Por eu amo o Evangelho de Lucas?

Dez Razões:

1. É o único evangelho que fala dos muitos evangelhos anteriores (1:1-4). Esse prólogo é bem precioso dentro da nossa compreensão da formação dos evangelhos.

2. É um evangelho mais dirigido a um público gentio, mas contém uma quantidade surpreendente de ditos de Jesus não interpretados, preservados numa forma semítica mais original que a de Mateus, como “Bem-aventurados [vós], os pobres” (6:20) ou o dito sobre odiar a todos (14:26).

3. Enquanto Mateus segue Marcos muito de perto, Lucas produz uma reorganização muito mais intensa. Com isso, ele se torna o evangelho mais longo. (Não deixe que o número de capítulos que usamos para dividir Mateus te iluda.)

4. É o único dos quatro evangelhos em que a mulher que ungiu Jesus foi uma “pecadora” (Lc 7), que Cristo acolhe. Nos demais evangelhos, a história se dá com uma mulher de Betânia (Maria de Betânia em João).

5. Dos quatro evangelhos, é o que enfatiza mais o lugar dos pobres e necessitados (anawim) e, com isso, tem uma ênfase na compaixão maior que os demais evangelhos. Também é um evangelho que fala mais sobre as mulheres em torno de Cristo. De fato, o Cristo lucano associa esse alcance dos pobres e perdidos à sua missão explicitamente (4:16-21; 19:10). (Mais sobre isso adiante.)

6. É o que tem mais parábolas exclusivas, como o Bom Samaritano, a Moeda Perdida, o Filho Pródigo, o Juiz Injusto, o Rico e Lázaro, o Fariseu e o Publicano. Naturalmente, muitas dessas parábolas tematizam a compaixão. Não são apenas parábolas exclusivas, mas também são parábolas que cativaram a imaginação dos cristãos ao longo dos séculos.

7. É evangelho que tem a maior narrativa natalina, com vários cânticos e anjos; Mateus tem algo, Marcos e João não têm nada. Por isso, é o evangelho que chama Maria de “mãe do meu Senhor”. Essa narrativa natalina exclusiva tem uma participação intensa do Espírito Santo, com diversas ações e revelações, um “pré-Pentecostes”.

8. É o evangelho que conecta mais explicitamente a mensagem apocalíptica de Cristo à destruição de Jerusalém pelos romanos (Lc 21).

9. É o evangelho que mais tematiza o custo de seguir Jesus.

10. O evangelho de Lucas não tem quase nenhuma explicação salvífica para a cruz de Cristo. (Mais sobre isso adiante.)

Lucas não é o mais impressionante, mas com certeza é o mais surpreendente dos evangelhos.

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Se os evangelhos sinóticos já manifestam interesse na compaixão, o Evangelho de Lucas é o que mais ressalta a preocupação de Jesus para com os pobres, pequenos e perdidos.

Alguns exemplos:

• As bem-aventuranças que em Mateus falam dos “pobres de espírito” e dos que “têm fome e sede de justiça” (5:4,6), em Lucas se referem aos “pobres” e que “têm fome“, contrapostos aos ricos e fartos (6:20-21a,24-25).

• Somente Lucas registra as palavras de Jesus sobre convidar os pobres e doentes, não os amigos e ricos, para um banquete (14:12-14).

• Somente Lucas registra parábolas sobre os perdidos que desejam se aproximar de Deus e são impedidos ou julgados por outras pessoas, como o Filho Pródigo, o Fariseu e o Publicano e, indiretamente, também o Bom Samaritano. Também só nesse evangelho aparece a parábola do Rico Tolo.

• Assim também, só nesse Evangelho aparece a história de Zaqueu, a versão da história da mulher que ungiu Jesus em a mulher é uma pecadora, e a ressurreição do filho da viúva em Naim.

