Cristo e o Mundo da Inveja

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“Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado.” Marcos 15:10

É comum que as descrições da morte de Jesus foquem em dois planos, o histórico e o teológico, cuidadosamente distinguidos e nestorianamente separados. No plano histórico, foi a morte de um profeta galileu, com pretensões messiânicas, após desafiar as autoridades político-religiosas de Jerusalém, padecendo então uma morte de escravo. No plano teológico, Deus entregou seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, o qual, no seu sangue, realiza a expiação pelos pecados de todo o mundo. Continue lendo “Cristo e o Mundo da Inveja”

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O Cordeiro Vitorioso

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Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos. Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Apocalipse 5:5-6a

O mistério da salvação humana está gravado no oráculo do Vidente de Patmos. O Leão Vitorioso, digno de desatar os sete selos do Livro da Vida, que ninguém poderia sequer olhar, é ao mesmo tempo o Cordeiro Morto. A vítima inocente e inofensiva é Rei invencível. Sua morte é uma vitória — mas como? Continue lendo “O Cordeiro Vitorioso”

33 Teses contra a Substituição Penal

Cristo Crucificado

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Gálatas 6:14

A teoria da Substituição Penal ensina que o propósito da morte de Cristo foi o de ser punido pelos pecados da humanidade ou dos eleitos, uma vez que, supostamente, a justiça de Deus exige que alguém seja punido para que haja perdão. Como fazem crer seus defensores, o Evangelho seria essencialmente a Justificação pela Fé através da Imputação da Justiça de Cristo para o cristão (isto é, aquele que tem fé) e a Imputação da culpa pelos pecados do cristão para Cristo, resultando na Punição Substitutiva de Cristo. A teoria diz respeito a essa transação “forense”. Às vezes, certas versões dessa teoria enfatizam a ira de Deus, que deve “cair” sobre alguém quando há pecado.

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Ressuscitou para nossa justificação (Rm. 4:25)

Rembrandt Ressurreição de Cristo

ὃς παρεδόθη διὰ τὰ παραπτώματα ἡμῶν
καὶ ἠγέρθη διὰ τὴν δικαίωσιν ἡμῶν.
“Ele foi entregue à morte por nossos pecados
e ressuscitado para nossa justificação.”

(Romanos 4:25)

Que relação existe entre a Justificação e a Ressurreição? Se se fizer essa pergunta a um defensor da Substituição Penal e da Justiça Imputada, talvez não se obtenha nenhuma resposta satisfatória. Nessa teologia, a Ressurreição de Cristo não tem nenhum papel salvífico a desempenhar, mas somente a Cruz, por meio da qual a justiça de Cristo é atribuída (imputada) a nós, e nossos pecados atribuídos (imputados) a ele. Justificação seria apenas o projeto divino de matar alguém para que possa perdoar os “verdadeiros” culpados. Não resta nada para a Ressurreição, que assume função apologética: mostrar que realmente Jesus era o filho de Deus, e que seu sacrifício no Calvário foi aceito pelo Pai. É esse o ensino da Sagrada Escritura? Continue lendo “Ressuscitou para nossa justificação (Rm. 4:25)”