Dez coisas a corrigir na evangelização evangélica

Nós costumamos de chamar “evangelização” a maneira como pregamos o “evangelho” ao mundo, especialmente entre as pessoas que não o abraçaram ainda. O modo como nós o fazemos, em nossa própria realidade brasileira, a depender da vertente da qual fazemos parte, pode padecer de certos vícios históricos. Aqui eu listo dez deles que eu considero relevantes. Falo disso como pastor, portanto como uma pessoa envolvida na missão da Igreja, e como alguém que já participou de evangelização em vários ambientes diferentes. O propósito é mostrar que nós podemos fazer melhor do que geralmente fazemos, quanto aos métodos e propósitos.

1. A ideia de que evangelizar signifique tirar pessoas do catolicismo para colocá-las em igrejas evangélicas.

Muitos evangélicos ainda reproduzem aquilo que era a realidade das igrejas há várias décadas, quando o catolicismo era a imensa maioria dos brasileiros, e crescer significava, portanto, converter católicos. A ideia é, basicamente, de que quem está no catolicismo está perdido e de que essas pessoas precisam ser salvas, e que isso significa que elas devem se tornar evangélicas, devem “aceitar Jesus” do jeito evangélico, como significando que os católicos não “aceitam Jesus”.

Dentro dessa mentalidade, alguns evangélicos fazem o que eu chamo de “contra-calendário”: adotam como estratégia (de evangelização) fazer o contrário do que o catolicismo e o resto do “mundo” fizerem. Se os católicos observam o dia de finados, evangélicos saem para falar de vida; se os católicos estão no Sábado Santo, quando Cristo está morto e sepultado, evangélicos saem a dizer a grande “novidade” de que ele já ressuscitou; se estamos na Quaresma a falar de jejum e penitência, falam de liberdade. A ideia é sobressair pela oposição.

Independentemente do fato de que muitos católicos não tenham tido uma relação sólida com sua própria religião — vista muito mais em termos do cumprimento de deveres e expectativas sociais ou, quando muito, da satisfação da afetividade das devoções santorais populares, do que propriamente de discipulado e amor a Cristo —, na realidade, hoje vivemos numa sociedade com parcela considerável sem qualquer filiação religiosa. Essas pessoas, e não a polêmica com o catolicismo, são nossa prioridade.

2. A ideia de que evangelização não tem relação com “ação social”.

Isso tem vários níveis. O mais básico e óbvio é o de que ninguém presta atenção às necessidades mais elevadas (“espirituais”) enquanto as mais básicas não forem atendidas (“corporais”), e de que nossa mensagem não é crível se não nos importamos com o que as pessoas enfrentam — de que elas não são apenas objetos do nosso projeto de expansão.

Ação social não é, é claro, feita apenas no sentido de converter pessoas ou colocá-las na sua igreja, mas por real amor e compaixão pelas pessoas nas condições reais em que se encontram. O fato é que, se entendemos que a Igreja é uma casa espiritual para oferecer sacrifícios espirituais (1Pe 2:5,9) — e que o serviço pelo próximo é sacrifício a Deus—, aquilo que fazemos pelas pessoas ao nosso redor não pode atentar para apenas parte de suas necessidades, mas para a totalidade delas, naquilo em que está em nosso poder. A Igreja de Cristo é um reino e, como tal, tem poder para transformar realidades sociais.

3. A ideia de que evangelização se dirige apenas aos “de fora” — de que os “de dentro” já foram evangelizados e não precisam sê-lo novamente.

Existe um erro muito frequentemente na maneira como grande parte do evangelicalismo popular usa a palavra a palavra “já”. Se algo “já” aconteceu, não deve acontecer de novo. Fulano é abençoado, então não faz sentido dizer “Deus te abençoe”, mas “Deus continue te abençoando” — contrariando a Bíblia. Cristo sofreu por mim, então eu não preciso sofrer. Existem mil exemplos disso. O problema não é a palavra em si, mas a maneira como ela revela certa maneira simplista de pensar as coisas.

O evangelho, no entanto, não é só uma mensagem sobre o que devemos crer — é também uma mensagem sobre o que devemos esperar e como devemos amar. Por isso, é uma mensagem que devemos sempre aprofundar em nossas próprias vidas, para uma maior conversão a Cristo. Se o tipo de mensagem que evangelizamos só faz sentido para os de fora, das duas uma: ou a mensagem está com algum problema, ou os de dentro estão. Provavelmente os dois.

4. A ideia de que conversão acontece apenas uma vez.

Isso tem a ver com o tópico anterior, e é uma das premissas por trás do programa de fazer pessoas “aceitarem Jesus”. Na Bíblia, se converter-se é se converter “dos maus caminhos”. Por isso, conversão é algo que acontece várias vezes, não só uma. Então a evangelização não pode se dirigir apenas àqueles que nunca ouviram a “mensagem”. Ela deve ser uma voz constante e profética chamando os homens à fé no evangelho, à esperança do evangelho e amor ensinado no evangelho — à vida plena com Deus —, coisa de que cada um de nós necessita repetidas vezes .

