O que é o Concílio Divino?

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E se o Deus Altíssimo estiver cercado de deuses? O Concílio Divino é um traço fascinante da cosmologia das Escrituras Sagradas, presente nelas do primeiro livro até o último, e forma uma rede que conecta fatos aparentemente dispersos como a entrega da Lei de Moisés, a substância espiritual das religiões não reveladas, a realidade dos demônios, a vitória de Cristo sobre principados e potestades na cruz, o reino de Deus e a excomunhão. O título “Concílio Divino” deriva do Salmo 82, provavelmente o mais citado nessa discussão.
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Quem é esta?: A Interpretação do Cântico dos Cânticos

 

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As obras de arte têm uma riqueza muito especial, uma certa transcendência natural: o significado da obra se lança sempre para além da intenção do autor. Ainda que seja danoso desprezar essa intenção do autor inteiramente, ela nunca expressa a totalidade da obra, é só uma janela para um mundo diferente. Quando, sob pressão, Varonese mudou o título da sua Última Ceia para Banquete na casa de Levi, ele condicionou significativamente leitura que fazemos da pintura, mas mesmo assim ele não a controla totalmente. Continue lendo “Quem é esta?: A Interpretação do Cântico dos Cânticos”

Exorcismos, Juramentos e Maldições

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Deus nos confiou a oração como para nos ceder a “dignidade da causalidade”, escreveu Pascal. Ele nos permitiu, em certos momentos, ser agentes de Sua Providência, de maneira a fazer através de nós aquilo que Ele poderia fazer sem nós, como que nos honrando por pura bondade. Deus não quis condenar Abimeleque, que tinha um coração sincero, mas só agiu em seu benefício depois da intercessão de Abraão: “ele é profeta e intercederá por ti” (Gn. 20:7). Deus desejou honrar a oração de Abraão, o mesmo que Ele faz através de nós sempre. Continue lendo “Exorcismos, Juramentos e Maldições”

Eclesiastes e a Confusão do Mundo

Öèôðîâàÿ ðåïðîäóêöèÿ íàõîäèòñÿ â èíòåðíåò-ìóçåå Gallerix.ruO Antigo Testamento dá à Providência Divina o nome de Sabedoria. Ela é a ordem que rege o mundo com propósitos transcendentes. Esses propósitos guiam os acontecimentos, ordenando um tempo para cada (3:1-8). Até mesmo o dia da morte está no controle divino, e nós nada podemos fazer a respeito dele (5:18; 8:8; 9:9). O sábio é aquele que, diferente dos demais, tem acesso à Sabedoria, e por isso ele “conhece o tempo e o modo” (8:5) do que deve acontecer. Continue lendo “Eclesiastes e a Confusão do Mundo”

Batismo e Unção no Antigo Testamento

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O Batismo e a Unção dos Enfermos têm uma raiz firme na liturgia do Antigo Testamento. Neles foram preservados dois importantíssimos elementos daqueles rituais — a água e o azeite de oliva —, assim como o sentido espiritual que comunicam, selam e provocam, especialmente quanto ao perdão dos pecados, que está presente nos ritos da Lei como nesses dois sinais do Novo Testamento (cf. At. 2:38; Tg. 5:14-15). Continue lendo “Batismo e Unção no Antigo Testamento”

O Deus misericordioso do Antigo Testamento

Oséias de Rafael

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Mateus 23:23

O uso do Antigo Testamento pela Igreja é uma das mais profundas e importantes interrogações da teologia cristã. Nas décadas anteriores à escrita dos livros do Novo Testamento, os Oráculos Sagrados dos hebreus foram a primeira Bíblia dos cristãos, como foi a Bíblia de Jesus e dos primeiros discípulos. Mortas as últimas testemunhas oculares da ressurreição de Cristo, em pouco tempo vemos já as celebrações cristãs iniciadas pela leitura das memórias dos apóstolos e dos escritos dos profetas, como nos conta o mártir Justino. Nisso se expressava a fé da Igreja não apenas na continuidade da revelação de Deus entre judeus e cristãos, mas também na continuidade do Deus da revelação, que jamais muda e não mudou entre as duas eras. Continue lendo “O Deus misericordioso do Antigo Testamento”

A terra não é a terra: duas alegorias paulinas

 

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“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.” (II Timóteo 3:16)

“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” (Lucas 24:27)

Um dos traços da exegese bíblica crítica é a rejeição dos antigos métodos alegóricos de interpretação das Sagradas Escrituras. Quando se deparam com os numerosos exemplos de interpretação do Antigo Testamento registrados por autores do Novo Testamento, especialmente os evangelistas sinóticos e o apóstolo Paulo, os inimigos da alegoria reagem sempre do mesmo jeito, alegando que nós não somos Jesus nem os apóstolos, e, por isso, não temos autoridade para interpretar como eles interpretavam. Continue lendo “A terra não é a terra: duas alegorias paulinas”