A Culpa e a Morte

Madalena Penitente (1796), Canova

A culpa afeta toda a humanidade, mas não afeta cada pessoa igualmente. Existem pessoas, de fato, sem culpa, como crianças muito pequenas e deficientes mentais. Aquilo que chamamos de culpa (no sentido de ‘merecimento de punição’) é associado a certo envolvimento pessoal (conhecimento e vontade), e diminui quando há certa ignorância inocente (Jo 9:41; 15:22); assim, o conhecimento torna indesculpável (Rm 1:20), o que só faz sentido se a ignorância torna, em alguma medida, inculpável.

Diante disso, se achamos que o problema principal do homem for a culpa, entramos num dilema: ou dizemos que só algumas pessoas precisam de salvação (pois só alguns são culpados), e portanto minamos a necessidade de Cristo; ou damos algum jeito de dizer que todo ser humano é culpado mesmo (culpa herdada). A salvação, nesses termos, é fundamentalmente jurídica: a culpa jurídica (como ‘merecimento de punição’) provoca uma consequência jurídica (condenação), então Cristo aparece como solução jurídica.

Na verdade, a solução é diferente: a culpa não é o problema principal do homem, precisamente porque nem todos são culpados. A culpa é um sintoma de uma realidade espiritual mais profunda, de um desligamento do homem com Deus, de uma desordem e mortalidade que procuram afetar a todos nós. Só isso pode explicar a necessidade de salvação para todos.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino

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“Alguns novos teólogos negam o pegado original, que é a única parte da teologia cristã que pode ser realmente provada. Alguns dos seguidores do Reverendo R. J. Campbell, em sua espiritualidade quase exagerada, admitem a impecabilidade divina, que eles não são capazes de ver nem em seus sonhos. Mas eles essencialmente negam o pecado humano, que eles podem ver na rua.” (G. K. Chesterton)

A noção de Pecado Original é uma das doutrinas mais polêmicas na história da Igreja, especialmente quando foi primeiramente formulada por Agostinho de Hipona (354–430), mas também no princípio da Reforma Protestante — com formulações radicais pela maioria dos reformadores e, do lado Romano, o estabelecimento de um dogma “completo” do Pecado Original no Concílio de Trento (mas recuperando o Concílio de Orange de 529) —, assim como na teologia racionalista entre os séculos XIX e XX, que assumia uma opinião bastante otimista sobre a natureza humana. Continue lendo “Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino”