Vários nomes, o mesmo sacramento.

Sunday Eucharist in the Early Church - Justin Martyr - Crossroads Initiative

A Eucaristia tem vários nomes bíblicos. Cada nome enfatiza uma coisa diferente.

  1. Ceia do Senhor. Esse nome aparece em 1Co 11:20. Literalmente, “kyriakon deipnon” é Ceia Senhorial, Ceia Dominical. “Senhor” é uma das designações favoritas da comunidade primitiva para Cristo, a invocação que os distingue enquanto comunidade religiosa particular. Esse nome enfatiza o ato de comer (em refeição compartilhada) sob o senhorio de Cristo, assim como a raiz história ligada ao momento inaugural em que o Senhor esteve com seus discípulos.
  2. Eucaristia. A palavra grega significa “ação de graças” (eucharistia, eucharisteō), um tipo de oração, e o sacramento tem esse nome porque Cristo “abençoou” (Mt/Mc) ou “deu graças” (Lc/1Co) sobre os elementos. Essa palavra grega faz referência à tradição judaica de abençoar e dar graças pelas refeições (b’rachá). Esse nome enfatiza o ato de consagrar, razão por que ele é um dos mais importantes na história do sacramento; indiretamente, esse nome também assinala uma dimensão sacrificial, em referência ao “sacrifício de ação de graças” mencionado no Antigo Testamento.
  3. Comunhão. A eficácia do sacramento é a comunhão (koinōnia) no corpo e no sangue de Cristo (1Co 10:16) e a unidade entre os que dele participam dignamente (v. 17). Esse nome enfatiza, como finalidade, o efeito que o sacramento produz entre nós, unindo-nos a Cristo e uns aos outros.
  4. Pão do Céu. Cristo designa a si mesmo assim no discurso eucarístico na sinagoga de Cafarnaum (João 6). Esse nome enfatiza, ao mesmo tempo, a origem divina e a finalidade espiritual do sacramento (alimento).
  5. Partir do Pão. O nome aparece nos Atos dos Apóstolos (principalmente At 2:42; 20:7,11; cf. Lc 24:30-31,35). Esse nome enfatiza o sacramento como refeição comunitária (partilha) de unidade, em analogia ao que era praticado por diversas religiões antigas.
  6. Mesa do Senhor. Esse nome aparece em 1Co 10:21, reminiscência (indicada no contexto) o altar do pão no Antigo Testamento (cf. Ez 41:22; Ml 1:7,12). Esse nome enfatiza a comunhão espiritual, a partilha e a dimensão sacrificial do sacramento.
  7. Cálice da Bênção, Cálice da Salvação. O nome aparece em 1Co 10:16, mas é possível ligá-lo ao que se lê em Sl 116:13, uma vez que a bênção prometida no sacrifício de Cristo é a salvação. Esse nome enfatiza a dimensão sobrenatural do sacramento.
  8. Sacramento do Altar. Em Hb 13:10, lemos que os cristãos têm um altar exclusivo, isto é, do qual só eles podem comer. Historicamente, esse nome distingue esse mistério do Sacramento da Fonte (o Santo Batismo). Esse nome enfatiza a dimensão sacrificial e sagrada, o culto a Deus, a localização concreta da celebração no seio da comunidade cristã e a dimensão dessa comunidade enquanto Templo, assim como o momento histórico-salvífico da Nova Aliança (em distinção com a Antiga).

Além desses, podemos falar de outros nomes simbólico-proféticos, como o maná escondido e o fruto da árvore da vida.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Por que nem todo mundo pode realizar a Eucaristia?

Santo Inácio de Antioquia, um cristão que foi discípulo de João e se tornou mártir da fé cristã, escreveu o seguinte: “Considerai legítima a eucaristia realizada pelo bispo ou alguém que foi encarregado por ele.” (Aos Esmirniotas, Cap 8). Existe fundamento nas Escrituras para isso? Continue lendo “Por que nem todo mundo pode realizar a Eucaristia?”

A Presença de Cristo na Eucaristia

 

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Quando se discute sobre a Presença de Cristo no Sacramento, é comum que o debate se limite a uma exposição das diferenças entre certas teorias clássicas. Fala-se em favor do memorialismo ou mero simbolismo, da presença espiritual, da presença corporal ou física de Cristo no sacramento, como que justificando certa posição e, indiretamente, legitimando as diferenças entre os cristãos, reforçando as trincheiras. Continue lendo “A Presença de Cristo na Eucaristia”

Esmolas e Tesouros

Mendigo

“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe?
Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.”
(Jó 41:11)

“Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta,
e este lhe paga o seu benefício.”
(Provérbios 19:17)

Um dos motivos pelos quais as traduções bíblicas mudam é que a própria língua muda. Às vezes palavras poderosas perdem sua força relativa. A sonoridade muda, a ligação com outras se dissipa na consciência das gerações mais recentes. O uso reiterado em algumas situações, o desuso paulatino em outras, as freqüentes metonímias e analogias, tudo pode obrigar o sentido a migrar. Continue lendo “Esmolas e Tesouros”

São Paulo, o eclesiólogo

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“Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.” (Atos 20:37,38)

Desde a Reforma Protestante, o apóstolo Paulo de Tarso é lembrado como defensor do “evangelho da graça de Deus” (At. 20:24) e como grande missionário, um dos responsáveis pela pregação do Evangelho e fundação de comunidades cristãs na Europa. O impacto de Paulo na formação do cristianismo e na sua teologia é incalculável. Continue lendo “São Paulo, o eclesiólogo”

Sacramento e Escatologia

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Então se abrirão os olhos dos cegos
e se destaparão os ouvidos dos surdos.
Então os coxos saltarão como o cervo,
e a língua do mudo cantará de alegria.
Águas irromperão no ermo
e riachos no deserto.
(Isaías 35:5,6)

Quando Jesus iniciou seu ministério terreno, atraiu a atenção dos discípulos de João Batista. Os judeus aguardavam a vinda do Messias, o libertador que lhes traria paz, plenitude e salvação. Então João Batista envia seus discípulos a perguntar se Jesus seria esse libertador aguardado. A resposta de Jesus não é um sim ou um não; ele lhes mostra o seu ministério: “os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres;” (Lucas 7:22). Continue lendo “Sacramento e Escatologia”