Dois mitos sobre os livros deuterocanônicos

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“Deste modo, raciocinam os maus, mas eles estão enganados; estão cegos por causa da sua maldade” (Sabedoria 2:21)

As pessoas raramente sabem do que estão falando quando opinam sobre algo que escapa a a experiência (imediata). Também acontece de estarem erradas sobre aquilo que é de sua experiência; ainda assim, surpreende o abismo que há entre o desejo de opinar e o interesse de buscar os fatos na sua raiz. Continue lendo “Dois mitos sobre os livros deuterocanônicos”

Vãs repetições? — Um erro de tradução em Mt. 6:7

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“Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras.” (Eclesiastes 5:2)

O que às vezes escandaliza no discurso de muitos evangélicos sobre oração é a falta de realismo. Enquanto se sabe e se afirma o “Orai sem cessar” (1Ts. 5:17), é comum que ele venha acompanhado de uma obrigação que o impossibilita: o dever da oração espontânea. Não é possível a um ser humano ser espontâneo sempre; há quem tenha maior facilidade, outros (como eu mesmo) têm maior dificuldade. Além disso, admita-se ou não, com o passar do tempo as orações ficam todas bastante iguais; você pode perceber que tipos de repetições certas pessoas sempre fazem, quando oram. Continue lendo “Vãs repetições? — Um erro de tradução em Mt. 6:7”

O Inferno é separação? — Um erro de tradução em 2Ts. 1:9

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É freqüente na pregação popular a imagem do Inferno como um “afastamento” em relação a Deus. Tanto entre católicos romanos quanto entre protestantes, essa idéia encontra aceitação quase universal no Ocidente. O afresco do Juízo Final, de Michelangelo, captura essa concepção ocidental: o Senhor advindo sobre as nuvens executa seu juízo por meio de anjos, reunindo para a si os salvos e lançando na condenação os perdidos. Os únicos a rir, de fato, são os demônios, no canto inferior direito (a esquerda de Cristo). Eles parecem ser castigadores, não castigados. Continue lendo “O Inferno é separação? — Um erro de tradução em 2Ts. 1:9”

Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino

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“Alguns novos teólogos negam o pegado original, que é a única parte da teologia cristã que pode ser realmente provada. Alguns dos seguidores do Reverendo R. J. Campbell, em sua espiritualidade quase exagerada, admitem a impecabilidade divina, que eles não são capazes de ver nem em seus sonhos. Mas eles essencialmente negam o pecado humano, que eles podem ver na rua.” (G. K. Chesterton)

A noção de Pecado Original é uma das doutrinas mais polêmicas na história da Igreja, especialmente quando foi primeiramente formulada por Agostinho de Hipona (354–430), mas também no princípio da Reforma Protestante — com formulações radicais pela maioria dos reformadores e, do lado Romano, o estabelecimento de um dogma “completo” do Pecado Original no Concílio de Trento (mas recuperando o Concílio de Orange de 529) —, assim como na teologia racionalista entre os séculos XIX e XX, que assumia uma opinião bastante otimista sobre a natureza humana. Continue lendo “Pecado Original sem Culpa Herdada — Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino”