adoração: 29:1-2,9-11 (“glória”, “templo”, “rei”, “paz”), 103:20-21 (“bendizer”, heb. bāraḵ, e o exército angélico) e 148:1-2 (com as “alturas”, LXX en tois hypsistois, e o exército angélico).

Complementando-se, os anjos (saindo da Jerusalém celeste) proclamam “paz na terra” e os homens (entrando na Jerusalém terrestre) proclamam “paz no céu”. Talvez devamos imaginar os céus e a terra se saudando com a paz, shalom, isto é, abençoando-se mutuamente, intercedendo pela paz uns dos outros. As duas cidades, a terrestre e a celeste, comungam da mesma adoração a Deus, adoram juntamente a Deus.

As expressões usadas (“paz na terra”, “paz no céu”) também evocam textos do Antigo Testamento. Dentre as bênçãos que Deus havia prometido ao povo de Israel, quando obedecesse à Torá, estava “paz na terra” (Lv 26:6), assim como ele estabeleceria seu tabernáculo entre os homens, andando entre eles (vv. 11-12), numa promessa de libertação em relação à escravidão (v. 13) que tinha tudo a ver com o momento político de Israel. Em Jó 25:2-3, fala-se de como Deus faz “reinar a paz nas alturas celestes” (LXX “en hypsistō“), mencionando também os exércitos angélicos. Embora possa parecer estranho que os homens desejem “paz no céu”, que sempre evocam o sentimento da máxima paz, na verdade as Escrituras nos falam de como as realidades celestiais podem ser conflituosas (cf. Is 24:21; Dn 10:1; Lc 21:26; Ef 6:12).

Esse cântico é simplesmente uma obra de arte em termos de alusões bíblicas.

De fato, a Entrada Triunfal é o momento propício para falar de paz, já que a profecia que ela cumpre, em Zacarias, fala da cessação messiânica das guerras e o estabelecimento da paz (Zc 9:9-10; cf. Is 2:1-5; 9:6-7; 11:6-9; 32:18; 60:17-18; Mq 4:2-4; Os 2:18). A paz é um tema importante para Lucas. Ele nos fala do “caminho da paz” (Lucas 1:79) e do “evangelho da paz” (At 10:36). A procissão de Cristo a Jerusalém se dá montada num animal inofensivo, não num cavalo de guerra, como César.

O cântico unido presume uma correspondência cósmica entre o céu e a terra — tanto na paz quanto na guerra (cf. Jz 5:19-20; Is 24:21; Lc 21:24-26) —, entre o reino no céu e o reino da terra, entre a Jerusalém terrestre e a celeste; presume uma imitação do céu na terra, realizando o que se pede no Pai Nosso: Deus é adorado, assim na terra como no céu.

Rev. Gyordano M. Brasilino

10 coisas que você deve saber sobre anjos

1. Anjos são espíritos poderosos.

Não devemos permitir que as representações mais comuns dos anjos, semelhantes a seres humanos alados, nos confundam. Eles podem mesmo aparecer assim, mas são espíritos, não criaturas com corpos humanoides. A Escritura ensina que os anjos são “espíritos ministradores” (cf. Hb 1:14; Sl 104:4), usando uma expressão (leitourgika pneumata) que pode ser entendida como “espíritos ministeriais”, “espíritos servos” ou mesmo “espíritos litúrgicos”.

Os anjos são “valorosos em poder” (Sl 103:20). Embora nós os vejamos normalmente apenas trazendo coisas de Deus aos homens (e dos homens a Deus), como profetas, na verdade eles são criaturas poderosas. A Escritura alude a isso quando indica que são maiores em poder do que as autoridades humanas (2Pe 2:11) e quando fala da vinda de Cristo com “anjos do seu poder” (2Ts 1:7), isto é, seus anjos poderosos. Em Ap 18:1, uma anjo de grande poder ilumina a terra com sua glória. Os títulos que os anjos recebem, como veremos, sugerem em geral essa posição de poder. Seu poder inclui a capacidade de decidir e decretar conjuntamente sobre os acontecimentos deste mundo (Dn 4:17). Ademais, certos textos bíblicos parecem indicar um poder dos anjos sobre as estrelas ou mesmo uma identificação com elas (Jz 5:20; Jó 38:7; Mc 13:25; Ap 1:20); por esse motivo, tanto os anjos como as próprias estrelas são chamadas de “exércitos dos céus”.

Em razão desse poder, anjos são vistos trazendo juízos em muitas partes da Escritura, como na morte do Rei Herodes (At 12:23) e, várias vezes, no Apocalipse. Como criaturas, o poder dos anjos é limitado. Não são invencíveis (Dn 10:12-13).

2. Os anjos recebem vários outros nomes na Bíblia.

O próprio nome “anjo” significa, tanto em hebraico como em grego, “mensageiro”; por isso, a rigor, nem todos esses espíritos são anjos, embora seja tradicional (e mesmo presente nas Escrituras) usar esse nome para todos eles. Como mensageiros, são vistos falando com pessoas, trazendo mensagens e esclarecimentos, até em sonhos, como nas narrativas da Natividade (em Mateus e Lucas), na história de Daniel e em outros lugares. Eles também são chamados de anjos de Deus (Lc 12:8), santos (Dn 33:2; Sl 89:5,7; Zc 14:5; Jd 14) ou santos anjos (Lc 9:26), vigilantes (ʿîrîn, Dn 4:13,17,23), exércitos dos céus (Sl 148:2; Lc 2:13), filhos de Deus, do Altíssimo ou do Poderoso (Jó 1:6; 2:1; 38:7; Sl 29:1; 82:6; 89:6).

Alguns anjos são nomeados individualmente na Bíblia. O livro do profeta Daniel menciona dois anjos: Miguel (Dn 10:13,21; 12:1) e Gabriel (Dn 8:16; 9:21), nomes repetidos no Novo Testamento. Adicionalmente, a literatura deuterocanônica menciona Rafael (em Tobias) e Uriel (em IV Esdras), dentre outros anjos conhecidos no judaísmo da época. Esses quatro anjos às vezes são ligados simbolicamente com os quatro pontos cardeais (cf. Mc 13:27; Ap 7:1-2), e adquiriram certa importância na tradição judaica, como os quatro anjos que cercam o trono de Deus.

3. Os anjos são inúmeros.

A Escritura não tenta nos dar o número dos anjos, quando eles aparecem em multidão; ao contrário, ela provoca a impressão de que são incontáveis. Ela nos fala de “miríades de santos” (Dt 33:2), “miríades de anjos” (Hb 12:22), “miríades de miríades” (Dn 7:10; Ap 5:11), “milhares de milhares” (Dn 7:10; Ap 5:11), “multidão” (Lc 2:13). O mais próximo de uma contagem são “doze legiões de anjos” (Mt 26:53), o que não é, de fato, uma contagem. A referência às doze legiões pode sugerir uma organização militar.

4. Os anjos têm aparências variadas, até assustadoras.

Nas várias descrições de serafins, querubins e outros anjos, nós os vemos, nas Escrituras, com números variados de olhos, asas e rostos, e manifestando sua glória em fogo, luz e eletricidade, eventualmente usando vestes de simbolismo sacerdotal (Ap 15:6; cf. Dn 10:5). Por isso, certas vezes aparência é descrita como muito assustadora (Jz 13:6), causando temor nas pessoas em redor (cf. Dn 8:17; Lc 2:9). Em certos momentos, eles aparecem como seres humanos, difíceis de identificar (Hb 13:2). Também são velozes (Dn 9:21; Ap 14:6). Essas diferentes descrições parecem indicar distinções entre os anjos em si e no modo como cada um pode aparecer.

5. Os anjos têm sua própria hierarquia.

Tais diferenças de condição, poder ou função entre os anjos aparecem de vários modos nas Escrituras. Assim, lemos em Ap 12:7 sobre “Miguel e os seus anjos”, o que, por ele ser um arcanjo, parece indicar uma posição de autoridade e comando sobre outros anjos (batalhando contra “o dragão e os seus anjos”; cf. Mt 25:41).

O Novo Testamento coloca, em vários textos, certos “agrupamentos” de anjos, o que parece indicar certas distinções entre eles. São ao menos nove tipos: anjos/mensageiros (gr. angeloi, 1Pe 3:22), principados (gr. archai, Rm 8:38), potestades/poderes/autoridades (gr. exousiai, Ef 1:21; 1Pe 3:22), tronos (gr. thronoi, Cl 1:16; 1Pe 3:21-22), dominações/senhorios (gr. kyriotēta, Ef 1:21; Cl 1:16; 2Pe 2:10; Jd 8; provavelmente os kyrioi em 1Co 8:5), virtudes (gr. dynameis, Rm 8:38; Ef 1:21; 1Pe 3:22), querubins (heb. kərūvîm, Gn 3:24; Ez 10:12-14), serafins (heb. śərāfîm, Is 6:1-7) e arcanjos (gr. archangeloi; 1Ts 4:16; Jd 9). Esse nove grupos foram identificados em diversas obras patrísticas, particularmente a Hierarquia Celeste atribuída a Dionísio, o Areopagita.

