Predestinação sem Romanos 9

1200px-Oxyrhynchus_209_(p10)[1]Predestinação é um assunto maravilhoso, cheio de mistério e de glória, como deve ser tudo aquilo que envolve o nome do Altíssimo. Como tudo o que envolve o nome do Altíssimo, perde inteiramente seu sabor, seu perfume, quando tentamos imprensá-lo em certas fórmulas, como se tudo fosse inteiramente compreensível, aceitável. Como se tudo fosse inteiramente burguês. As fórmulas são ótimas, atendem a certas necessidades nossas, necessidades de comunicação, de sistema, de identidade grupal, de fé e de busca para a verdade, mas elas nunca, jamais esgotam quem Deus é. Se verdadeiras, elas sempre nos abrem para a imensidão da Sabedoria Divina, que contemplamos em silêncio estupefato.

Quando preciso tratar da questão da predestinação, recorro mais facilmente ao auxílio de textos como João 6:37-44, Atos 13:48, Filipenses 2:12-13 e alguns outros, que nos mostram com bastante clareza a precedência, preveniência e iniciativa da graça de Deus sobre nossa inteira salvação, nos transformando, iluminando, guiando e guardando. Mas com toda certeza eu não recorreria a Romanos 9, texto favorito dos predestinários. É um texto particularmente difícil, e realmente só se conclui no capítulo 11, com uma grande peripécia e uma grande exaltação do mistério. Quem alegar que se trata de um texto fácil não lhe prestou devida atenção, e trata como teologia sistemática aquilo que, na realidade, é um drama humano iluminado pelo Espírito Santo.

Nas leituras mais comuns e populares de Romanos 9, acredito que o problema seja mesmo a falta de moderação e sobriedade, uma virtude que deveria guiar toda a nossa vida. As leituras predestinárias e calvinistas querem enxergar predestinação em todo o texto, ao passo que as leituras adversárias tentam eliminar do texto qualquer traço de predestinação, qualquer fumaça da crux theologorum. Talvez os defensores mais exaltados dessas leituras não considerem esta breve exposição útil. Tal casta só se expele com oração e jejum.

A moderação é uma virtude que deve guiar toda a nossa vida, e portanto também deve instruir nossa leitura. Certas interpretações históricas amadas devem ser como janelas para a totalidade das Sagradas Escrituras e da Fé Cristã, em toda a sua riqueza e beleza, jamais nos fechando para a voz do Espírito. O assunto de Romanos 9, na realidade, é providência — no governo do Eterno sobre judeus e gentios —, não apenas sobre predestinação para a salvação. Afinal de contas, como aprendemos através do Eclesiastes, todo drama humano é um drama da providência divina, um drama coram deo. A salvação está lá em Romanos 9, mas é tratada de maneira muito sutil e dialética. É importante não lermos palavras como “eleição” ou “graça” com alguma carga dogmática prévia, mas sim abertos para o sentido que o próprio texto nos propõe.

Qual é o sentido de Romanos 9-11?

Romanos 9:1-6: O apóstolo Paulo inicia o texto expressando “grande tristeza e incessante dor no coração” (9:2) por seus compatriotas judeus que, apesar de tantas prerrogativas divinas, não abraçaram o Messias. Tais prerrogativas tinham sido resumidas em Rm. 3:2 com estes palavras: “aos judeus foram confiados os oráculos de Deus”  ta logia tou theou. Embora só agora o Apóstolo revele seus sentimentos sobre a questão, o tema do relacionamento entre os judeus e gentios aparece na carta desde o princípio, desde Rm. 1:16, que mostra no Evangelho a salvação pela fé de todos: “primeiro do judeu e também do grego”. Judeus e gentios terão suas obras igualmente julgadas (2:9-10), e Deus responde à invocação de ambos, judeus e gentios (10:12). Se a salvação está assim disponível para eles, e se eles são, por direito, guardiões dessa mensagem, com o dever de levar luz para as nações, como explicar que tenham rejeitado o Messias? A palavra de Deus falhou?