5. A ideia de que evangelização se dá apenas através de palavras, e não também através de práticas, artes, símbolos e presença física.

Isso exige mais paciência e maior abertura à cultura. Chamamos as pessoas a serem não apenas adoradoras, mas parte de uma comunidade de adoradores, a se engajarem em práticas coletivas de adoração. A vida de uma comunidade inevitavelmente transforma o espaço, e pode fazê-lo da melhor maneira, como um lugar de beleza que dirija o pensamento às realidades mais elevadas, que facilite a elevação do coração a Deus como satisfação de todos os nossos desejos. Não há uma inimizade ou oposição real entre isso e a pregação do evangelho fora dos espaços que não sejam explicitamente eclesiásticos. Assim, a ideia do espaço sagrado não é inimiga nem limitadora da evangelização; ao contrário, a evangelização é justamente o convite ao banquete, um chamado universal à casa de oração de todas as nações.

6. A ideia de que evangelização é, necessariamente, mostrar que as pessoas são pecadoras e precisam encontrar a solução do jeito que a igreja oferece — ou seja, de que evangelizar se limita a esse discurso.

Para algumas pessoas, isso é “o evangelho”, ou seja, apresentar a condenação e a saída — basicamente salvar as pessoas do Deus que as condenaria. Nessa lógica, Deus prometeu salvar os crentes e condenar os ímpios, e enviou os cristãos pelo mundo para garantir que o máximo de pessoas (ou os eleitos) estejam na condição certa. Então o discurso acaba sendo o de queda e redenção, como a única possibilidade.

Quando vemos a maneira como os cristãos “evangelizavam” nos Atos dos Apóstolos, e a maneira como eles o fizeram ao longo dos séculos, especialmente em missões em novos povos, encontramos muita variedade na abordagem. A apresentação do “querigma” fundamental, embora gire em torno daquilo que está no Credo Apostólico, varia muito de contexto a contexto. Não há qualquer necessidade de pensar que a pregação do evangelho pelo mundo seja necessariamente algo como mostrar o Inferno e depois a alternativa do Céu — não há indícios sólidos de que os apóstolos de Cristo tenham pregado assim, e não há qualquer garantia de que essa seja a melhor abordagem em todas as situações.

Em muitas situações, o problema do “pecado” é um que simplesmente não faz sentido para as pessoas. Elas não se veem naturalmente a partir de um prisma “legal”, como absolvidas pela lei ou condenadas pela lei. As pessoas do nosso tempo às vezes entendem melhor outros problemas: a solidão, o tédio, a necessidade de pertencimento, a volatilidade dos relacionamentos, a falta de uma âncora no coração, a perda de sentido para a vida e de esperança, a opressividade da cultura, a necessidade de forças para lutar por mudança, a insatisfação diante das comodidades que o mundo oferece, e outras coisas. Nós sabemos que tudo isso só encontra sentido em Cristo, e apresentar Cristo como o manancial de águas que sacia a nossa sede, costuma ser mais eficaz do que um discurso caricaturado sobre como podemos ser salvos da ira de Deus.

Alguns cristãos evangélicos estão tão presos a essa abordagem evangelística (como a das “Quatro Leis Espirituais”) que a mera sugestão de que se possa evangelizar de outras maneiras pode ser um choque, mesmo que, na prática, isso aconteça em todas as igrejas.

A maioria das pessoas abraça a fé cristã mais através de relacionamentos (inspiradores, amorosos, fiéis, atentos) do que por terem ouvido algum tipo de solução para o problema do pecado e da condenação. Por isso, contar nossa própria história, nosso “testemunho”, como uma maneira de conectar a mensagem à nossa própria experiência, sempre foi uma boa maneira de mostrar que aquilo que é pregado não é só mais um discurso — de que somos parte de uma história ainda se desenrolando.

De fato, há um problema sério vemos as pessoas “de fora” principalmente como “pecadoras” — quando o traço principal a defini-las é a de pessoas erradas.

7. A ideia de que evangelizar não tem a ver com colocar as pessoas na Igreja, mas apenas com a aceitação de uma “mensagem”.

Isso tem muito a ver com um equívoco sobre qual é a “mensagem” que a Igreja prega. Em muitos ambientes, a expectativa é pregar uma mensagem que leve as pessoas a “acejtar Jesus” — pois a salvação consistiria, em tese, de uma fé nessa mensagem, sem a necessidade de boas obras. Geralmente esse é um erro cometido por pessoas mais jovens, que às vezes perdem de vista a necessidade de conectar a evangelização ao discipulado — dentro de um processo de salvação — e, portanto, perdem de vista a necessidade da Igreja para a salvação.

