Metáfora, Analogia, Representação

Três realidades simbólicas correlacionadas: metáfora, analogia entis e representações artísticas de Deus. Isso é muito importante.

Uma das críticas mais frequentes às representações de Cristo diz respeito à possibilidade de correspondência exata entre a maneira como ele é desenhado, pintado, esculpido na arte cristã e o protótipo concreto, aquele judeu de Nazaré da Galileia no século I da nossa era, conforme visto pelos seus contemporâneos ao longo da vida, particularmente nos últimos anos.

Uns alegam que ninguém sabe como Jesus era exatamente, então seria fútil representá-lo. Outros, indo um pouco além, dizem que, como não sabemos, toda representação que fizermos será inferior ao original e, portanto, o desonrará. Por fim, mais recentemente, as pessoas têm tido problema com certas representações europeias e particularmente renascentistas, que não corresponderiam ao fenótipo médio-oriental do semita Jesus, mas serviria apenas para reproduzir padrões culturais eurocêntricos. (Quem traz esse argumento geralmente ignora a iconografia bizantina ou etíope, por exemplo, e, na verdade, a arte cristã durante a maior parte da história.)

De todo modo, esse tema toca em algo central: a correspondência entre o representante e o representado, correspondência que sempre presume a inferioridade aceitável do representante em relação ao representado. Se houvesse identidade do representado, a representação seria totalmente imprestável. Representamos as coisas precisamente porque elas escapam a representação. Toda representação adequada tem em sua natureza um paradoxo.

Quando recitamos o salmo e dizemos “tu, Senhor, és o meu escudo”, a metáfora do escudo presume que Deus seja representado (imaginativamente) através de um objeto que, como qualquer outro, lhe é infinitamente inferior. Mais grave ainda: é inferior não só a Deus, mas mesmo a nós, que construímos a representação. Enquanto peça militar, não há correspondência direta e unívoca entre um escudo e Deus, mas há uma semelhança (num mar de diferença), às vezes chamada de hoje de “ponto de comparação”, que permita que a metáfora funcione de modo conveniente. A Escritura Sagrada, ao empregar continuamente a metáfora para descrever Deus, ou descrever nossa experiência diante de Deus, presume que haja uma semelhança possível entre a criatura e o Criador.

Portanto, a metáfora (no universo semântico) presume uma semelhança (no mundo metafísico), e essa relação de semelhança em meio à diferença, entre os seres e Deus, é o que se chama de analogia entis, analogia do ser. Ao ponto de comparação poético-comunicativo corresponde um “ponto de contato” ontológico (Anknüpfungspunkt) pelo qual Deus possa ser comparado.

Nesse sentido, qualquer tentativa de tornar a mensagem cristã inteligível à pessoa humana de hoje presume uma transmissibilidade, uma analogia, uma semelhança, que seja comunicável em linguagens diferentes. Rejeitar as representações artísticas de Deus e rejeitar a analogia entis é rejeitar, na base, a possibilidade de qualquer comunicação a respeito de Deus.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Via Remotionis

Toda verdadeira ciência procura o universal por trás do particular, a unidade subjacente à multiplicidade. Os muitos experimentos e comparações servem para averiguar, da maneira mais precisa possível, os traços e propriedades dos entes, não só distinguindo-os das circunstâncias acidentais, mas também assinalando a maneira como os entes se comportam em meio a elas. É um trabalho de remoção daquilo que é mais exterior aos entes, para uma descrição do mundo.

Um passo além é dado quando nos perguntamos, não mais pelas características dos entes, mas por aquilo que é sua essência, sua natureza mais íntima, aquilo que cada coisa necessariamente é, e que não pode deixar de ser sem deixar de existir — o momento em que existência se confunde com a essência. O que é, quid est, ti estin — esse é o terreno da metafísica, que não para nas essências dos entes, mas chega mesmo a perguntar por aquilo que todos os entes têm em comum enquanto entes, os “universais” dos universais, o Um, o Verdadeiro, o Bom, o Belo — os transcendentais —, assim como o desaparecimento dessas coisas no não-ser. Esse processo abstrativo é, também, uma forma de remoção.