Por isso, Lucas mostrou também em mostrar, no livro de Atos, a solidariedade dos discípulos para com os necessitados e viúvas. “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres;” (Lc 4:18a)

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Uma observação interessante, sobre o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos, é que seu autor, mais do que qualquer outro na Bíblia, trata o exorcismo como cura, dizendo que os possessos são curados.

Por exemplo:

Lucas 8:2 “…algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades…”

Atos 5:16 “…doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados.”

Isso afeta a discussão sobre a relação entre o exorcismo e os carismas do Espírito santo, já que Paulo fala em “dons de curar”.

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Jesus morreu pelo perdão dos nossos pecados?

Um dos traços mais surpreendentes da obra de Lucas (Evangelho e Atos) é a ausência quase completa de uma explicação teológica da paixão e crucificação de Jesus. A morte de Cristo aparece muito mais como um martírio, nunca como um sacrifício expiatório explícito.

Mesmo na narrativa da instituição da Eucaristia, diz-se apenas que o sangue de Cristo é derramado “hyper hymōn” (por vós, em vosso benefício), sem uma conexão com a remissão dos pecados, que aparece em Mateus (cf. Mt 26:28; Lc 22:20).

No livro de Atos, nos momentos em que a graça e a remissão de pecados são mencionadas, não há ligação explícita com a paixão e crucificação. Para Lucas, é possível pregar o Evangelho, ao menos em sua forma mais primitiva e querigmática, sem referência à remissão dos pecados, mas não sem o milagre da ressurreição.

Por outro lado, em vários momentos se fala da paixão do Senhor e de como essa morte foi predeterminada nos planos divinos, de como Cristo tinha que sofrer, mas os sermões são marcados pela ênfase típica lucana sobre o milagre: agora, a ressurreição, a exaltação após o sofrimento. Cristo precisou padecer (At 3:18), é verdade, mas os discípulos também (5:41; 9:16).

Em toda a obra lucana, possivelmente a única referência significativa a uma interpretação teológica é At 20:28, que trata o sangue de Cristo como “compra”, não como expiação.

O Credo Apostólico, que não fala da crucificação e remissão de pecados no mesmo fôlego, preserva algo desse querigma lucano.

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A divindade de Jesus às vezes está implícita nas palavras do evangelho. Jesus é aquele que dá sabedoria, por exemplo:

Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem.” (Lucas 21:14-15)

Rev. Gyordano M Brasilino

O Batismo com o Espírito Santo no livro de Atos — O que eu penso disso?

Antes de tudo, devo dizer que acredito na experiência pentecostal. Assim como diversos teólogos, minhas dúvidas não são sobre a experiência, mas sobre a descrição teológica dela, isto é, no modo como a experiência pentecostal é ligada a conceitos bíblicos ou quase-bíblicos como “batismo no Espírito Santo”, “falar línguas”, “enchimento” e “plenitude” do Espírito, e coisas semelhantes, o que gera consequências para o sentido que essa experiência tem, deve der ou poder ter na comunidade cristã. Acredito que posição que eu defendo não descarta, antes amplia o pensamento pentecostal nesse assunto.

Acredito que a interpretação pentecostal é melhor que a leitura reformada do “batismo no Espírito Santo” no livro de Atos dos Apóstolos. Enquanto a leitura pentecostal simplesmente aceita a “estranheza” dos textos, sem tentar forçar uma pneumatologia alheia a ela, me parece que a leitura reformada procura forçar o texto a enquadrar-se na situação vivenciada pelos próprios reformados e suas igrejas, onde essas coisas estranhas não costumam acontecer, assim como em sua teologia da “regeneração”. Isso não significa que a leitura reformada não seja capaz de fornecer observações pertinentes, nem significa que qualquer dois dos grupos seja monolítico na interpretação de todos os textos relevantes.