O evangelho não só salva almas individuais, mas forma comunidades tocadas pela graça de Cristo, constituídas como ambientes de cura, restauração, reconciliação, serviço e esperança, como casas de adoração ao Deus Trino. A comunidade não é desnecessária. Como dito acima, o evangelho não é só uma mensagem sobre o que devemos crer, mas também uma mensagem sobre o que devemos esperar e como devemos amar.

8. A ideia de que evangelização pode dispensar os sinais do Reino de Deus, como milagres e libertação espiritual.

A maneira como Cristo e os apóstolos pregavam envolve um “evangelho de poder”. Eles sabiam que a pregação do evangelho, se acompanhada de milagres e sinais, dirigia a conversão a se fundamentar menos nas palavras de sabedoria humana e mais no poder divino. Por isso, a melhor evangelização é aquela em que há consciência da batalha espiritual, de que estamos envolvidos num conflito com as forças das trevas e sua ação opressora. Devemos abandonar a mentalidade burguesa que exige que tudo aconteça de modo muito comportado, fino, limpinho e respeitável — sem “coisas estranhas”. Isso é engano diabólico. A vitória na batalha começa com a expectativa certa e com a fé certa.

9. A ideia de que a evangelização não precisa de um envio e de uma conexão com a autoridade eclesiástica, já que supostamente todos são automaticamente enviados.

Embora o silêncio seja um testemunho melhor do que o erro, é muito melhor uma igreja que evangeliza, mesmo que às vezes falte sabedoria, do que uma absolutamente calada, que nunca compartilhe de sua fé e que queira apenas ficar fechada no conforto de sua tenda na montanha.

No entanto, existe algo ainda melhor. Alguns cristãos, lendo de maneira individual e unilateral os ensinamentos bíblicos sobre evangelização, se consideram automaticamente enviados por Deus, como se cada cristão tivesse autorização celestial para conduzir um trabalho de evangelização. Isso envolve uma maneira incorreta de ler a “Grande Comissão”, como se ela fosse simultaneamente (1) uma explicação completa ou resumo da missão da Igreja, (2) uma explicação da missão de cada cristão individualmente (generalização). As duas coisas são falsas.

Cada um de de nós pode e deve evangelizar no sentido de compartilhar sua fé com as pessoas ao nosso redor, mas deve fazê-lo sempre em comunhão e consonância com o trabalho que nossa própria comunidade desenvolve, nunca com independência. O evangelho só é correto se ele envolve a vida de discipulado, como disse acima — ora, isso necessita da comunidade concreta.

10. A ideia de que a evangelização pode evitar conflitos e confronto.

Aprendemos, nas Escrituras Apostólicas, que devemos ser sábios na maneira como tratamos os “de fora”, fazendo o possível para termos paz com todos, sem escândalos para gregos e judeus. Devemos, por isso, ter muita paciência e ser inimigos das contendas inúteis. Nós evangelizamos muito melhor quando nosso caráter manso, pacífico e temperante corroboram e exemplificam o poder do Espírito Santo que nos unge para testemunhar sobre Cristo. Em vários momentos das Escrituras, vemos Cristo e os apóstolos sendo respeitados e aprovados pelas pessoas da fora.

No entanto, não é possível fugir da hostilidade — todos os que forem fiéis a Cristo parecerão “perseguições” (mais ou menos intensas). Algo muito ruim acontece com a nossa mensagem quando tentamos, a todo custo, ser aprovados pelas pessoas — Deus abomina o que é aprovado pelos homens. Ai de nós quando falarem de nós apenas o bem. Por isso, vemos que os apóstolos inclusive usavam a argumentação e o debate como estratégias para converter pessoas. Não devemos impor a obediência ao evangelho, mas a lealdade ao nosso mandato missionário implica que, em alguns momentos, enfrentaremos hostilidades. Deus nos conceda a graça de o fazermos sempre em amor.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Minhas diferenças com o Catolicismo e a Ortodoxia

Patriarca Atenágoras de Constantinopla e Papa Paulo VI

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” Efésios 5:25-27

Algumas pessoas já me pediram para falar sobre quais são as minhas diferenças com o Catolicismo (romano) e com a Ortodoxia. Eu confesso que prefiro conversar essas questões em privado do que em público, porque elas tendem a gerar certas formas de debate e discussão que, francamente, tenho muita dificuldade de ver como edificantes ou espirituais, e, mesmo em privado, esse tipo de assunto me parece desinteressante. Sobre vários assuntos, eu não estou preparado para falar das diferenças simplesmente pelo fato de que não tenho interesse de saber o que os latinos ou os orientais pensam. Isso não significa que eu não haja lido nada a respeito ou conversado com eles, mas apenas que eu estudei teologia o suficiente para saber que cada doutrina só faz sentido no todo da fé, e que, por isso, é muito difícil entender o que uma doutrina significa sem crer no todo do qual ela emerge e participar de sua vivência concreta, existencial, comunitária e cúltica. Cada afirmação de fé pode ter o sentido mudado em conjunto com outras afirmações. Ou seja, eu acredito que a maioria das coisas que católicos, ortodoxos e protestantes dizem uns dos outros quando se atacam é de suma leviandade.