Mas é possível ir além. Quando removemos desses transcendentais todos os traços da existência entitativa múltipla, removendo os próprios entes e contemplando sua identidade profunda, chegamos ao Absoluto, ao Infinito, ao Supra-Essencial, no qual todos vivemos, nos movemos e somos, que é a raiz última dos entes e que, mesmo que não idêntica a eles, não obstante lhes dá o ser por participação. O Absoluto é tão infinitamente removido de tudo o que compreendemos que nosso pensamento só sabe dele esse percurso de remoção, esse movimento eterno, do qual só temos notícia dizendo o que ele não é — que não é finito, que não é temporal, que não é composto, que não é limitado —, e que, embora ele não seja o não-ser, nosso pensamento, ao se dirigir a ele, reconhece apenas a Luz Infinita tão imensa e insuportável que nos parece o mesmo que a escuridão.

Nesse momento, nosso único caminho, nossa “via de remoção”, agora já começa a falhar — pois o Infinito é Um, o Um é múltiplo, a diferença é semelhança, e só nos resta o conhecimento tácito de nossa experiência de delumbramento, tremor e “thambos” a dilatar nosso espírito ante o Bem Supremo que nos atrai supremamente.

Todo esse percurso de remoção é uma caminhada do mais profano ao Sagrado Absoluto, o Santo dos Santos da existência, afastado de tudo e contendo tudo.

Rev. Gyordano M. Brasilino

O Fogo Purificador (Santa Macrina e São Gregório de Nissa)

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade.” (Atos 3:19–21)

A despeito do fato de que nós hoje — corretamente — nos preocupemos com uma imagem de violência divina que sirva para justificar e inflamar a violência humana, ainda assim devemos procurar aquela verdade profunda subjacente às palavras de que o Senhor “açoita a todo filho a quem recebe… a fim de sermos participantes da sua santidade”. A imagem é de uma sociedade em que o castigo físico como expiação e reforma era comum — como vemos no livro de Provérbios —, mas não precisamos nos deter nela. Embora nem todo sofrimento seja, a priori, imediatamente benéfico, deve haver um lugar para o sofrimento na nossa própria transformação.

São Gregório de Nissa, guiado por sua mestra e irmã, Santa Macrina, é levado a contemplar os mistérios da salvação e da condenação, da bondade e da severidade de Deus, numa perspectiva escatológica. Como é bem sabido, eles acreditavam na salvação última de todas as pessoas, a apocatástase. Essa doutrina parte de várias premissas, dentre as quais está a teoria restaurativa e transformadora da pena — que não apenas crê que Deus açoita a todos a quem recebe como filhos, mas recebe como filhos a todos a quem açoita, e cuja dor é intrínseca (causada pelo pecado) e não extrínseca (causada por Deus) —, assim como uma metafísica mística que, por colocar Deus na raiz de todas as criaturas, não consegue não conceber o fim como um retorno de tudo à origem e, portanto, o fim do mal, quando Deus será “tudo em todos”. Nessa concepção, Deus, por ser Deus, não pode eternizar a “existência” do mal. Os místicos universalistas, como Juliana de Norwich e William Law, têm muito em comum.

Não é preciso concordar de todo com a tese da salvação universal para admirar a beleza do modo como Santa Macrina e São Gregório descrevem a resolução última do drama universal. Mas é claro que somente aqueles que acreditam em algum tipo de purificação após a morte — seja num purgatório mais modesto ou mais guloso — serão capazes de aceitar algo assim. Nesse caso, há muitas semelhanças com o purgatório de Santa Catarina de Gênova e de C. S. Lewis. Em nível último, sem algum tipo de pena purificadora (ao menos para parte dos pecadores), o que temos é a prevalência da punição pena punição.