Romanos 9:6-13: É para responder a essa pergunta, implícita, que o apóstolo escreve os três capítulos: “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado…” (9:6). A resposta começa com a distinção entre os que são de Israel (hoi ex Israēl) e o próprio Israel. Pode-se ver implícita a distinção entre o “Israel de Deus” (Gl. 6:16) e o “Israel segundo a carne [kata sarka]” (1Co. 10:18), ou seja, entre o Israel do plano divino e o Israel da descendência carnal, descendência esta que inclui o próprio Cristo (Rm. 9:5, kata sarka).

A idéia de uma filiação espiritual com respeito a Abraão, que aparece em Gl. 3, é apresentada nos versículos seguintes e, de certo modo, é algo que também se indica nos Evangelhos (Mt. 3:9 par., Jo. 8:39; cf. Lc. 19:9). A filiação carnal com respeito a Abraão indicava uma missão, uma vocação a cumprir, e não um conjunto de direitos espirituais a serem gozados por homens sem qualquer comunhão com Deus. Os filhos de Deus (ta tekna tou theou) são os “filhos da promessa” (9:8), isto é, os filhos indicados pela “palavra da promessa” (9:9), e não apenas os carnais (ta tekna tēs sarkos). A palavra da promessa é aquela que traz preferência a Isaque em relação a Ismael (9:7,9) e a Jacó em relação a Esaú (9:12-13).

É fundamental aqui, porém, que se note que a “palavra da promessa” não diz respeito especificamente à salvação, mas à vocação de cumprir as promessas de Deus feitas a Abraão! Ao dizer “Em Isaque será chamada a tua descendência” (9:7) ou “O mais velho será servo do mais moço” (9:12), não se comunica, de modo algum, uma mensagem sobre a salvação dessas pessoas. Do contrário, todos os descendentes dessa linhagem seriam salvos, e é justamente isso que o apóstolo Paulo acabou de negar (9:1-6)! Mesmo a citação de Ml. 1:2-3, que fala do amor a Jacó e do ódio a Esaú, expressa uma preferência hiperbólica sem referência à salvação. Do contrário, novamente, isso significaria que todos os de Israel são Israel, o que é falso.

Assim, os vv. 6-13 procuram demonstrar, em palavras simples, que a palavra de Deus não falhou (9:6), ou seja, que Israel cumprirá sua missão, embora nem todo o que procede de Israel é Israel, ou seja, que nem todo Israel segundo a carne é Israel de Deus. Isso por si já responde à pergunta sobre a “falha” na palavra de Deus, embora não sirva para tranquilizar a tristeza de Paulo.

Não, a Palavra de Deus não falhou, pois os “filhos da promessa” são aqueles que estão inclusos na “palavra da promessa”: Isaque, não Ismael; Jacó, não Esaú. Isso significa que Ismael e Esaú estão condenados? Não. Significa que eles não são “filhos da promessa”. Qual é a promessa? Serem guardiões dos oráculos de Deus (3:2), ou seja, guardiões da glória, das alianças, da legislação, do culto, das promessas, dos patriarcas e de Cristo (9:4-5).

É fundamental observar que os textos do Antigo Testamento citados não falam de salvação eterna, mas em ser parte do povo cuja responsabilidade é ser bênção para as nações. Mesmo o famoso texto de Malaquias — “Amei Jacó, mas odiei a Esaú” (Ml. 1:2-3; Rm. 9:13) — refere-se à vocação de um povo, e não à condenação eterna de Esaú.

É nessa perspectiva que a palavra “eleição” em Rm. 9:11 deve ser entendida. Não se refere ao mesmo que chamamos de “eleição” na teologia sistemática, seja calvinista, arminiana ou qualquer outra! Inclusive, é assim que se fala em “eleição” no Antigo Testamento: uma eleição nacional (Sl. 33:12; 132:13; 135:4; Is. 14:1; 43:10; 44:1; 49:7; Zc. 1:17), e os profetas vêem nessa eleição de Israel a salvação dos gentios. Essa eleição não implicava em um resultado salvífico (cf. Ez. 20:5-8). É a vocação sacerdotal de Israel. Portanto, a palavra de Deus não falhou, mesmo que alguns não tenham se convertido.