Mas eu entendo que, para aqueles que estão explorando as diferentes formas da religião cristã em busca de respostas, o tipo de esclarecimento que pretendo fazer pode ser importante, pode ajudar de alguma maneira. Preocupo-me principalmente com os que ficam mais ansiosos com essas questões, os que legitimamente estão em busca da verdade, mas sem orientação. Se o que eu digo aqui servir de algum préstimo quem está nessa condição, creio que cumpri meu propósito. É para esses que eu escrevo. Por isso, eu me norteio pelos temas mais questionados. É perfeitamente possível que as semelhanças ou diferenças incluam outros temas não mencionados aqui. Quanto a algum católico ou ortodoxo que porventura leia este texto, deve entender que eu não pretendo oferecer aqui os argumentos necessários para defender o que defendo ou refutar o que não defendo, mas apenas uma descrição inicial da minha posição.

Principalmente para os protestantes, com quem eu tenho maior proximidade. Em momentos anteriores, já compartilhei a minha opinião de que a Reforma Protestante terminou em 1529, no Colóquio de Marburgo, e que, a partir disso, não há qualquer expectativa para uma reforma geral da Igreja em termos de doutrina, mas apenas um caminho de diálogo honesto e pacífico no qual nossas diferenças possam ser mitigadas e nosso escândalo, curado. Através desse diálogo, vemos católicos reconhecerem que a Reforma Protestante os ajudou a recuperarem e esclarecerem elementos de sua própria fé e tradição que estavam dormentes, assim como vemos protestantes vislumbrarem uma maior catolicidade da Escritura Sagrada. Não defendo a manutenção do status quo de desunião entre comunidades cristãs; defendo, antes, que façamos nossa parte para, pedindo a luz do Espírito Santo, eliminar nossa distância tanto quanto possível, sem criar barreiras desnecessárias, mais fruto da antipatia mútua. Não pretendo ser capaz de resolver essa questão, então procuro manter, o quanto posso, a política da boa vizinhança com os católicos e com os ortodoxos, e falo aos protestantes, que estão mais perto.

Pois bem, pretendo falar o que penso sobre os tópicos que me aproximam e me distanciam do catolicismo e da ortodoxia. Cada uma dessas diferenças mereceria uma discussão detalhada e uma argumentação mais precisa e rigorosa, o que exigiria o espaço de um livro que eu não pretendo escrever nunca. (Daqui em diante, quando digo “católico” ou “catolicismo”, refiro-me ao maior grupo a usar essa designação, aquele sujeito ao Bispo de Roma. Quando digo “ortodoxo” ou “ortodoxia”, refiro-me também ao maior grupo a usar essa designação. Digo isso porque às vezes diferentes grupos disputam esses nomes, e é óbvio que qualquer cristão sensato quererá se considerar católico e ortodoxo, se souber o que essas palavras designam.)

Eu creio que a Escritura Sagrada contém, quanto à fé, todas as coisas necessárias para a nossa salvação, desde que lida e interpretada no contexto da Tradição, isto é, conforme o sentido histórico que se desenha ao longo dos séculos, no testemunho cristão. Nenhum texto tem sentindo independente da interpretação que pode receber a partir de uma comunidade ligada a ele (cultural e linguisticamente). Por isso, não há qualquer sentido, por exemplo, em ler as Escrituras sem doutrinas históricas como a Santíssima Trindade ou o teísmo clássico. Eu sou inteiramente a favor de uma análise científica da Escritura através da Crítica Histórica, mas essa análise não nos diz qual é nossa fé, não nos diz a mensagem que a Escritura veicula como um cânon, como testemunho conjunto. Por isso, há a necessidade de uma estrutura dogmática que nos norteie no modo como observamos, não só a Escritura, mas aquilo a que a Escritura se refere.

Por isso, afirmo que a Igreja tem, usando a expressão dos 39 Artigos, o papel de “protetora” ou “guardiã” (keeper, conservatrix) da Escritura Sagrada. A Igreja, e não a Bíblia, é a “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3:15). Assim, o testemunho histórico da Igreja em favor da Bíblia, não só acerca de sua existência, mas também acerca do seu sentido, deve ser ouvido. Quando digo que a Escritura contém todas as coisas necessárias para a nossa salvação, desde que lida à luz da Tradição, identifico-me com aquilo que alguns chamam de Sola Scriptura e outros chamam de Prima Scriptura. Eu não me importo com o nome, que não aparece nos documentos confessionais anglicanos. Decididamente estou contra quem afirme que a Tradição contenha validamente elementos desligados das Escrituras, ou que a Escritura deve ser lida sem qualquer auxílio da voz da Igreja. O Espírito Santo guiou a Igreja. Por acreditar nessas coisas, e afirmá-las com otimismo, em vários pontos eu defendo, de uma perspectiva anglicana — portanto com certas nuances —, traços da fé cristã em comum com o Catolicismo e a Ortodoxia.