“Uma vez que toda natureza atrai para si aquilo que lhe é afim, e o homem é em certo sentido afim a Deus já que tem em si a imitação do arquétipo, a alma não pode não ser arrastada em direção ao divino por aquilo que lhe é afim; com efeito, é preciso que seja inteira e absolutamente reservado para Deus aquilo que lhe pertence. Se, portanto, a alma é leve e pura, sem nenhum fardo corporal que pede sobre ela, a sua ascensão em direção Àquele que a atrai é agradável e fácil. Mas levantamos a hipótese de que esta seja trespassada pelos pregos da afeição pelas coisas materiais. Nos desastres provocados por terremotos, os corpos esmagados pelos escombros são destinados a sofrer uma semelhante sorte. Suponhamos que esses não somente sejam sufocados pelas ruínas, mas que sejam também trespassados pelos pais e pelos pedaços de madeira que se encontram nos escombros. É fácil intuir os sofrimentos que tocam aos corpos que se encontram nesse estado, quando os seus próximos os retiram das ruínas para sepultá-los santamente: esses são todos pesados e reduzidos a pedaços e sofrem as penas mais atrozes, laceradas pelos escombros e pelos pregos sob o efeito de uma tração violenta. Parece-me que análogo sofrimentos prove também a alma, quando a potência Divina, impelida pelo seu amor em favor dos homens, deseja extrair aquilo que lhe pertence dos escombros representados pela irracionalidade e pela matéria. Na minha opinião, Deus, que exige em restituição e atrai para si tudo aquilo que nasceu graças a ele, não inflige aos pecadores as dores porque os odeia ou queira puni-los pela sua má vida: ele se limita a atrair a alma para si, a fonte de toda bem-aventurança, em vista de um bem superior; mas aquele que é arrastado não pode não tocar a dor.
Como quem deseja eliminar com o fogo o material que se encontra misturado com ouro não pode limitar-se a fundir este material espúrio, mas é constrangido a fundir juntamente também o ouro puro, que permanece enquanto o primeiro se consuma, assim, enquanto mal é consumido pelo fogo inextinguível, a alma também, unida ele, está necessariamente no fogo, até que os elementos espúrios e materiais que foram semeadas nela sejam eliminados e consumados pelo fogo eterno…
…O mal deve ser de fato de todo eliminado do ser: como se disse antes, o não-ser não pode existir. Uma vez que o mal não pode, por natureza, existir fora do livre arbítrio, quando o livre arbítrio se encontra em Deus, o mal irá ao encontro da total destruição porque não lhe resta mais nenhum receptáculo.” — A Alma e a Ressurreição IV

“… Quanto à diferença entre uma vida segunda virtude e uma vida segundo vício, ela aparecerá sobretudo na vida futura, onde a participação na felicidade esperada será mais rápida ou mais tardia. Com efeito, a medida do mal sobrevindo em cada um corresponderá perfeitamente a duração mesmo da cura. A cura da alma consiste na purificação do mal; e esta, como se provou precedentemente, não poderá realizar-se sem um estado de sofrimento…
Mas a vida virtuosa conhecerá em razão do mal as seguintes diferenças: aqueles que nesta vida se cultivaram por meio da virtude se tornam logo uma espiga perfeita; mas aqueles em que o mal tornou débil e exposta aos danos do vento nesta vida a potência contida na semente psíquica — isto, segundo sábios nesses assuntos, costuma acontecer às chamadas sementes duras — mesmo se [um dia] ressurgirem, serão tratados pelo juiz com grande severidade, porque não tiveram força para reencontrar a forma da espiga e se tornarem o que precisamente éramos antes da queda sobre a terra… Quando todas as ervas bastardas e estranhas forem separadas da planta genuína e levadas a destruição pelo fogo que consome o elemento exterior à natureza, então a natureza desses seres também prosperará e produzirá os seus frutos maduros reassumindo, depois de um longo período, a forma comum a todos os homens, que Deus imprimira em nós no início… As paixões produzidas pelo mal se a bola hein dificilmente da alma, uma vez que se encontram misturadas com ela em sua totalidade, tendo crescido com ela e formado uma só coisa com ela ponto quando, portanto, Os seres desse gênero foram eliminados e destruídos pela cura do fogo, cada uma dessas realidades cuja noção tem um conteúdo positivo vir a tomar o lugar: a incorruptibilidade, a vida, a honra e a Graça, a glória, a potência, e toda a outra realidade desse gênero que, segundo nossas conjecturas, se possa contemplar ao mesmo tempo em Deus mesmo e em sua imagem, que é a natureza humana.” — A Alma e a Ressurreição VI