O texto poderia terminar aí. Mas então surge a objeção.

Romanos 9:14-18: É justo que essas pessoas tenham sido escolhidas assim, antes mesmos de nascerem e antes de fazerem qualquer bem? Deus tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer. Isso inclui ao próprio Faraó, que foi levantado por Deus para que Seu nome e Seu poder sejam anunciados em toda a terra.

O próprio Faraó agora é incluído com uma “palavra da promessa”, em que através dele o nome de Deus seria conhecido (9:17). Obviamente isso não significa salvação, mas sim o cumprimento da missão de Deus no mundo. Não só Isaque e Jacó, mas o próprio Faraó tem seu papel no plano divino. Por isso, não estamos falando de salvação, e  também por isso, Romanos 9 não é sobre predestinação, mas sobre providência. O próprio Faraó, mesmo que inimigo de Deus, seria um instrumento através do qual o nome de Deus seria conhecido. Um mal tornando em bem!

Logo depois, o texto menciona um “endurecimento” (9:18), e isso facilmente nos lembra do endurecimento de Faraó. O texto de Êxodo 9:16, que Paulo cita, é um dos que tratam das pragas do Egito, e sabemos que os capítulos em redor ora dizem que Deus endureceu o coração de Faraó, ora dizem que Faraó endureceu seu coração. É importante entender que o “endurecimento” provocado por Deus é uma resposta ao pecado humano. O apóstolo Paulo já havia tocado nesse ponto no começo da carta: diante dos diversos e insistentes pecados humanos, Deus os entrega a um mal ainda pior (1:24,26,28). Endurecer (heb. ḥzq) significa “fortalecer”, “obstinar”. Aqueles que pecam são “endurecidos” por Deus como um castigo pela maldade. O grande mistério é Deus ter misericórdia de alguns pecadores (como os judeus) e endurecer a outros (como os egípcios) — por motivos justos a nós ocultos —, mas tanto a misericórdia quanto o endurecimento são respostas aos nossos pecados.

Romanos 9:19-21: Portanto, nenhum de nós pode questionar o julgamento de Deus sobre Isaque, Jacó e Faraó. Paulo silencia o “inquiridor”.

Romanos 9:22-24: Daqui emerge a maior parte dos questionamentos sobre o capítulo, pois o apóstolo Paulo começa a tratar claramente sobre salvação: os “vasos de ira” e os “vasos de misericórdia”, como havia falado da “misericórdia” e do “endurecimento” com respeito aos israelitas e a Faraó, mas ali sem referência salvífica. Com certeza a linguagem do texto é a linguagem da predestinação: cada vaso está de antemão preparado para o seu destino. Mas o texto é uma pergunta! Inicia com um “E se…” (gr. ei de), uma hipótese portanto. A Almeida comete um erro grande aqui, inserindo um “Que diremos, pois…?” ou “E que direis…?”. Isso muda inteiramente a interpretação do texto.

Uma palavra importante aqui é “ira” (9:22): refere-se a uma retribuição divina, a um castigo divino pelo pecado humano (cf. Rm. 1:18; 2:5,9; 4:15; 12:19; Ef. 5:6; Cl. 3:6). Não é uma ira imotivada e, por isso, não se trata de uma predestinação para a condenação em sentido estrito (supralapsário), embora Deus, sem dúvida, já saberia de antemão se teria misericórdia ou “endureceria”. Particularmente importante é Rm. 1:18, que não apenas esclarece que a ira de Deus é motivada pelos nossos pecados (e não o contrário!), mas também aparece no mesmo contexto em o “endurecimento” é explicado: como retribuição!

O apóstolo Paulo levanta uma “hipótese”: talvez os meus compatriotas judeus que se converteram sejam vasos de ira (por seus próprios pecados), preparados para a condenação, enquanto os gentios e judeus que se converteram sejam vasos de misericórdia preparados para a glória. Em outras palavras: o problema vocacional de Israel, que não abraçou o Messias, seria resultado de um ato predestinador condenatório da parte de Deus?

