Não há uma só maneira de honrar a Deus

Na época de Santo Agostinho, já se discutia com que frequência um cristão deveria participar da Eucaristia – se deveria recebê-la diariamente ou se deveria preferir se abster, na maioria dos dias, por reverência diante do Sacramento. Diante dessa questão, alguém pode esperar que haja uma resposta definitiva, absoluta, invariável, “a certa”. Podemos querer que uma atitude seja condenada como severa demais, como legalista, ou que a outra seja tratada como permissiva demais, fácil demais.

No entanto, em sua Epístola 54, o santo defende ambas atitudes como aceitáveis e que esse não é motivo para divisão, e cita, para isso, o comportamento de Zaqueu e do Centurião, nos evangelhos. Zaqueu recebeu Cristo com alegria em sua casa, enquanto o Centurião impediu essa visita, se dizendo indigno. Ele escreveu:

Pois não brigaram entre si Zaqueu e aquele Centurião, nem se colocou um contra o outro, quando um recebeu com alegria o Senhor em sua casa, ao passo de que o outro disse ‘Não sou digno de que entres sob o meu teto’, ambos honrando o Salvador de modo diverso e quase contrário; ambos miseráveis pelo pecado, ambos alcançados pela misericórdia.”

Em ambos os casos, não há desprezo pelo sacramento – o que participa poucas vezes não o faz por considerar o sacramento como dispensável ou de menor importância, antes por se considerar indigno de participação frequente, ao passo que o outro deseja maior frequência porque entende que precisa daquilo, e não por tratar o sacramento como refeição comum e banal. Assim também, não há presunção por parte deles – o que participa frequentemente, não o faz por se considerar santo, mas precisamente porque sente a necessidade de ser mais santificado pelo sacramento, enquanto o que participa menos, não o faz por rejeitar o sacramento e se considerar capaz de buscar a santidade sem ele, mas para conseguir fazê-lo com um coração mais preparado.

Principalmente: nem dos dois é movido pela indiferença, por um espírito de que “tanto faz”. Ao contrário, cada um leva com máxima seriedade sua própria situação. E ambos são chamados a se aceitarem por amor a Cristo, na paz da mesma catolicidade.

O mesmo valor do sacramento é aplicado de maneira diferente em pessoas diferentes, e ambos participam da graça vivendo os mesmos princípios como podem, em suas próprias realidades. “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (Romanos 14:4).

Você acredita na predestinação sem saber

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Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29

Se você é cristão, provavelmente acredita em alguma forma de predestinação, mesmo que não goste da palavra ou não se dê conta. Com isso, quero dizer que certa forma de predestinação está implícita na crença, compartilhada por todos os cristãos, de que Deus criou (e sustenta) o Universo, e que ele sabe de todas as coisas, inclusive o futuro de sua própria Criação. Continue lendo “Você acredita na predestinação sem saber”

São Paulo, o eclesiólogo

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“Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.” (Atos 20:37,38)

Desde a Reforma Protestante, o apóstolo Paulo de Tarso é lembrado como defensor do “evangelho da graça de Deus” (At. 20:24) e como grande missionário, um dos responsáveis pela pregação do Evangelho e fundação de comunidades cristãs na Europa. O impacto de Paulo na formação do cristianismo e na sua teologia é incalculável. Continue lendo “São Paulo, o eclesiólogo”