No Novo Testamento, Miguel é um arcanjo. Como Cristo virá “com voz de arcanjo” (1Ts 4:16), o que parece indicar que “arcanjo” é um grupo com traços em comum, e ademais o arcanjo Miguel é chamado de “um dos primeiros príncipes” (śārîm hariʾšonîm, Dn 10:13; śar haggādôl, Dn 12:1), a Escritura parece indicar a existência de vários arcanjos. De fato, essa era a crença comum no período do Novo Testamento. Os “sete espíritos” do Apocalipse (1:4; 3:1; 4:5; 5:6), que “estão diante do seu trono” (de Deus) e “enviados a toda a terra”, ecoando as sete lâmpadas de Zc 4:2,10, devem corresponder a: “Eu sou Rafael, um dos sete anjos que assistimos na presença do Senhor…” (Tb 12:15) e “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus…” (Lc 1:19). Outro texto que deve se referir a eles é Ap 8:2: “E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus…”. A literatura apócrifa anterior ao Novo Testamento, particularmente o Livro de Enoque, menciona esses sete anjos (arcanjos), nomeando entre eles os quatro anjos mencionados acima (Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel).

6. Eles são enviados a serviço do povo de Deus.

Segundo as Escrituras (Hb 1:14), os anjos são enviados a serviço (eis diakonian) dos que herdarão a salvação. Eles são obedientes à voz de Deus (Sl 103:20; Mt 6:10). Uma coisa que eles fazem, em Lc 16:22, é conduzir a alma (dos justos?) após a morte (psicopompo); semelhantemente, eles selecionam os eleitos (Mc 13:27), pois participam da vinda escatológica (Mc 8:38).

Essas coisas se conectam ao serviço mais óbvio dos anjos, que é a proteção. Desde o Antigo Testamento, como vemos no Sl 91:11-12 (cântico de batalha espiritual contra diversos espíritos), já havia a crença no papel protetor dos anjos em relação ao povo de Deus (cf. Êx 23:20; Sl 34:7). Não aparece ali muito claramente a ideia de que eles são guardiões individuais, exceto possivelmente em Gn 48:16, quando Jacó abençoa os filhos de José (Efraim e Manassés) através desse anjo que o redimiu/guardou. Enquanto Jacó abençoa através do anjo, 1Tm 5:21 conjura diante dos anjos. Essa noção de proteção mais individualizada parece ser indicada (ou ao menos possibilitada) no Novo Testamento, ao falar dos anjos que cuidam das crianças (“os seus anjos”, Mt 18:10) e do anjo que cuidava de Pedro (“o seu anjo”, At 12:15). É possível que os doze anjos de Ap 21:12 sejam guardiões das doze tribos de Israel. Esse tipo de crença era disseminada no mundo antigo, para muito além das fronteiras da religião israelita.

Um papel histórico dos anjos foi o de dar ao povo de Israel a lei divina (Dt 33:2; At 7:53; Gl 3:19). A ligação dos anjos com a Lei é tão importante que essa lei é chamada “palavra dos anjos” (Hb 2:2).

Outro serviço claro prestado pelos anjos é a oração intercessória e a própria elevação das orações dos santos a Deus, indicada em alguns textos do Novo Testamento. Vemos em Zc 1:12-13 um anjo intercedendo a Deus por Jerusalém; no mesmo livro (3:1-5), uma intercessão (no Concílio Divino) por Josué. Em Apocalipse 5:8; 8:3-4 vemos que as criaturas celestiais têm nas mãos as orações dos santos e as elevam a Deus através de incensários. Essa participação ativa dos anjos na vida de oração do povo de Deus era conhecida do judaísmo anterior ao Novo Testamento; o Livro de Enoque (8:3-9:1) fala do momento em que os quatro arcanjos ouvem as orações dos que estavam morrendo. Assim, novamente como profetas, eles trazem mensagens de Deus aos homens e levam as orações dos homens a Deus.

7. Eles têm (ao menos alguns) autoridade regional.

No livro de Daniel, por exemplo, a Pérsia e Israel estão ligados ao domínio de anjos distintos (Dn 10:13,20; 12:1), sendo Miguel o guardião de Israel. Essa autoridade pode incluir também coisas como o fogo (em Ap 14:18). Mas o mundo vindouro não foi sujeito a eles (Hb 2:5). Eles serão julgados pelos salvos (1Co 6:2-3).

8. Eles e nós prestamos um mesmo culto a Deus.

Não deve causar espanto saber que os anjos adoram a Deus (Ne 9:6; Hb 1:6; Ap 4:8). Mas a adoração que eles prestam a Deus está intimamente ligada ao nosso culto. No livro de Apocalipse, após a ascensão do Cordeiro e abertura do Livro da Vida, inicia-se uma adoração (Novo Cântico) que começa nos Vinte e Quatro Anciãos, é respondida por um número incontável de anjos e depois repercute por toda a Criação (Ap 5:6-14), ou seja, uma liturgia inaugurada em Cristo que atinge todas as criaturas, passando pelos seres celestes.