Essa ligação entre “vaso” e “vocação” aparece claramente em outros textos das Sagradas Escrituras, todos relacionados ao apóstolo Paulo: em At. 9:15, é descrito como “…vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios…”, ou literalmente “vaso de eleição”, skeuos eklogēs; depois, em 2Co. 4:17, a missão apostólica é descrita como “tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”; também 2Tm. 2:20-21 associa os vasos de honra a uma santificação especial por Deus para toda boa obra. O vaso útil é aquele que cumpre o papal divino; mas se é Deus quem faz o vaso, é quem torna o vaso útil.

Então, como Israel não cumpriu sua missão, Paulo se pergunta se o motivo não estaria em um plano divino prévio, que não poderíamos questionar. Por serem vasos de ira, eles não puderam cumprir sua missão e “perderam” seus privilégios. Deus teve ira, e não misericórdia, dos seus pecados. A forma mais simples e de responder a essa pergunta é: sim, é exatamente isso, Paulo. Deus predestinou os judeus que caíram para a condenação. Mas somente se a leitura parar aí. Romanos 11 tem muito a nos dizer sobre isso.

De todo modo, “hipótese” não é a melhor palavra para descrever a pergunta paulina de Rm. 9:22-24. Trata-se muito mais de um recurso desesperado para um homem angustiado (Será que…?), que em todos os lados procura ver uma resposta de Deus para a sua tristeza. A confirmação disso vem também no capítulo 11, onde ele reabre o tema.

Romanos 9:25-29: O apóstolo cita uma série de textos proféticos que confirmam que a conversão dos gentios e que só escaparia o “remanescente” dos judeus. A doutrina profética do remanescente fala daqueles que, após o castigo de Javé, continuariam vivos — os que sobraram, sobreviveram. Sobreviveram ao quê? Ao castigo. Esses remanescentes corresponderiam aos “vasos de misericórdia”.

Assim como “endurecimento” e “ira”, os “remanescentes” são um restante que Deus misericordiosamente decide salvar de um grande grupo que é condenado como retribuição por seus pecados — remanescente que, por passar pela fornalha, se torna puro (Is. 10:20-22; 37:32-32; Jr. 50:20; Ez. 6:8; Mq. 5:7; Sf. 3:13) —, como foi o caso do próprio Paulo, originalmente um perseguidor da Igreja.

Obviamente, a misericórdia não vem sobre os remanescentes por serem melhores que os demais, pois eles mesmos precisam ser perdoados (Jr. 50:20; cf. Ed. 9:13-15), mas por uma misericórdia divina misteriosa, mas que já estava dada na própria idéia de “aliança”: se Deus fez uma aliança com Israel, não é possível que destrua a todos os israelitas sem distinção; algum remanescente, mesmo que pecador, deve ser alvo de misericórdia, ou então a palavra de Deus falharia (9:6). A linguagem dos vasos, assim como o remanescente, também é do AT (Jr. 18).

Romanos 9:30-33: Por que Israel não alcançou a justificação? Por que tropeçaram na pedra de tropeço colocada por Deus em Israel. Essa pedra, sim, foi predestinada por Deus, e é óbvio que Deus sabia dos resultados que ela teria na condenação de muitos. Isso nos lembra as palavras de Simeão à Virgem: “Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado [sēmeion antilegomenon]” (Lc. 2:34). O apóstolo Paulo retorna a isso no capítulo 11.

Romanos 10:1-15: Paulo intercede pela conversão dos judeus. Ele se refere à “ignorância” daqueles que não abraçaram o Messias (10:2-3), mistério que aparece também em 1Co. 2:8. Os judeus não abraçaram a justiça que vem de Deus (Cristo) para estabelecerem sua própria justiça (Torá). Ainda assim, Cristo é o Senhor de todos os que o invocam, judeus e gentios (10:12).