Algumas diferenças óbvias dizem respeito à Santíssima Trindade, já mencionada, e também à União Hipostática, a necessidade geral dos Sacramentos para a salvação, a importância da sucessão apostólica e do governo episcopal (com as três ordens), a distinção entre o sacerdócio geral e o ministerial, a importância do exemplo e honra aos santos na vida da Igreja (particularmente a sempre virgem e pura Mãe de Deus), orações pelos falecidos, a possibilidade do uso devocional de imagens (ícones ou estátuas) de Deus ou dos santos (na adoração a Deus) — embora eu pense que dou menos importância a esse assunto do que os católicos ou ortodoxos — , na necessidade do guiamento do consenso dos Pais da Igreja na doutrina cristã, na descida de Cristo ao Abismo, na concepção da Eucaristia como o sacrifício de Cristo (não repetido) recebido pelo “sacrifício de louvor e ação de graças” da Igreja (repetido), no batismo (e comunhão) de crianças, na necessidade da santificação para se chegar à vida eterna, na importância da contemplação mística. Esses temas não excluem o protestantismo, mas são os que mais aparecem em conflitos entre os dois grupos.

Vários desses assuntos são motivos centrais pelos quais algumas pessoas são protestantes e não católicas ou ortodoxas. Nesse caso, penso que essas pessoas são protestantes pelos motivos errados. Da minha perspectiva, que não pretendo impor a ninguém, é natural que elas abandonem o protestantismo quando deixam de lado os motivos errados e ignoram os certos. Quantos evangélicos conhecemos que têm como crítica principal ao catolicismo a posição elevada dada a Maria, por exemplo? Com certeza, eu não trato Maria como o catolicismo popular a trata, mas creio que essa seja a perspectiva errada. É preferível ser um protestante como Lutero, que amava Maria.

Mesmo dentro dessas semelhanças, há já diferenças. Eu leio a filioque (a afirmação de que “o Espírito Santo procede do Pai e do Filho“) como significando per filium (“o Espírito Santo procede do Pai através do Filho”), o que me parece ser uma posição inteiramente satisfatória, com a concordância de alguns católicos/ortodoxos e discordância de outros. Sobre Maria, concordo que ela foi livre de pecado atual (“a minha imaculada”, Ct 6:9), sempre Virgem e mãe de Deus. Eu não tenho qualquer problema grave com a Assunção de Maria (dos católicos) ou a Dormição de Maria (dos ortodoxos), embora a segunda opção me pareça mais bela e relevante; mas não acredito que é necessário ter uma posição sobre isso e, nesse ponto, divirjo dos dois grupos. Quanto à honra ao santos, creio que eles intercedem por nós (oram a Deus em nosso favor) e que a Escritura dá indícios suficientes de que eles sabem o que se passa entre nós, então considero razoável ou defensável a posição de quem pede a intercessão deles como pedimos daqueles que estão entre nós (ora pro nobis), mas não a de quem os invoca como se fossem poderosos e capazes de conceder bênçãos. Quanto à sucessão apostólica, eu afirmo sua importância e a necessidade de preservá-la a todo custo, mas não nego que Deus conceda graça nas comunidades protestantes privadas dela.

Há outras áreas em que eu estou mais próximo de um lado ou de outro. O catolicismo romano me parece mais tendente a falar e explicar sua doutrina em detalhes, e quem fala mais está mais propício a errar, mas também a dizer coisas belas e corretas, se o fizer com sabedoria. Por isso, a maioria das diferenças e semelhanças de que tenho ciência estão do lado do catolicismo. O catolicismo é mais aberto a certos temas que são importantes para mim, como o movimento carismático e a Crítica Histórica, e essas são duas áreas em que há bastante diálogo, intercâmbio e amizade entre católicos e protestantes.

Quando me perguntam qual é minha maior divergência com o catolicismo, a resposta óbvia é a Supremacia Papal. Parece-me bem óbvio que Simão Pedro, segundo a apresentação do Novo Testamento, detinha uma forma de primazia sobre os demais apóstolos, e que a continuidade dessa primazia está sumamente em conformidade com a realização dos planos de Cristo. Assim como a maioria das comunidades protestantes terá, em algum momento, um líder principal, é natural que a Igreja Una tenha um líder terreno principal. Então a primazia petrina, entendida de certo modo, é uma doutrina perfeitamente razoável, não só da perspectiva de como o Novo Testamento retrata o Pescador, mas também do modo como qualquer comunidade global deveria funcionar, tendo em vista harmonia e ordem. Precisamos de um líder que fale hoje, mesmo que seja um humano falho. Embora essa primazia não exija necessariamente que o líder máximo detenha o tipo de jurisdição que o catolicismo lhe dá (coisa historicamente construída), isso não é impossível, também. (Se é desejável, é outra história.)

