C. S. Lewis e os Sacramentos

Resultado de imagem para C. S. Lewis

“Na verdade, minhas idéias sobre os sacramentos provavelmente seriam consideradas ‘mágicas’ por um bom número de teólogos modernos.” Cartas a Malcolm, Segunda Carta

Amado por muitos dos evangélicos mais jovens e odiado pelos neo-puritanos e neo-fariseus que o conhecem (pouco), C. S. Lewis ocupa um papel ambíguo no mundo evangélico. Afinal, ele não era um evangélico no sentido mais usual da palavra. Era um anglicano, e a Igreja Anglicana não é uma igreja evangélica, mas uma igreja com evangélicos e com diversas outras marcas de cristão. De fato, pode-se dizer que o movimento evangélico principiou na Igreja Anglicana; o evangélico anglicano é o evangélico raiz. Ainda assim, C. S. Lewis não pertencia a esse grupo. Era um cristão anglicano puro e simples, a mere Anglican.

Continue lendo “C. S. Lewis e os Sacramentos”

Anúncios

A Doutrina Anglicana dos Sacramentos

1467971258755

“Em nenhuma religião, seja verdadeira, seja falsa, se pode juntar os homens sem algum consórcio de sinais ou sacramentos visíveis.” Santo Agostinho, Contra Faustum 19.11

Gosto de dizer, fazendo graça e com um fundo de verdade, que eu me tornei anglicano por causa do batismo de crianças, rejeitado por tantos evangélicos. Poucas práticas da Igreja mostram tanta beleza na simplicidade e tanta verdade evangélica quanto o amor de Cristo que ali se lança sobre os pequeninos. Todo o Evangelho está ali, implícito ou explícito: o amor de Deus pela criação, a queda da natureza humana, a universalidade do pecado, a necessidade da graça regeneradora, a iniciativa divina na salvação, a Cruz e a Ressurreição, a presença da Igreja, a Santíssima Trindade. Se alguém tem dúvida sobre o princípio Sola Gratia, olhe para o batismo das crianças, que nada contribuem para a própria salvação, antes tudo recebem. Afinal, elas são um grande símbolo do Reino. Continue lendo “A Doutrina Anglicana dos Sacramentos”

Sobre Regeneração

Resultado de imagem para Henry Ossawa Tanner Christ

“Portanto, interpreto o arrependimento com uma palavra: regeneração, cujo objetivo não é outro senão que em nós seja restaurada a imagem de Deus, a qual fora empanada e quase apagada pela transgressão de Adão. (…) Portanto, mediante esta regeneração, somos pela mercê de Cristo restaurados à justiça de Deus, da qual havíamos decaído através de Adão, modo pelo qual ao Senhor agrada restaurar integralmente a todos quantos adota para a herança da vida. E esta restauração, na verdade, não se consuma em um momento, ou em um dia, ou em um ano; antes, através de avanços contínuos, ainda que amiúde de fato lentos, Deus destrói em seus eleitos as corrupções da carne, os limpa de sua imundície e a si os consagra por templos, renovando-lhes todos os sentimentos à verdadeira pureza, para que se exercitem no arrependimento toda sua vida e saibam que não há nenhum fim para esta luta senão na morte.” João Calvino, Institutas III, 3, 19

As metáforas têm um poder incrível de fixar, condensar e até governar nosso pensamento, especialmente quando não atentamos para o que são. Elas criam e povoam todo um mundo imaginário de idéias e símbolos, gerando em nós hábitos de pensamento que, embora pouco adaptados à realidade, interferem em nossa maneira de ler e encarar as Sagradas Escrituras e a fé cristã. O mundo dos profetas, escribas e apóstolos tem suas próprias metáforas e figuras, e elas acabam virando monstros quando inseridas em realidades diferentes sem o devido cuidado. Continue lendo “Sobre Regeneração”

O Pecado do Rebatismo

Melanchthon batizando

Falar sobre rebatismo é falar sobre a minha vida. Eu preparo candidatos ao Santo Batismo, assim como padrinhos e pais, e esse papel me coloca em contato constante com os dilemas e esperanças de muitas pessoas — desejos de vida nova, de rompimento com o pecado e com o passado, de receber a graça divina sobre si. Mesmo quando falta a linguagem adequada para descrever a experiência almejada, e até quando a linguagem está errada, no fundo as pessoas sabem o que é o Batismo. O sinal visível é mais forte que qualquer erro teológico. Continue lendo “O Pecado do Rebatismo”

A Eficácia Cristocêntrica dos Sacramentos

00.159.223_PS1

Qualquer pergunta que fizermos sobre os sacramentos leva, em algum momento, à questão da sua eficácia — sua capacidade de produzir certos efeitos reais e espirituais, de cumprir certas promessa feitas por Cristo. A eficácia está lá quando tratamos do batismo de crianças  e é impossível ter uma postura correta sobre essa prática sem que primeiro a eficácia sacramental seja esclarecida , quando discutimos sobre a unidade visível dos membros Igreja, quando perguntamos se é possível salvação sem os sacramentos, ou se todos os que os recebem são salvos. Quando alguém percebe a importância e sutileza do ensino das Sagradas Escrituras sobre os sacramentos, essa questão emerge. Continue lendo “A Eficácia Cristocêntrica dos Sacramentos”

Unidade entre Justificação e Santificação

Rembrandt Batismo do Eunuco

“…mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” — I Coríntios 6:11

“Essa justiça, portanto, é dada aos homens no batismo e sempre que eles verdadeiramente se arrependem.” — Martinho Lutero, Sermão sobre dois tipos de justiça

A doutrina da justificação é central para a compreensão da natureza e propósitos da Reforma Protestante. Tal doutrina não apenas sinaliza diferenças cruciais entre o catolicismo tridentino e o protestantismo, como também diferenças — não inconciliáveis, talvez — dentro do próprio protestantismo, entre Lutero e Calvino, entre as tradições que os seguiram, e sobre as quais penso que cada lado acertou e errou em alguma medida. Pois a doutrina da justificação não é sem ambigüidades e dificuldades, que refletem a unidade com que justificação e santificação aparecem nas Sagradas Escrituras. O uno é descrito com mais dificuldade que o múltiplo. Continue lendo “Unidade entre Justificação e Santificação”

Batismo e Unção no Antigo Testamento

Homem cego

O Batismo e a Unção dos Enfermos têm uma raiz firme na liturgia do Antigo Testamento. Neles foram preservados dois importantíssimos elementos daqueles rituais — a água e o azeite de oliva —, assim como o sentido espiritual que comunicam, selam e provocam, especialmente quanto ao perdão dos pecados, que está presente nos ritos da Lei como nesses dois sinais do Novo Testamento (cf. At. 2:38; Tg. 5:14-15). Continue lendo “Batismo e Unção no Antigo Testamento”