A Santíssima Trindade | Resumão

– É a doutrina mais importante da religião cristã.

– A doutrina da Trindade pode ser demonstrada usando a Bíblia, mas não está toda explícita.

– Uma mesma essência divina, três pessoas consubstanciais (Fórmula Capadócia). Não confundir as pessoas, nem separar a essência (natureza divina).

– Não são três partes de Deus. Cada pessoa é a natureza divina inteira.

– O Pai é ingerado e o princípio eterno da divindade. O Filho é gerado eternamente do Pai. O Espírito procede do Pai através do Filho. Essas relações (paternidade, filiação, processão) distinguem as pessoas incriadas. Sem isso, a doutrina colapsa no modalismo.

– Na Trindade, há uma só essência, uma só divindade, um só poder, uma só vontade, uma só energia, um único princípio, uma única autoridade, um único domínio, uma única soberania. Não há subordinação eterna na Trindade.

– A palavra “pessoa” equivale a “hipóstase” ou “subsistência”. Tem sentido metafísico. Não faz referência à psicologia da pessoa humana. Não há três mentes independentes em Deus, mas uma mente infinita (sem prejuízo da Encarnação), que é predicada de cada pessoa.

– A Trindade Imanente (Ontológica) indica quem e o que Deus é. A Trindade Econômica é como Deus age e se revela às criaturas, particularmente na criação e na redenção. Em razão disso, certas atividades e predicados, mesmo pertencendo aos três, são mais apropriadas a uma das pessoas.

– Há várias analogias úteis para a Trindade. Mas nenhuma criatura é exatamente como a Trindade.

– As pessoas da Trindade são coinerentes e inseparáveis; suas obras exteriores são indivisíveis. Opera trinitatis ad extra indivisa sunt.

Rev. Gyordano M. Brasilino

A Simplicidade Divina Absoluta

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“Pois assim como Deus é o Ser infinitamente maior, assim também concordamos que ele é infinitamente o mais belo e excelente: toda a beleza por toda a parte da criação é somente o reflexo dos feixes difusos daquele Ser infinitamente brilhante e glorioso.” Jonathan Edwards, The Nature of True Virtue

“Nuvens e escuridão o rodeiam…” Salmo 97:2

Nada há de concreto neste mundo que sejamos realmente capazes de compreender. Os detalhes e minúcias dos menores fragmentos do mundo escapam da nossa sutileza, a grandeza do Universo excede nossa visão. De fato, não entendemos plenamente nem a nós mesmos, e quase nada dos nossos semelhantes. Continue lendo “A Simplicidade Divina Absoluta”

Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto

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Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. João 6:47

Em um sentido, Cristo sozinho realiza a condição para nossa justificação e salvação. Em outro sentido, a fé é condição de nossa justificação, e, em outro sentido, outras qualificações e atos também são condições da salvação e justificação. Jonathan Edwards, Justification by Faith Alone

Os ensinos das Sagradas Escrituras resistem a simplificações. O próprio Deus é infinitamente imanente e infinitamente transcendente às criaturas, sendo igualmente aquele em quem “vivemos, e nos movemos, e existimos” e aquele que “habita na luz inacessível”. Para nós, essas realidades são paradoxais, misteriosas e desconcertantes. O Deus revelado não é desconhecido apenas, mas desconhecido de maneiras que sequer podemos imaginar. Por outro lado, como a criatura reflete o Ato Criador, por toda parte a névoa do Altíssimo se faz notar. Nada há do real que possamos compreender inteiramente. Continue lendo “Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto”

Eucaristia e Pericorese na Tradição Joanina

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“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.” (João 17:20-23)

Na teologia trinitária, pericorese é a mútua imanência e habitação entre Pai, Filho e Espírito Santo, a co-inerência e co-atividade entre as subsistências divinas. A doutrina da pericorese repercute as reflexões patrísticas sobre as Escrituras da tradição joanina e, particularmente, sobre o Evangelho de João. É no Quarto Evangelho, especialmente nos Discursos de Despedida (14–17), que essa vida trinitária mais aparece. Quando Filipe pede para ver o Pai, Cristo lhe responde que eles já viam ao Pai no Filho: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim” (Jo. 14:11a). Continue lendo “Eucaristia e Pericorese na Tradição Joanina”