Porém acredito que, em razão do anti-sacramentalismo comum entre os pentecostais, algumas conexões presentes nos textos lhes escapam. Além disso me parece o que os pentecostais procuram estabelecer, através das experiências diferentes no livro de Atos, uma regra facilmente aplicável a hoje. Penso que não haja uma regra, ou que a regra, na verdade, seja mais ampla do que imaginam. Essa hermenêutica anti-sacramental afeta principalmente a interpretação dos capítulos 2 (Pentecostes), 10 (Cornélio) e 19 (Discípulos em Éfeso) do livro de Atos dos Apóstolos, precisamente os três textos em que aparece o “falar em línguas” conectado à experiência de recebimento do Espírito Santo, além de traços relevantes dos capítulos 8 (Samaria) e 9 (Paulo). Quando deixamos de lado o viés anti-sacramental, fica mais nítida a regra que devemos observar para a recepção e vivência do Espírito Santo.

Alguns fatores a considerar: (1) o Espírito Santo é concedido, no livro de Atos, principalmente e presumivelmente através do batismo (2:38; 9:17-18) e da imposição de mãos (8:15-20; 19:5-6), dois atos eclesiásticos que ocorrem sempre na mesma sequência, isto é, primeiro o batismo e depois a imposição de mãos; (2) o livro de Atos descreve a experiência nesses momentos como “receber” o Espírito Santo (1:8; 2:38; 8:115,17,19; 10:47; 19:2), o “dom do Espírito” (At 2:38; 8:20; 11:17), dizendo que foram “cheios” do Espírito Santo (2:4; 9:17) ou que o Espírito “caiu” ou “desceu” sobre eles (8:16; 10:44; 11:15); não se diz que os personagens bíblicos foram “batizados” no Espírito Santo, embora a promessa do Batismo seja invocada na explicação do Pentecostes e no incidente da casa de Cornélio (1:5; 11:16).

Os cinco textos mais relevantes, no livro de Atos, para entender essa questão são os capítulos 2 (Pentecostes, Jerusalém), 8 (Samaria), 9 (Paulo, Damasco), 10 (Cornélio, Cesareia) e 19 (Éfeso). Esses textos mais ou menos acompanham a expansão da Igreja tanto de modo geográfico (Jerusalém, Samaria, Damasco, Éfeso) como étnico (judeus, samaritanos, gentios).

No primeiro caso, no dia de Pentecostes, o mais importante, a “descida” do Espírito Santo sobre a comunidade certamente é precedida de orações comunitárias de conteúdo desconhecido (1:14), mas acontece de modo “a-sacramental”. No entanto, após interpretar o evento ligando ao envio da “promessa do Espírito Santo” por Cristo (2:33) e ao seu senhorio (2:36), Pedro diz aos ouvintes que, caso se arrependam e sejam batizados para remissão de pecados, receberão “o dom [dōreá] do Espírito Santo” (2:38), fazendo referência à mesma “promessa” (2:39). A promessa é aquela de Atos 1:5,8: “sereis batizados com o Espírito Santo”. Assim, Pedro oferece aos presentes aquele dom através (também) do Batismo. Não se fala de imposição de mãos ou outra coisa, embora o texto seja demasiado compacto para que se tire muitas conclusões. Esse é um dos três textos em que se fala de “línguas” no recebimento do Espírito Santo.

No segundo caso, em Samaria, os samaritanos evangelizados já haviam recebido o batismo sacramental e crido na pregação apostólica, através do ministério de Filipe (provavelmente o helenista de Atos 6), mas ainda não haviam recebido o Espírito Santo. Dois apóstolos, Pedro e João, descem a Samaria para orar e impor as mãos sobre os samaritanos, para que recebam também o Espírito Santo. O Batismo está, nesse texto, bem claramente atrelado à Imposição de Mãos, e a linguagem empregada é “descida” (8:16), “recebimento” (8:15,19) ou “concessão” do Espírito Santo (8:17). O texto não menciona “línguas”, “profecia” ou outros sinais ligados ao recebimento do Espírito Santo.

No terceiro caso, o de Paulo, não temos uma comunidade, mas um indivíduo, que recebe a ministração de outro: Ananias, que, embora não seja explicitamente contado como apóstolo, é mencionado como um “discípulo” (9:10) observante da Torá (22:12). Ele é enviado pessoalmente por Jesus através de uma visão (9:10-16), não por algum dos apóstolos, e chega três dias depois de Paulo ter tido a visão com Jesus. Ananias lhe descreve o propósito de sua vinda nos seguintes termos: “…para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo” (v. 17), ou seja, cura e enchimento do Espírito. O texto descreve como isso aconteceu: “Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e tornou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizado.” (v. 18). Sabemos que a cura aconteceu por imposição de mãos (9:12), mas enchimento do Espírito Santo corresponde ao “e foi batizado”. Esse batismo é o sacramento, como nos certifica outra versão da mesma história, que segue a mesma sequência: cura e depois batismo sacramental (22:13-16). Nenhuma das duas versões menciona fenômenos carismáticos como línguas ou profecias.

No quarto caso, o da casa de Cornélio, uma família inteira recebe o Espírito Santo: “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra” (10:44; cf. 11:15), “maravilharam-se de que o dom [dōreá] do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios” (10:45), “receberam como nós o Espírito Santo” (10:47), o que é sinalizado através do “falar em línguas”. Àquelas pessoas, Deus “concedeu o mesmo dom [dōreá]” que aos apóstolos (11:17). Logo em seguida, eles são batizados sacramentalmente; para Pedro, não faria sentido impedir de batizar. Assim, embora o recebimento do Espírito ocorra logo antes do batismo sacramental, Pedro vislumbra uma conexão clara entre as duas coisas. Além disso, na verdade, Pedro estava justamente falando sobre o Batismo: “todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.” (10:43). Pedro não disse aí que todos os que creem receberão o perdão porque creem, mas que todos os que creem receberão o perdão “pelo seu nome” (dia tou onomatos autou), isto é, através do seu nome. Essa é a linguagem dos textos batismais de Atos (2:38; 22:16). Essa é a fórmula empregada para atos de poder realizados no nome de Jesus, como cura e exorcismo (At 3:6; 4:7,10,30; 9:14,21; 16:18; 19:13); o Batismo aparece aí como um desses atos de poder realizados “em nome do Senhor Jesus”. Tanto em Atos 8 como em Atos 10, o recebimento do Espírito Santo, embora tenha conotações proféticas e esteja, aqui, ligado à adoração a Deus, não se tem em vista uma preparação ministerial. Tanto no acontecimento em At 10 quanto em sua explicação no capítulo seguinte, tem-se em vista a salvação.

No quinto caso e último caso, o dos doze discípulos em Éfeso, aparece toda a sequência: Batismo (sacramento), Imposição de mãos, línguas, profecia. A linguagem usada é “veio sobre eles o Espírito Santo” (19:6), o que ocorre a partir da pergunta de Paulo sobre se “Recebestes… o Espírito Santo” (19:2).

Esses textos não indicam uma “segunda bênção”, mas uma única bênção, que às vezes é recebida tempos depois do batismo sacramental, ou um pouco antes. Ao visualizar uma só bênção, os reformados se aproximam da verdade, mas essa “bênção única” não é a “regeneração” da qual eles falam; é algo posterior ao arrependimento e à fé, às vezes posterior ao Batismo. Se há uma indicação de uma lógica de duas bênçãos, ela está justamente nos dois atos eclesiásticos: Batismo e Imposição de Mãos, embora eles não sejam tratados como os meios exclusivos, e sim os meios ordinariamente esperados da dação do Espírito Santo. Por isso, a leitura histórica mais tradicional desses atos eclesiásticos é: o Batismo e a Imposição de Mãos de fato conferem duas “bênçãos” distintas ambas no entanto, ligadas à dotação do Espírito Santo, uma em continuidade com a outra, às vezes uma sendo vista como aprofundamento e “conclusão” da outra. Assim, uma raiz da noção de segunda benção está plenamente lá na tradição, mas como uma segunda bênção sacramental. No modus operandi divino, no livro de Atos, não há duas bênção, mas uma mesma doação do Espírito divino.

