Ceia do Senhor com açaí e tapioca? De jeito nenhum!

Valentin de Boulogne - A Última Ceia

“Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.” (1Coríntios 10:17)

No meio evangélico, quando o tema é o trabalho missionário transcultural, é comum que se fale da tal “Ceia” celebrada açaí, tapioca, beiju ou qualquer outra coisa além daquilo que Cristo instituiu: pão e vinho. Na internet há vários textos sobre isso, aprovando ou censurando, e dificilmente se poderia acrescentar algo além do óbvio: Jesus instruiu os apóstolos a fazerem o mesmo que ele fez, isto é, abençoar o pão e abençoar o vinho. Havia mais comida à mesa, mas Jesus foi específico.

É realmente um escândalo que herdeiros da Reforma Protestante aceitem modificações na Ceia do Senhor; uma das preocupações dos reformadores foi retornar à prática instituída por Jesus, visto que a prática da Igreja no fim da Idade Média era de administrar aos leigos apenas o pão.

Num texto anterior, escrevi contra o Princípio Regulador do Culto e a favor do Princípio Normativo (leia aqui). O PRC diz: deve-se fazer apenas o que Deus estabeleceu. O PNC diz: deve-se fazer tudo o que Deus estabeleceu. Obviamente, ambos os princípios proíbem varições naquilo que é essencial à Ceia. Para ambos os princípios, substituir o pão e o vinho na “Ceia” por outra coisa é fogo estranho, uma violação da ordem estabelecida por Deus.

Pois bem, tudo isso já se lê por aí, numa forma ou noutra. Mas as palavras de Jesus invalidam a justificativa dos defensores do fogo estranho. O raciocínio deles é de que a Ceia do Senhor deve ser uma representação simbólica daquilo que Jesus disse e fez, e que Jesus teria usado pão e vinho apenas por estarem disponíveis à mesa; assim, a Igreja poderia substituir por qualquer outro elemento, desde que se preservasse a mesma “mensagem”. Isso é o que diz o zuinglianismo dos defensores do fogo estranho.

O que o Senhor disse passa despercebido, especialmente quando há o costume de se usar o texto paulino na celebração, em vez dos evangelhos. Suas palavras: “Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus.” (Mc. 14:25) Segue-se que a Ceia tem como referência não apenas o acontecido entre Jesus e os apóstolos na noite em que ele foi traído, mas também o evento escatológico; não é apenas uma repetição daquilo que Jesus fez, mas também uma preparação para aquilo que Jesus fará. A Ceia aponta para a Consumação, e não se pode argumentar que na Consumação os elementos “simplesmente estavam disponíveis”.

G. M. Brasilino

4 comentários em “Ceia do Senhor com açaí e tapioca? De jeito nenhum!

  1. “Os Artigos de Religião afirmam a necessidade de, em obediência ao que está prescrito pelas Escrituras, celebrarmos a Ceia com ambos os elementos: o pão e o vinho, nem só o pão (Igreja de Roma), nem pão e suco de uva (prática que apareceu na Igreja Metodista dos EUA no século XIX), são condenados os que participam indignamente ou sem fé, e afirma-se que a fé e o caráter do celebrante não afetam o Sacramento devidamente administrado e devidamente recebido.” Dom Robinson Cavalcanti, Bispo Anglicano

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