“Soli Deo Gloria” serve para quê?


O princípio “Soli Deo Gloria” é um princípio plenamente bíblico. Afinal, Deus diz, na voz do profeta: “…a minha glória, pois, a outrem não darei…” (Is 42:8; 48:11). Uma vez que que todas as coisas são dele, por ele e para ele, a glória deve ser dada a ele eternamente (Rm 11:36). As doxologias do Apocalipse e do restante do Novo Testamento carregam o mesmo sentimento. Fomos criados para a glória de Deus (Is 43:6-7). Por isso, a glória dada a Deus deve permear nosso comportamento (1Co 10:31).

Essa glória certamente é exclusiva. Mas o que isso significa? Se ela é exclusiva, a quem ela exclui? Na Bíblia, ela exclui o culto aos deuses. O contexto do Segundo Isaías, no qual aparecem as sentenças mencionadas acima, é o do conflito de Javé com um povo que havia se acostumado a cultuar divindades pagãs no Exílio. Deus não divide sua glória com os deuses e ídolos das nações.

Por outro lado, essa glória não exclui o povo de Deus. Num outro momento, a mesma literatura profética fala do destino da Jerusalém redimida: “…sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti… eu tornarei mais gloriosa a casa da minha glória…” (Is 60:2,7). O Templo é a casa da glória divina, o lugar em que essa glória reside. Deus visualiza sua própria glória entre o seu povo.

Numa leitura cristã, na qual a Igreja é o Templo de Deus, isso significa que Deus coloca sua glória e resplendor nos seus santos. Assim, é natural que o Novo Testamento veja os cristãos como “participantes” da glória de Deus (1Pe 5:1), que veja os redimidos como glorificados por Deus (Rm 8:30), que trate o crescimento dos apóstolos como um resplandecer de Cristo “de glória em glória” neles. Nesses casos, Deus partilha, sim, sua glória.

Por isso: “…diante de ti se prostrarão e te farão as suas súplicas, dizendo: Só contigo está Deus, e não há outro que seja Deus.” (Is 45:14); “…diante de ti se inclinarão com o rosto em terra e lamberão o pó dos teus pés…” (Is 49:23); “…prostrar-se-ão até às plantas dos teus pés… eu te constituirei glória eterna…” (Is 60:14-15); “eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.” (Ap 3:9).

Em toda essas coisas, Deus é glorificado, o único plenamente glorificado. Por isso, nesses casos, a glória de Deus não é dividida, porque os homens vivem para a glória de Deus. De fato, Deus ama dividir sua glória com quem não quer glória para si.

Rev. Gyordano M. Brasilino

Honrar os santos é idolatria?

Minha publicação (5)

Honra é um elemento muito importante da fé cristã. Não apenas aprendemos a honrar pai e mãe, mas também honrar as autoridades (Rm 13:7; 1Pe 2:17), honrar o cônjuge (1Pe 3:7), as viúvas (1Tm 5:3), os anciãos (Lv 19:32). Honrar os que temem o Senhor é uma virtude elogiada (Sl 15:4). Paulo disse que Epafrodito deveria ser recebido com honra em razão de sua fidelidade a Cristo (Fp 2:25-30); do mesmo modo, o rei Ezequias foi honrado em sua morte (2Cr 32:33). De fato, as Escrituras dão amplitude máxima à honra: “Honrai a todos.” (1Pe 2:17a). Se isso não significa que todos devem receber as mesmas honras — pois não podemos mentir enquanto honramos —, certamente significa que honrar é um dever. Não honrar é violar um mandamento, é pecar. Continue lendo “Honrar os santos é idolatria?”

Reverência

orar

“A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra.” (Is. 66:2b)

Deus é santo. Como Walter Brueggemann diz em sua Teologia do Antigo Testamento, provavelmente a única expressão literal no A.T. para caracterizar a Deus é essa palavra: santo. Todas as outras palavras aplicam-se a outras coisas; se dissermos que Deus é poderoso, ou que é grande, ou que é pai, dizemos a verdade, mas apenas como semelhança. Deus é poderoso, o rei é poderoso, mas ambos não no mesmo sentido. Deus é grande, a montanha é grande, mas não no mesmo sentido. Há aí uma relação de semelhança. Continue lendo “Reverência”