Como existe uma correlação entre os atos eclesiásticos sacramentais e adaptação do Espírito, a expectativa não é de que a infusão do Espírito ocorra através de orações e de buscas do batismo no Espírito Santo (a menos que isso se referia à oração sacramental, como em At 8:15); espera-se que ocorram nos próprios atos sacramentais. Não existe uma noção de “busca” do Batismo no Espírito Santo no livro de Atos. Saindo do livro de Atos, podemos falar de uma busca do “enchimento” do Espírito Santo e de uma “vida no Espírito”, nas cartas paulinas.

Não é difícil perceber que, no livro de Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é dado como “poder” missionário e profético, como um “capacitador” da igreja para sua missão e ministério particularmente dos apóstolos, como testemunhas poderosas da Ressurreição. A caracterização do Espírito Santo como Espírito Profético aparece tanto na promessa de Jesus (At 1:8) quanto na interpretação dada por Pedro no próprio Pentecostes (2:17-18). No entanto, o caso dos samaritanos e o de Cornélio são diferentes, tendo em vista principalmente a salvação, assim como é diferente a ligação do Espírito Santo com batismo em Gálatas 3 em termos soteriológicos, não apenas ministeriais, então não se pode fazer uma separação muito radical entre pneumatologia paulina e pneumatologia lucana.

Diante dessas considerações, minha posição é a de que o batismo no Espírito Santo é a benção prometida e selada no sacramento do Batismo (I), aprofundada apostolicamente na imposição de mãos (II) e renovada, pela fé, muitas vezes ao longo de nossa vida, particularmente através dos dons espirituais (III). Em outras palavras, o batismo no Espírito Santo é a vida cristã. É a dimensão da vida cristã ligada a um poder profético, não como o ministério de uma elite espiritual, mas disseminado em toda a comunidade messiânica. Aquilo que é prometido no Batismo e aprofundado na imposição de mãos pode ser vivido imediatamente, mas frequentemente os cristãos levam anos para “acessarem” ou “ativarem” as promessas recebidas. Com isso, quero dizer que há “um só batismo” (Ef 4:5), o sacramento, um mistério único que contém compactamente e assinala profeticamente todo o nosso percurso no caminho de Jesus.

Nesse sentido, o momento em que recebemos o sacramento do Batismo não indica necessariamente o primeiro momento em que desfrutamos plenamente da benção profética ali ministrada. O mesmo se dá com a Imposição de Mãos. Em analogia com essas coisas, podemos colocar a oração: se eu oro hoje pela cura de um enfermo, desejo que sua cura aconteça hoje, devo orar para que ela aconteça agora, devo esperar a intervenção de Deus para o presente momento, mas não sou o dono da realização dos seus efeitos, pois eles pertencem a Deus, e por isso podem se realizar algumas horas depois ou amanhã, quando a pessoa que recebeu a oração hoje desfrutará então da cura impetrada. Ou seja, o momento em que a oração é feita e o momento em que a resposta é recebida podem ter um intervalo de bastante tempo.

Assim também, a experiência de enchimento do Espírito Santo, que deve ser esperada para o sacramento ou sinal sacramental, talvez só seja ativado tempos depois. Do mesmo modo, assim como há muitas maneiras pelas quais Deus curou e cura (simples oração individual, intercessão, imposição de mãos, unção com óleo, banho “profético”, cuspe…), Deus pode ministrar seu Espírito de vários modos. Não precisamos estabelecer uma regra para Deus, mas apenas para nós mesmos. Não precisamos crer em duas bênçãos ou em três bênçãos. Podemos acreditar em infinitas bênçãos como infinitas manifestações do Espírito. O Espírito Santo sempre tem mais. Mas é sempre também o mesmo Espírito Santo, a mesma bênção indivisa, o mesmo mistério inesgotável.

Rev. Gyordano M. Brasilino