Mas eu não posso concordar com a infalibilidade papal, ou com a infalibilidade da doutrina romana como um todo. Minha impressão é que essa doutrina se contradiz em alguns momentos, como no modo como o inclusivismo soteriológico hoje dominante e “aceitável” substituiu as posições mais severas e exclusivistas de Florença ou da Unam Sanctam (que toca a infalibilidade papal). As tentativas de harmonização não me convencem; e as pessoas que as defendem não me convencem de que realmente são capazes de crer no que me dizem. As defesas do dogma da infalibilidade papal, em particular, me parecem sempre muito arbitrárias e vagas. Dão sempre a impressão de raciocínio circular. Além disso, as controvérsias em torno do Papa Francisco dão a impressão de que a doutrina romana muda mesmo, e que a infalibilidade, mesmo que seja verdadeira, não ajuda em nada, já que é perfeitamente possível que o Papa infalível guie os católicos na direção errada, apenas tomando decisões pastorais e fazendo discursos desastrosos e ambíguos. (Digo isso levando em conta os críticos de Francisco. A coisa é diferente se pensarmos que os corretos são os seus defensores.)

Há outras diferenças com o catolicismo, como o dogma da Transubstanciação — a Presença Real do corpo e do sangue de Cristo me parecem tão certas quanto a remanência dos elementos (pão e vinho), e me parece que os católicos não se importam muito com o testemunho bíblico e patrístico nessa segunda direção — , a indissolubilidade absoluta do matrimônio — posições ortodoxas me parecem mais corretas, sensatas e mais em linha com a totalidade da Tradição (particularmente a tradição conciliar) —, e o celibato clerical. Eu estou realmente convencido de que a o celibato clerical obrigatório não é só uma disciplina canônica, mas que toca, sim, na doutrina, porque afeta o modo como a Igreja vê a vocação; de que essa obrigatoriedade esconde um erro de doutrina, como se a Igreja pudesse exigir legitimamente sem levar em conta o modo como Deus concede dons (o matrimônio e o celibato), assim como estão errados em doutrina os protestantes mais esquisitos que acreditam que Deus não concede esses dons. Há outras questões, como a rejeição mais ampla ao universalismo e o tema do purgatório. Eu não sou universalista, mas a postura dos ortodoxos, de relativa abertura quanto a essa questão, me parece mais sensata. Como já mostrei num texto anterior, se a linguagem do Purgatório for equivalente a um processo de purificação e aperfeiçoamento após a morte, continuando e (de certo modo) completando o que aconteceu em vida (resguardada a epektasis), eu a afirmo; mas se isso é visto em termos mais penais, como aquela rejeitada pelos reformadores, não me parece nada aceitável, mas apenas brutal.

Por fim, acho que o catolicismo tem muita beleza mas também muita feiura em sua estética, mesmo nas versões mais tradicionais e cuidadosas. Muita coisa brega, relativamente recente (em termos de dois mil anos de história). Nesse ponto, a ortodoxia tem uma aparência, de fato, muito mais celestial e, estranhamente, menos “pesada”. Eu o digo, é óbvio, da perspectiva de quem não é membro de nenhum desses dois grupos e que, por isso, não sei qual é a experiência de quem está realmente dentro.

Quanto aos ortodoxos, que eu conheço menos, os problemas são menores em número, tanto pela razão dita acima como pela distância cultural. Tratar a doutrina da Eucaristia mais como mistério, sem precisar recorrer a explicações como a transubstanciação (ainda que pareça ser aceitável entre eles), é algo com que eu tenho muita afinidade. A ênfase na deificação do homem (theosis) no processo de salvação é bem-vinda, mas o modo como os neopalamitas atrelam argumentativamente isso à distinção essência-energias me parece bizarro (mesmo que a distinção seja correta). Além disso, embora haja vozes em contrário entre os ortodoxos (como o Padre Georges Florovsky), parece que a maioria deles tem um fechamento sacramental absoluto, só vendo validade sacramental entre eles mesmos. Em termos gerais, a eclesiologia ortodoxa é menos agostiniana e mais cipriânica. Assim também é sua soteriologia, que parece ser absolutamente fechada a certas concepções que, entre nós ocidentais, são mais aceitáveis. Para mim, embora no cômputo geral a Ortodoxia seja mais aceitável, quando ela erra, ela me parece mais inaceitável.