Romanos 10:13-21: A universalidade da pregação. Outros textos do AT são trazidos: já estava escrito que nem todos creriam, que o Evangelho iria por todo o mundo, e que o povo de Israel teria ciúme (zēlos) dos gentios, e que aqueles que não buscavam a Deus (pecadores!) o encontrariam. O texto conclui dizendo que Deus estendeu suas mãos ao povo que o contradisse, ou seja, aos que tropeçaram. Isso nos mostra que, por um lado, Deus provocou a queda de Israel, ao colocar a pedra de tropeço (Cristo) em seu meio, para colocá-los em ciúmes com os gentios. O apóstolo Paulo retornará a isso… no capítulo 11.

Ou seja, todos os mistérios que o que o apóstolo Paulo tratou nos capítulos 9 e 10 (a queda de Israel, a pedra de tropeço, os ciúmes de Israel) serão reabertos, em nova linguagem, novamente no capítulo 11. É o capítulo da grande reviravolta, a grande peripécia.

Romanos 11:1: Paul retorna ao tema inicial: a descendência de Israel. Deus não rejeitou os judeus, pois o próprio apóstolo Paulo era judeu, ele que inicialmente rejeitou o Messias.

Romanos 11:2-10: Mas como não rejeitou seu povo, se tantos rejeitaram o Messias? Resposta: o remanescente, eleito conforme a graça. Quem não abraçou o Messias, foi endurecido. Esse endurecimento, novamente, é uma resposta de Deus ao pecado humano. “Eleição”, aqui, refere-se estritamente a Israel: os remanescentes de Israel foram eleitos conforme a graça. Não é uma doutrina da salvação ou predestinação da humanidade, mas da salvação dos israelitas que se converteram e se converteriam. Alguns judeus estão debaixo de um entorpecimento que os impede de chegar a Deus, mas esse entorpecimento é uma punição de Deus (11:8-10), correspondendo à “ira”, “endurecimento”, “castigo” (cf. 2Co. 3:14-16; 4:4). O entorpecimento não é a causa, mas o resultado da rejeição do Messias pelos judeus, embora a agrave.

Romanos 11:11-32: Os judeus tropeçaram, mas não para caírem; seu tropeço não é definitivo. Tropeçaram para que os gentios fossem salvos. Sem querer, levaram a salvação aos gentios! Eles próprios estão agora em uma situação de cíume (zēlos) em relação aos gentios, e é através desse ciúme que o apóstolo espera que eles também sejam convertidos (vv. 13-14); esses ciúmes faziam parte do plano divino (10:19).

O apóstolo usa as alegorias da massa e da oliveira (11:16-24) para explicar a origem judaica do povo cristão, e que, dada essa origem, eles poderiam facilmente serem reinseridos em sua árvore original, desde que se convertessem (11:23). Eles são a massa original, à que o apóstolo se refere em Rm. 9:24! Semelhantemente, os cristãos devem temer, porque podem ser removidos da árvore caso se ensoberbeçam (11:20-22).

De algum modo misterioso, todo o Israel será salvo, pois através da desobediência dos judeus, Deus salvou os gentios (que eram desobedientes); pela misericórdia concedida aos gentios, também os judeus receberão misericórdia. O apóstolo Paulo conclui com um grande “porquê” final:  “Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.” (Rm. 11:32). Os gentios, colocados debaixo da desobediência, encontraram misericórdia; os judeus, também colocados sob desobediência, encontrarão misericórdia. Assim, o apóstolo Paulo reverte a hipótese de Rm. 9:22-24. Todos são vasos de ira para serem então vasos de misericórdia… como o próprio Paulo!

Romanos 11:33-36: Por isso, o apóstolo Paulo louva a Deus por sua providência inescrutável, que, mesmo diante dos pecados humanos, não tem jamais seu projeto impedido; antes, torna o mal humano em um bem.

Em que momento o apóstolo Paulo fala da eleição dos gentios? Em nenhum momento. E a condenação dos gentios? Em nenhum momento. É tudo sobre Israel e a possibilidade de sua conversão, e o apóstolo mostra claramente que os resultados maus de Israel não foram “causados” por uma predestinação divina, por uma rejeição eterna, mas pela própria escolha dos israelitas. Mas Deus é um Deus de misericórdia.

Rev. Gyordano M. Brasilino

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