Dez ensinamentos da Bíblia negligenciados no mundo evangélico


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A fidelidade dos evangélicos à Sagrada Escritura às vezes é frustrada por certa reticência em confessar aquilo que ela mesma ensina de modo claro e distinto sobre diferentes assuntos. Essas palavras não atingem a totalidade dos evangélicos, mas atingem em cheio certo tipo de evangelicalismo inculto de origem americana. Penso que a maioria dos evangélicos brasileiros, especialmente os de igrejas mais recentes, é atingida em ao menos um destes dez ensinamentos bíblicos.

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Cristo e o Mundo da Inveja

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“Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado.” Marcos 15:10

É comum que as descrições da morte de Jesus foquem em dois planos, o histórico e o teológico, cuidadosamente distinguidos e nestorianamente separados. No plano histórico, foi a morte de um profeta galileu, com pretensões messiânicas, após desafiar as autoridades político-religiosas de Jerusalém, padecendo então uma morte de escravo. No plano teológico, Deus entregou seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, o qual, no seu sangue, realiza a expiação pelos pecados de todo o mundo. Continue lendo “Cristo e o Mundo da Inveja”

Pecados mais graves

Ecce Homo (Jesus e Pilatos)

Quem desconhece o passado está fadado não apenas a repetir os erros antigos, mas também a ignorar a sabedoria antiga e cometer erros novos. Por algum motivo incrível que me escapa, tornou-se comum entre os evangélicos a crença de que todos os pecados são iguais, de que nenhum é mais grave que outro, como um tipo de mantra óbvio que dispensa qualquer justificativa — e normalmente não é acompanhado por nenhuma. Pois não se encontrará nenhum texto da Sagrada Escritura que nos diga que todos os pecados são iguais em gravidade. Continue lendo “Pecados mais graves”

Orações impedidas

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“Então, chamarão ao SENHOR, mas não os ouvirá; antes, esconderá deles a sua face, naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras.” (Miquéias 3:4)

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (I Pedro 3:7)

Eu tenho um problema sério em ver, como algumas pessoas, um conflito entre a misericórdia e a justiça de Deus. Não consigo imaginar nada mais justo do que a misericórdia de Deus. É justo socorrer o necessitado, e essa é precisamente a definição de misericórdia. A confissão do Sl. 62:12 é exemplar: “A ti também, Senhor, pertence a misericórdia; pois retribuirás a cada um segundo a sua obra.” Continue lendo “Orações impedidas”

A Tentação de Cristo

Jesus no deserto

“Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.” (Hebreus 2:17-18)

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.” (Hebreus 4:15)

Assim como o ferro se une ao fogo sem mudar sua natureza, a humanidade de Cristo é unida à sua divindade, preservando-se distintas ambas naturezas na mesma subsistência. Mas o metal torna-se incandescente por sua união com o fogo, ele brilha e queima, sem deixar de ser o que é. Essa analogia é uma das mais belas imagens da patrística, usada por João Damasceno no livro III do De Fide Orthodoxa. Continue lendo “A Tentação de Cristo”

Por que Jesus foi batizado por João?

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“Por esse tempo, dirigiu-se Jesus da Galiléia para o Jordão, a fim de que João o batizasse.” (Mateus 3:13)

O batismo de Jesus por João Batista é bastante embaraçoso. O profeta pregou “o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados” (Lc. 3:3) e as pessoas eram batizadas “confessando os seus pecados” (Mt. 3:6). Ora, os primeiros cristãos, assim como os atuais, acreditavam que Jesus jamais cometeu qualquer pecado, mas que era o santo Filho de Deus. Os quatro evangelhos mencionam o batismo de Jesus por João Batista (o Evangelho de João o menciona apenas indiretamente), mas somente Mateus dá uma explicação parcial. Continue lendo “Por que Jesus foi batizado por João?”

Mitos evangélicos sobre conversão

Semeador - Van Gogh (cortado)

“Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.” (Marcos 4:30)

Um mito persistente na pregação evangélica é o de que é necessário, para a conversão, fazer uma “oração de conversão” ou “oração do pecador”. A Bíblia desconhece a prática de uma oração de conversão ou oração do pecador, que se tornou tão onipresente no evangelicalismo americano e brasileiro. Continue lendo “Mitos evangélicos sobre conversão”