Não me amolem mais. Deus vos abençoe.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Sem amor, a fé não salva. Todos concordam.

Porque, em Cristo Jesus,
nem a circuncisão,
nem a incircuncisão
têm valor algum,
mas a fé que atua pelo amor.

Gálatas 5:6

Esse é, decididamente, um dos meus textos favoritos de toda a Bíblia. É surpreendente notar, no entanto, o quanto esse versículo foi usado pelos cristãos das mais diversas tradições para esclarecer o significado da fé salvadora. Historicamente, esse texto foi usando para explicar também a distinção entre fé morta e fé viva em Tiago 2: a fé viva seria precisamente “a fé que atua pelo amor” (portanto uma fé que tem obras e amor); a fé morta seria a fé sem obras, demoníaca, marcada pelo mero temor (servil). Essa associação entre Gálatas 5 e Tiago 2 é o que eu chamo de “solução agostiniana” para a tensão textual entre Paulo e Tiago. É muito difícil encontrar alguma solução que não passe por ela em algum momento.

Enquanto falamos de fé ou de obras na salvação, parece que falamos de coisas diferentes; quando, no entanto, usamos essas palavras de Paulo para explicar com maior precisão o papel da fé na salvação, todos nós, partindo de perspectivas diferentes, caminhamos na direção de um mesmo equilíbrio. É parte do “mínimo ecumênico” da nossa soteriologia: a crença de que a fé justificante, a fé viva, é fé que opera pelo amor. Só vive pela fé quem vive pela fé viva.

Alguns exemplos (com ênfases diferentes):

“Depois de concluir que a fé está em nosso poder, visto que, quando alguém quer, vem a crer e, quando crê, crê por sua vontade, é mister investigar, ou melhor, recordar a que fé o Apóstolo se refere com tanta combatividade. (…) Esta é a fé pela qual se salvam aqueles a quem diz: ‘Pela graça sois salvos’ (…) Finalmente, esta é a fé que age pela caridade, não por temor, não temendo o castigo, mas amando a justiça.”
Santo Agostinho, O Espírito e a Letra, XXXII, 55, 57

“Assim ele diz ‘Pois em Cristo Jesus‘, isto é, naqueles que vivem na fé em Cristo, ‘nem a circuncisão nem a incircuncisão servem de nada‘, isto é, não fazem diferença, ‘mas a fé‘, não informe, mas o tipo ‘que opera pela caridade‘: ‘a fé sem obras é morta‘. Pois a fé é um conhecimento da palavra de Deus — ‘Que Cristo habite em vossos corações pela fé‘ — palavra que não é perfeitamente possuída ou perfeitamente conhecida a menos que seja possuído o amor pelo qual ela espera.”
São Tomás de Aquino, Comentário a Gálatas 5:6

“A fé deve, é claro, ser sincera. Deve ser uma fé que realiza boas obras através do amor. Se à fé falta o amor, ela não é fé verdadeira. (…) A fé ociosa não é fé justificante.”
Lutero, Comentário a Gálatas 5:6

“Portanto a fé que verdadeiramente justifica é aquela fé que opera através do amor.”
Colóquio de Ratisbona (Martin Bucer), Art V

“Porque a fé nem une perfeitamente com Cristo, nem faz membro vivo de seu corpo, se não se lhe ajuntarem a esperança e a caridade. Daí a razão de se dizer com toda a verdade: a fé, sem obras, é morta (Tgo 2, 17 ss) e ociosa [cân. 19]; e em Jesus Cristo nem a circuncisão nem o prepúcio valem coisa alguma, mas a fé que obra pela caridade (Gal 5, 6; 6, 15).”
Concílio de Trento, Sexta Sessão

“Essa fé morta portanto não é a fé certa e substancial que salva os pecadores. Há outra fé nas Escrituras, que não é (como a referida fé) ociosa, infrutífera e morta, mas que opera pela caridade (como São Paulo declara, Gálatas 5:6). De modo que, assim como a outra fé vã é chamada fé morta, assim também esta é chamada fé viva e vivaz.”
Primeiro Livro de Homilias (Igreja Anglicana), Homilia IV (Da fé verdadeira e viva)

“De modo que, embora a fé conduza o caminho da nossa justificação, ainda assim a santidade de vida manifestada nas obras de caridade, assim como todos os outros atos da vida piedosa, devem abrir para nós as portas do céu e conseguir para nós a entrada na mesma, como é evidente em São Mateus 25:34-41.”
Rev. Peter Heylyn, The Doctrine and Discipline of the English Church

“A fé, assim recebendo e assim se firmando em Cristo e na justiça dele, é o único instrumento de justificação; ela, contudo não está sozinha na pessoa justificada, mas sempre anda acompanhada de todas as outras graças salvadoras; não é uma fé morta, mas obra por amor.”
Confissão de Fé de Westminster (Igreja Presbiteriana), Cap XI, §II
[Seguida ipsis litteris pela Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 e pela Declaração de Savoy (congregacional)]

