Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.

“Não apagueis o Espírito.” I Ts. 5:19

O século XX mudou o panorama da cristandade de maneira dramática graças ao surgimento do movimento carismático. O movimento não perdeu seu vigor, embora tenha constantemente se adaptado e mudado de ênfase. Qualquer argumento ou crítica que se faça ao carismatismo não pode ignorar que ele foi uma força poderosa na revitalização de um número incontável de comunidades e a uma vivência mais profunda, viva e fervorosa da fé cristã, assim como a possibilidade de novos modelos de missão. Do ponto de vista teológico e doutrinal, o movimento provoca, mesmo em seus adversários, uma preocupação maior e mais saudável com a reflexão acerca da pessoa e ação do Espírito. Continue lendo “Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.”

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Inclusivismo é possível?

Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, o único caminho para o Pai, o consumador da nossa fé, a fonte abundante de toda verdade, bondade e beleza, aquele diante de quem um dia todo joelho se dobrará. Quem não está com ele, está contra ele, e fora dele não há salvação. Continue lendo “Inclusivismo é possível?”

Per modum exempli: Tomás de Aquino sobre Cl. 1:24

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“Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja;” (Colossenses 1:24)

Colossenses 1:24 é um texto recorrente nos debates entre católicos romanos e protestantes acerca da intercessão dos santos e do tesouro de mérito. O texto nos diz que Paulo preenche, em sua própria carne e em favor da Igreja, o que falta das aflições de Cristo. O que quer que isso signifique, não é algo que se possa ignorar. Continue lendo “Per modum exempli: Tomás de Aquino sobre Cl. 1:24”

Agostinho e a Igreja invisível

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“Deixai-os crescer juntos até à colheita,
e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros:
ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado;
mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.”
(Mateus 13:30)

Agostinho ensinava a noção de Igreja invisível? Como expliquei num texto anterior (leia aqui), a noção de Igreja invisível pode ser tomada em direções diferentes, uma mais moderada e outra mais radical: pode-ser ver mais unidade ou mais tensão entre o visível (a instituição, a hierarquia, a membresia, o rito) e o invisível (o destino eterno). Por isso, antes de que pergunte se o Doutor da Graça apoiou ou mesmo originou a noção de Igreja invisível, é preciso afastar noções mais populares e menos elaboradas desse conceito. Trata-se de um teólogo — o maior da Igreja antiga. Continue lendo “Agostinho e a Igreja invisível”

Três eclesiologias: Westminster, Savoy, Londres

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“Assim também, enquanto ela é uma estranha no mundo, a cidade de Deus tem em sua comunhão, e vinculados a ela pelos sacramentos, alguns que não habitarão eternamente no destino dos santos.” (Agostinho, Cidade de Deus)

Eu não considero a distinção entre Igreja visível e Igreja invisível útil. Afinal, é uma distinção que a própria Escritura não faz, uma distinção que foi desnecessária por séculos e, parece-me, gera mais confusão do que compreensão sobre o papel e a importância da Igreja, especialmente em um contexto de cristandade dividida. Mas há maneiras diferentes de encarar essa distinção, e parece-me que as confissões reformadas deixam transparecer essas diferenças teológicas. Continue lendo “Três eclesiologias: Westminster, Savoy, Londres”

Regnum gratiae: Sobre a santidade da Igreja

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“Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR.” (Oséias 2:19,20)

Segundo o livro de Gênesis, quando Deus celebrou sua aliança com Abraão e sua descendência, ele lhes conferiu como sinal a marca da circuncisão, de maneira que todos os circuncisos e somente os circuncisos estariam em aliança com Deus (Gn. 17:10-14). As novas gerações já nasciam dentro da aliança de Deus antes mesmo de serem capazes de compreendê-la. Continue lendo “Regnum gratiae: Sobre a santidade da Igreja”

São Paulo, o eclesiólogo

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“Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.” (Atos 20:37,38)

Desde a Reforma Protestante, o apóstolo Paulo de Tarso é lembrado como defensor do “evangelho da graça de Deus” (At. 20:24) e como grande missionário, um dos responsáveis pela pregação do Evangelho e fundação de comunidades cristãs na Europa. O impacto de Paulo na formação do cristianismo e na sua teologia é incalculável. Continue lendo “São Paulo, o eclesiólogo”