Dez ensinamentos da Bíblia negligenciados no mundo evangélico


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A fidelidade dos evangélicos à Sagrada Escritura às vezes é frustrada por certa reticência em confessar aquilo que ela mesma ensina de modo claro e distinto sobre diferentes assuntos. Essas palavras não atingem a totalidade dos evangélicos, mas atingem em cheio certo tipo de evangelicalismo inculto de origem americana. Penso que a maioria dos evangélicos brasileiros, especialmente os de igrejas mais recentes, é atingida em ao menos um destes dez ensinamentos bíblicos.

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Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto

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Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. João 6:47

Em um sentido, Cristo sozinho realiza a condição para nossa justificação e salvação. Em outro sentido, a fé é condição de nossa justificação, e, em outro sentido, outras qualificações e atos também são condições da salvação e justificação. Jonathan Edwards, Justification by Faith Alone

Os ensinos das Sagradas Escrituras resistem a simplificações. O próprio Deus é infinitamente imanente e infinitamente transcendente às criaturas, sendo igualmente aquele em quem “vivemos, e nos movemos, e existimos” e aquele que “habita na luz inacessível”. Para nós, essas realidades são paradoxais, misteriosas e desconcertantes. O Deus revelado não é desconhecido apenas, mas desconhecido de maneiras que sequer podemos imaginar. Por outro lado, como a criatura reflete o Ato Criador, por toda parte a névoa do Altíssimo se faz notar. Nada há do real que possamos compreender inteiramente. Continue lendo “Solus Paulus: a Vida Eterna como Dom e como Fruto”

Sobre Regeneração

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“Portanto, interpreto o arrependimento com uma palavra: regeneração, cujo objetivo não é outro senão que em nós seja restaurada a imagem de Deus, a qual fora empanada e quase apagada pela transgressão de Adão. (…) Portanto, mediante esta regeneração, somos pela mercê de Cristo restaurados à justiça de Deus, da qual havíamos decaído através de Adão, modo pelo qual ao Senhor agrada restaurar integralmente a todos quantos adota para a herança da vida. E esta restauração, na verdade, não se consuma em um momento, ou em um dia, ou em um ano; antes, através de avanços contínuos, ainda que amiúde de fato lentos, Deus destrói em seus eleitos as corrupções da carne, os limpa de sua imundície e a si os consagra por templos, renovando-lhes todos os sentimentos à verdadeira pureza, para que se exercitem no arrependimento toda sua vida e saibam que não há nenhum fim para esta luta senão na morte.” João Calvino, Institutas III, 3, 19

As metáforas têm um poder incrível de fixar, condensar e até governar nosso pensamento, especialmente quando não atentamos para o que são. Elas criam e povoam todo um mundo imaginário de idéias e símbolos, gerando em nós hábitos de pensamento que, embora pouco adaptados à realidade, interferem em nossa maneira de ler e encarar as Sagradas Escrituras e a fé cristã. O mundo dos profetas, escribas e apóstolos tem suas próprias metáforas e figuras, e elas acabam virando monstros quando inseridas em realidades diferentes sem o devido cuidado. Continue lendo “Sobre Regeneração”

Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.

“Não apagueis o Espírito.” I Ts. 5:19

O século XX mudou o panorama da cristandade de maneira dramática graças ao surgimento do movimento carismático. O movimento não perdeu seu vigor, embora tenha constantemente se adaptado e mudado de ênfase. Qualquer argumento ou crítica que se faça ao carismatismo não pode ignorar que ele foi uma força poderosa na revitalização de um número incontável de comunidades e a uma vivência mais profunda, viva e fervorosa da fé cristã, assim como a possibilidade de novos modelos de missão. Do ponto de vista teológico e doutrinal, o movimento provoca, mesmo em seus adversários, uma preocupação maior e mais saudável com a reflexão acerca da pessoa e ação do Espírito. Continue lendo “Onde estiver o Espírito, ali estará a Igreja: Um elogio do movimento carismático.”

1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo”

Pentecostes El Greco

“Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;” (Efésios 4:5)

“Pois por aquele Espírito, que nós recebemos no batismo, somos todos unidos em um só corpo.” (John Wesley, Notas Explicativas)

A primeira carta de São Paulo aos Coríntios é um dos escritos mais explosivos das Sagradas Escrituras. Para uma Igreja local adoecida pelo pecado obstinado e maculada pela divisão, o Apóstolo apresenta uma poderosa visão de unidade e santidade. Ela é, ao mesmo tempo, a carta mais carismática, a mais sacramental e a mais eclesiológica do Novo Testamento. Ainda que certamente não tenha sido a primeira carta de Paulo dirigida àquela Igreja (1Co. 5:9), ela mereceu a sobrevivência, e por si mesma justifica as quatro marcas da Igreja conforme o Credo Niceno: Una, Santa, Católica e Apostólica. Continue lendo “1Co. 12:13 e o “Batismo no Espírito Santo””

O Espírito Santo não é a sua consciência

Pedro nega Jesus

“Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne;
mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.”
(Romanos 8:5)

A atividade do Espírito Santo na renovação da vida humana é simplesmente maravilhosa. Ele abre os olhos dos nossos corações, aviva nossa alma, capacita-nos a compreender as coisas divinas, conduz-nos ao arrependimento, fortalece-nos continuamente na caminhada, infunde em nós o amor divino, sob cujo influxo transcendemos finalmente a prisão do pecado e da morte. Através dele, nós nos unimos a Cristo, de modo que tudo aquilo que Cristo é, nós recebemos mediante a fé; somos lavados, santificados e justificados em Cristo. A habitação do Espírito em nós é um antegozo do Reino de Cristo e da vida eterna, assim como a fonte da esperança de que somos herdeiros de tudo isso. Continue lendo “O Espírito Santo não é a sua consciência”

Certeza da salvação (II): João Calvino

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“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.” (1 Pedro 1:13)

Continuando o texto anterior (leia aqui), agora nos voltamos para Calvino, cuja doutrina da certeza da salvação é mais famosa. Diferentemente de Tomás, que localiza a certeza da salvação na virtude da esperança, Calvino a coloca na virtude da fé; ainda assim, a diferença não é gritante se lembrarmos que Tomás coloca já na fé o fundamento da esperança, na medida em que a fé tem por objeto o Deus onipotente e misericordioso. Continue lendo “Certeza da salvação (II): João Calvino”