“Entretanto, como para o corpo há diferentes enfermidades, das quais algumas se prestam mais facilmente à cura e outras com maior dificuldade, e para essas últimas se recorre às incisões, às cauterizações, às porções amargas para eliminar os males que se abateram sobre o corpo, do mesmo modo tratamentos análogos nos são anunciados pelo juízo futuro para cura das enfermidades da alma, e isto, para os mais frívolos, é ameaça e método de correção severos, a fim de que o temor de uma expiação dolorosa nos faça tornar-se sábios e nos leve a fugir do mal; mas para aqueles que são mais sensatos, a fé assegura que é uma cura e um tratamento salutar da parte de Deus que deseja reconduzir a sua criatura à graça originária.

Com efeito, aqueles que eliminam com incisões ou mediante cauterização assistências e as verrugas que se formaram no corpo contra a natureza, não conseguem uma cura sem dores ao beneficiário do tratamento; mas, ao menos, não praticam a incisão para causar um dano ao paciente; assim também todas as excrescências materiais que se formaram em nossas almas tornando-as canais sobre efeito de sua participação nas mais de exposições do corpo, são, no tempo oportuno daquele juízo, cortadas e eliminadas por aquela inefável sabedoria e pela potência daquele que, segundo Evangelho, é médico dos pecadores: ‘Não são de fato, diz ele, os sãos, que têm necessidade do médico, mas os doentes.’” — A Grande Catequese VIII, 10–11


“Quando o ouro se mistura a uma matéria menos valiosa, os ourives eliminam com a ação do fogo o elemento estranho e sem valor, devolvendo à matéria mais nobre seu esplendor natural. Todavia, esta separação não sucede sem labor, pois o fogo, com sua força de consumação, necessita de tempo para fazer desaparecer o elemento impuro; aliás, é uma espécie de tratamento aplicado ao ouro, o fato de fundir o elemento que está contido no outro e que altera sua beleza.
Pois da mesma maneira, visto que a morte, a corrupção, as trevas e tudo o que é engendrado pelo mal estão estreitamente unidos ao inventor do mal, a aproximação da potência divina provoca, como o fogo, a destruição do elemento contrário a natureza e, graças a esta purificação, mostra-se salutar para a natureza, por mais penosa que seja a separação. Por conseguinte, tampouco o adversário poderia duvidar de que se trata de um processo justo e salvífico, se chegasse a compreender o benefício que disto resulta.
Ora, precisamente, como aqueles que suportam a terapia a base de cortes e de cauterizações se irritam contra os médicos em razão da dor aguda provocada pelo corte, mas, quando, graças a esses meios, recuperam a saúde e desaparece a dor da cauterização, então terão gratidão por quem os curou; da mesma maneira, uma vez que, após o longo transcorrer dos tempos a natureza foi libertada do mal (do mesmo modo que agora está mesclado e cresceu com ela), quando se cumprir o retorno à condição originária daqueles que agora estão sujeitos ao mal, se erguerá uma sinfonia de ação de graças de toda a criação, seja daqueles que foram castigados com essa purificação, seja da parte de quem não tiver necessidade de purificação.
Esses ensinamentos e outros do mesmo gênero nos transmitem o grande mistério da Encarnação divina. Graças a sua mescla com a humanidade, assumindo todas as particularidades próprias da natureza humana, o nascimento, a educação e o crescimento, e atravessando inclusive a prova da morte, Deus cumpriu tudo o que foi dito anteriormente, libertando o homem da maldade e curando o próprio autor da maldade. Com efeito, curar uma enfermidade é fazer desaparecer a doença, ainda que à custa de sofrimento.” — A Grande Catequese XXVI, 6–9

“…constituindo toda a natureza como um só ser vivo, a ressureição de um membro se estende a todo o conjunto, e da parte se comunica ao todo em razão da continuidade e unidade da natureza.” — A Grande Catequese XXXI, 4

“Ora, o que corresponde ao ouro impuro é o forno de fundição; assim, uma vez fundida toda a maldade que se tinha misturado a esses pecadores, sua natureza, já purificada depois de longos séculos, será reconduzida a Deus sã e salva. Por conseguinte, visto que há certa força purificadora no fogo e na água, aqueles que lavaram a mancha da maldade mediante a água sacramental não necessitam de outra forma de purificação; aqueles, ao contrário, que não são foram iniciados nessa purificação, necessariamente deverão ser purificados pelo fogo.” — A Grande Catequese XXXV, 15

Rev. Gyordano M. Brasilino

A Beleza está nos olhos de Deus

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Observava nas belezas o Belíssimo e, pelos vestígios impressos nas coisas, perseguia por toda parte o Amado, fazendo de tudo uma escada para si, para subir à apreensão daquele que é todo desejável. — São Boaventura, Legenda Maior Sancti Francisci, IX, 1, 7

A beleza do mundo consiste inteiramente de doces consonâncias mútuas, quer dentro dele mesmo, quer com o ser supremo. Quanto ao mundo corpóreo, embora haja muitas outras formas de consonâncias, ainda assim a sua beleza mais doce e mais encantadora é sua semelhança com as belezas espirituais. A razão é que as belezas espirituais são infinitamente as maiores, e, não sendo os corpos senão sombras de seres, eles são tão mais encantadores quanto mais espelham as belezas espirituais. Essa beleza é peculiar às coisas naturais, ultrapassando a arte dos homens. Jonathan Edwards, A Beleza do Mundo

A modernidade torna o homem a medida de todas as coisas, o centro mesmo do universo. Colocado em um trono que não deveria ocupar e para o qual jamais estaria preparado, de fato um trono ilusório, o homem é incapaz de dar sentido a si mesmo e ao que o cerca, de colocar todas as coisas em uma ordem consistente; a nossa modernidade não é líquida, mas flácida. Privado de Deus e de todos os valores mais altos, o homem se vê também privado de sua própria alma, se vê reduzido a uma máquina, pronta para encarnar quaisquer diferentes finalidades de quem a controla. Continue lendo “A Beleza está nos olhos de Deus”

A Fé Cristã e as Religiões do Mundo

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Em sua morte em 1825, Saint-Simon deixou incompleto um diálogo sobre O Novo Cristianismo, no qual reconstrói a fé cristã segundo as aspirações do Iluminismo, numa proposta não tão diferente da de Kant: a religião se constituiria essencialmente num moralismo da razão pura — uma ética demitizada, burguesa e humanista —, capaz de unir os homens numa nova solidariedade. Diferente de Kant, a proposta do francês não carrega o menosprezo pietista pelo ritual, que acaba aliciado. Continue lendo “A Fé Cristã e as Religiões do Mundo”

Amor Impassível

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“Confiai no Senhor perpetuamente;
porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.”
(Isaías 26:4)

Deus não muda. Por toda eternidade, desde sempre e para sempre, Deus é o mesmo. Nada há que o possa mover em qualquer direção. Não obstante, quando olhamos para o Gólgota, não vemos essa impassibilidade; vemos o Deus Crucificado que, entre o sangue e o vinagre, sofre injustamente nas mãos dos que o laceravam. Seria isso mesmo possível? Continue lendo “Amor Impassível”