Essa linda imagem aparece em Hb 12. Depois de falar do terror causado nos momentos marcantes da antiga aliança, diante do monte Sinai/Horebe, o que fazia até mesmo Moisés tremer (12:18-21), a Escritura nos ensina sobre como nós, diferentes dos antigos, chegamos ao monte Sião e à Jerusalém Celestial, com todos os seus habitantes (miríades de anjos, espíritos dos justos aperfeiçoados), a Deus, a Cristo, a uma assembleia festiva, panēgyris (Hb 12:21-24). Noutras palavras: nós já estamos participando da celebração celestial. Tendo essas coisas em mente, é fácil entender por que, em 1Co 11:10, a mulher que ora deve usar o véu “por causa dos anjos” (1Co 11:10). Estamos na presença terribilíssima de poderes muito maiores do que nós.

Isso tudo é natural, pois o Santuário no Antigo Testamento era um lugar de anjos/querubins — daí as várias representações de querubins no Tabernáculo/Templo, daí também o sonho de Jacó em Gn 28:12,16-17 quanto a Betel (cf. Ec 5:1-6) —, e a Igreja é, no Novo Testamento, o Santuário de Deus. Assim, através de Cristo, estamos efetivamente nas regiões celestiais (Ef 2:6), o que exige um pensamento correspondente às coisas celestiais (Cl 3:1). Em três salmos diversos (Sl 29:1; 103:20-21; 148:2-3), os anjos são convocados pelos homens, no antigo culto israelita, a bendizer ao Senhor, isto é, são chamados a adorar, o que é coerente com a presença deles no Templo. Cultuamos a Deus “na presença dos poderosos” (cf. Sl 138:1-2). Todas essas noções se refletiram de vários modos na liturgia cristã posterior; o Sanctus da liturgia cristã — baseado em parte nos cânticos angélicos (Is 6:2-3; Ap 4:8) somados às aclamações na entrada triunfal da Jerusalém terrena (Mt 21:9; cf. Lc 2:14) —, recorda mais vividamente, na liturgia anglicana, o modo como glorificamos a Deus “com anjos e arcanjos, e com toda a multidão celestial”:

Santo, Santo, Santo
Senhor Deus Todo-Poderoso,
Os céus e a terra estão cheios da tua glória.
Hosana nas alturas.
Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas.

Assim, é natural que Paulo fale não só diante do Pai e de Cristo, mas também diante dos anjos (1Tm 5:21). Estamos diante dos anjos.

9. Ele nos observam com expectativa.

Se a relação dos anjos com o culto terreno é tão íntima, então eles estão muito perto de nós. Os textos bíblicos indicam de vários modos que os anjos nos acompanham e contemplam os acontecimentos deste mundo, particularmente a Igreja. Se eles são chamados de “vigilantes”, e tomam decisões que nos afetam, como não seria assim? Eles nos vigiam. Se Satanás e os demônios nos cercam e observam, como seria diverso com os anjos de Deus?

O apóstolo Paulo fala do sofrimento apostólico sendo contemplado, por anjos e homens, como num espetáculo (gr. theatron, 1Co 4:9). Provavelmente as palavras do Senhor sobre a alegria celestial diante da conversão dos homens (Lc 15:7,10) têm esse mesmo sentido. Eles contemplavam com alegria a criação do mundo (Jó 38:7). Vemos nos últimos textos textos a alegria dos anjos pela criação e pela redenção. Entre os anjos há alegria, portanto eles conhecem um análogo das emoções humanas.

10. Há anjos pecadores aprisionados.

O Novo Testamento menciona a queda e aprisionamento dos anjos pecadores (2Pe 2:4; Jd 6). A Escritura não narra esse acontecimento, a queda desses anjos, embora algumas pessoas detectem alusões a isso nas profecias contra o rei da Babilônia (Is 14) e contra o rei de Tiro (Ez 28), e noutras partes. Os textos de 2Pedro e Judas aludem conjuntamente a uma narrativa bem conhecida na época, registrada no Livro de Enoque (apócrifo). Esses anjos caídos não devem ser confundidos com os demônios que circulam neste mundo.

Esqueça os bebês rechonchudos das pinturas e esculturas do Renascimento. Os anjos são bem mais interessantes.

Rev. Gyordano M. Brasilino

O que é o Concílio Divino?

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E se o Deus Altíssimo estiver cercado de deuses? O Concílio Divino é um traço fascinante da cosmologia das Escrituras Sagradas, presente nelas do primeiro livro até o último, e forma uma rede que conecta fatos aparentemente dispersos como a entrega da Lei de Moisés, a substância espiritual das religiões não reveladas, a realidade dos demônios, a vitória de Cristo sobre principados e potestades na cruz, o reino de Deus e a excomunhão. O título “Concílio Divino” deriva do Salmo 82, provavelmente o mais citado nessa discussão.
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