“O amor não é ingrediente numa fé meramente especulativa, mas é a vida e a alma da fé prática. Uma fé verdadeiramente prática ou salvadora é luz e calor juntos, ou antes luz e amor, enquanto que uma fé especulativa é somente luz sem calor; e, como lhe falta calor espiritual ou amor divino, ela é em vão, e para nada serve. Uma fé especulativa consiste somente na ascensão do entendimento; mas numa fé salvadora há também o consentimento do coração; e a fé que é apenas do primeiro tipo não é melhor que a fé dos demônios, pois eles têm uma fé apenas no tanto em que ela pode existir sem amor, crendo e tremendo.”
Jonathan Edwards, Love, the Sum of All Virtue

“Na fé justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras.”
Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação, 4.3.25

“A fé, portanto, não inclui apenas um assentimento à verdade do Evangelho, mas envolve também um compromisso de nossa vontade para com Deus em arrependimento e obediência ao seu chamado; do contrário, a fé é morta (Tg 2:17). A fé viva é inseparável do amor, produz boas obras e aprofunda-se ao longo de uma vida de santidade. (…) Assim como justificação e santificação são dois aspectos do mesmo ato divino, assim também a fé viva e o amor são inseparáveis no crente. A fé não é uma disposição meramente privada e interior, mas por sua própria natureza ela é exteriorizada em ação: boas obras necessariamente brotam de uma fé viva (Tg 2:17ss).”
ARCIC II (Segunda Comissão Internacional Anglicana – Católico-Romana), Salvation and the Church, 10 e 19

Rev. Gyordano M. Brasilino

O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve

 

cs-lewis-e1484156034652

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Mateus 5:8

A vida cristã é uma contínua reflexão sobre a morte, sobre o destino último do ser humano, na lembrança de que cada um terá de enfrentar o inimigo terrível (memento mori). Vivemos vidas piores quando não nos lembramos da seriedade do nosso destino. As distrações do tempo acabam por consumir e vencer nossos melhores ideais, enquanto a Eternidade nos dá o único parâmetro verdadeiro pelo qual devemos julgar o peso real das coisas. A grandeza e eternidade de Deus provocam a inquietante pergunta sobre o Para Onde. Continue lendo “O Purgatório de C. S. Lewis: Uma Defesa Breve”

Lutero e Tomás de Aquino de mãos dadas?

lutero-e-tomas-de-aquino

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.” (Gálatas 5:6)

De todos os debates doutrinários que podem haver entre católicos romanos e protestantes, considero que o mais inútil é o debate sobre justificação. Não que a própria noção de justificação seja inútil, muito pelo contrário. Embora eu não considere, como muitos de tendências reformada, que a doutrina Justificação pela Graça seja o Evangelho — já que ela não se lhe dá proeminência nos Evangelhos —, ela é importante para a compreensão da salvação. Continue lendo “Lutero e Tomás de Aquino de mãos dadas?”

O Inferno é separação? — Um erro de tradução em 2Ts. 1:9

juizo-final-cortado

É freqüente na pregação popular a imagem do Inferno como um “afastamento” em relação a Deus. Tanto entre católicos romanos quanto entre protestantes, essa idéia encontra aceitação quase universal no Ocidente. O afresco do Juízo Final, de Michelangelo, captura essa concepção ocidental: o Senhor advindo sobre as nuvens executa seu juízo por meio de anjos, reunindo para a si os salvos e lançando na condenação os perdidos. Os únicos a rir, de fato, são os demônios, no canto inferior direito (a esquerda de Cristo). Eles parecem ser castigadores, não castigados. Continue lendo “O Inferno é separação? — Um erro de tradução em 2Ts. 1:9”

Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino

adam_and_eve

“Alguns novos teólogos negam o pegado original, que é a única parte da teologia cristã que pode ser realmente provada. Alguns dos seguidores do Reverendo R. J. Campbell, em sua espiritualidade quase exagerada, admitem a impecabilidade divina, que eles não são capazes de ver nem em seus sonhos. Mas eles essencialmente negam o pecado humano, que eles podem ver na rua.” (G. K. Chesterton)

A noção de Pecado Original é uma das doutrinas mais polêmicas na história da Igreja, especialmente quando foi primeiramente formulada por Agostinho de Hipona (354–430), mas também no princípio da Reforma Protestante — com formulações radicais pela maioria dos reformadores e, do lado Romano, o estabelecimento de um dogma “completo” do Pecado Original no Concílio de Trento (mas recuperando o Concílio de Orange de 529) —, assim como na teologia racionalista entre os séculos XIX e XX, que assumia uma opinião bastante otimista sobre a natureza humana. Continue lendo “Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino”